Zebu ajuda a reconstruir artistas populares como Belo, Kelly Key e Sandy e Junior em seus remixes

Zebu ajuda a reconstruir artistas populares como Belo, Kelly Key e Sandy e Junior em seus remixes

31 de maio de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Guilherme Pereira, de São José dos Campos, é o cara por trás do projeto Zebu. Com a ideia de criar “música feita para embalar seu coração”, o DJ faz covers remixados de sucessos que podem ser chamados de bregas ou popularescos, como “Olha O Que O Amor Me Faz”, de Sandy e Júnior, “Essa Tal Liberdade”, do Só Pra Contrariar, e “Direito de Te Amar”, do Belo. Até o popular “Rock do Ronald”, jingle do McDonald’s, ganhou uma versão trap que faria qualquer pista de dança balançar sem ao menos pensar em Big Macs.

“A não ser que as pessoas sejam muito eruditas, quem xinga esse tipo de música falando que é absurdamente pobre está provavelmente errado. Escrever uma melodia pop é uma coisa difícil, uma letra catchy também”, explica. “E nem precisa ir tão longe: um monte de produtor “fã de música eletrônica de grave forte” xingando funk pra caramba e não conseguem fazer um sub pesado que bate forte igual o DJ R7“.

Conversei com ele sobre estes covers remixados, suas inspirações e seus futuros projetos autorais:

– Como você começou sua carreira musical?

Eu tive uma banda em 2008 de pop/rock internacional, tinha uns 15 anos, e depois fui pra outra banda que tocava mais as paradas no naipe Raimundos, assim. Foi gravando as coisas com as bandas que eu vi que eu gostava muito do estúdio em si, gostava muito de editar, mixar, arranjar as coisas. Aí fui pra Inglaterra estudar som em 2015, mais focado pra banda, infelizmente meu curso lá faliu e eu tive que voltar no meio do ano, então de brincadeira comecei a fazer alguns mashups, foi meu primeiro contato com a música eletrônica em si.

– E como foram esses primeiros mashups?

Era bem mais voltado pro humor, misturando artistas pop gringas com MC Carol e uns videos brisa, Stranger Things com “Passinho do Romano”, músicas bestas sobre temas tipo temaki…

– E como você se desenvolveu disso para o projeto atual?

Eu comecei a ouvir muito Flume Gill Chang e tava um pouco com medo de fazer uma parada mais séria e não ser aceito, aí meio que um dia assistindo um DVD do Belo eu pensei em fazer uma coisa que fosse visualmente/conceitualmente zoeira mas musicalmente sério…foi como eu fiz “Direito de te Amar” que foi meu primeiro remix pra valer mesmo.

– Sim! Aí você começou a pegar artistas ditos “bregas” ou populares e remixá-los. Quais você já fez?

(Risos) Não sei se usaria a palavra brega… Talvez inusitado, eu gosto bastante desse tipo de música. Já fiz remix de Belo, Maiara e Maraísa, Só Pra Contrariar, Kelly Key, Sandy e Junior, Matheus e Kauan, e mais recentemente (hoje!) Kasino.

– E você teve alguma resposta dos artistas que remixou? Alguém se pronunciou?

Cara eu meio que sei que o Belo já escutou e gostou do dele, mas não por fontes muito oficiais…O da Maiara e Maraísa a Universal Music gostou e licenciou, não sei se passou por elas…

– Porque você escolheu fazer remixes de artistas mais populares?

Eu nunca fui muito fã de coisas underground, acho síndrome de underground uma chatice sem fim. Sempre fui muito fascinado por música popular mesmo… Quando era novo com 13, 14 anos, mesmo na minha fase mais roquista, fãzaço de Led Zeppelin, Beatles, eu ainda escutava muito Tchakabum, N*Sync, Backstreet Boys… Já tive uma banda que fazia covers dessas coisas tipo Kelly Key em versões meio Raimundos e tal, sempre foi minha pegada escutar muita música pop. Então acho que é por aí, é meio que “eu” fazer isso (risos).

– Então a ideia é também tirar um pouco desse preconceito que essa galera “cool” têm dos artistas populares.

Sim, cara, a não ser que as pessoas sejam muito eruditas, quem xinga esse tipo de música falando que é absurdamente pobre está provavelmente errado. Escrever uma melodia pop é uma coisa difícil, uma letra catchy também. Uma pessoa que quer mexer com música eletrônica e renega a qualidade de um álbum tipo “ArtPop” da Lady Gaga está provavelmente fechando os olhos pra algo que poderia ser uma referência foda, de artistas fodas. E nem precisa ir tão longe: um monte de produtor “fã de música eletrônica de grave forte” xingando funk pra caramba e não conseguem fazer um sub pesado que bate forte igual o DJ R7.

– Quais são suas maiores influências musicais?

Dos brasileiros sou muito fã de Toquinho, Tom Jobim… Na parte eletrônica gosto muito de OMULU, do TIN , João Brasil (risos). Da gringa sempre escutei muito Daft Punk, mais recentemente tenho ouvido artistas tipo San Holo, Gill Chang e Flume.

– Você pretende lançar trampo mais “autoral”?

Cara, eu enrolei, pois tive que resolver a história do Kasino. Pretendo sim! lançar 2 ou 3 faixas autorais ate o fim do ano!

– Pode adiantar algo sobre elas?

Basicamente tenho a ideia de manter o meu estilo, com letras em português e ser brega/pop no estilo “Future Sertanejo” mesmo. Talvez algo instrumental, mas basicamente quero fazer algo pop!

– Você acha que mesmo os cantores de funk e sertanejo estão pendendo para o pop, como aconteceu com a Anitta e o Luan Santana?

Se eu acho que eles estão migrando? Acredito que sim, muitos artistas de funk e de sertanejo tem colocado elementos mais mainstream pra deixar as coisas mais “digeríveis” pra um público menos de nicho, na minha opinião. Acho que não é nem questão de abandonar seus estilos, sinceramente…ainda tem uma essência do original ali. É só tentar ser menos de nicho eu acho…

– Quais seus próximos passos musicalmente?

Tentar consolidar minhas músicas originais, fazer cada vez mais remixes oficiais e lançar mais remixes ?

– Recomende bandas, artistas e DJs independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Nos últimos tempos quem me chamou atenção foi um duo gringo de Future Bass chamado DROELOE, além do brasileiro e meu amigo Vhoor, que tem feito umas beats muito inovadoras!