Zabelê, ex-SNZ, lança seu primeiro disco solo: “não quis trazer a família para o álbum, queria realizar todo o processo sozinha”

Zabelê, ex-SNZ, lança seu primeiro disco solo: “não quis trazer a família para o álbum, queria realizar todo o processo sozinha”

22 de abril de 2015 2 Por João Pedro Ramos

11117039_477479875737978_1102565398_nDas três irmãs, Zabelê Gomes é a que mais se parece fisicamente com a mãe, Baby do Brasil (ex-Baby Consuelo). Com uma mãe dessas e um pai como Pepeu Gomes, é claro que ela enveredaria mais cedo ou mais tarde pela carreira musical, o que fez junto com suas irmãs Sarah Shiva e Nãna Shara no projeto pop SNZ em 1997. Com o fim do trio em 2009 e a conversão de suas irmãs pela religião evangélica, Zabelê resolveu enfim seguir seu primeiro voo solo musical.

Seu primeiro disco solo conta com um time de peso: foi produzido por Domenico Lancellotti e conta com músicas de Pedro Sá, Rubinho Jacobina, Alberto Continentino e Kassin, além da participação de Moreno Veloso na música “Cara de Cão”. Em sua primeira investida sem a família, Zabelê mostra seu timbre único e se desprende um pouco do pop que fazia com o SNZ, indo para um lado mais puxado para MPB/alternativo.

Conversei com Zabelê sobre sua carreira, a influência da família em sua música e, claro, sobre o disco “Zabelê”:

– Como você definiria o conceito de seu primeiro álbum solo?

Acho que é um disco solar, leve e positivo.Tem uma mistura de MPB contemporânea e alternativa.

– Você se juntou a nomes de peso para o disco. O que levou você a escolher estas pessoas para te acompanhar nesta nova fase?
Quando convidei o Domenico para produzir, fizemos uma laboratório musical para escolha do repertório e a concepção do disco , achamos que esses músicos traduziriam perfeitamente a nossa ideia e que casariam com o disco, com as músicas e os arranjos, além de serem todos grandes amigos.

– Você está em uma fase de redescobrimento, inclusive vocalmente. Sente que alguma coisa mudou em relação a seus trabalhos anteriores, neste sentido?
Sim, estou em uma fase totalmente diferente, me descobrindo vocalmente e curtindo muito essa busca. É muito gostoso você poder usufruir da sua voz de varias maneiras e formas, é um privilégio. E esse que é o barato de um trabalho novo, o aprendizado a cada nova fase.

– Quais são suas maiores influências musicais?
É dificil rotular e escolher 1 ou 2, prefiro dizer que vai de Novos Baianos a Michael Jackson. Venho de uma geração de muitas influências diferentes, tivemos uma MPB fortíssima e um cenário Pop muito grande.

– Se você pudesse fazer QUALQUER cover, qual seria?
Tem muitos artistas que tenho vontade de cantar e eles estão na minha lista de projetos futuros. Pensamos até em regravar algum nesse disco, mas no final achamos que já tinhamos um repertório redondo que se completava. Mais posso adiantar que Novos Baianos e Caetano já estão na minha lista.

– Você está preparando o primeiro clipe de seu disco. Qual será a música? Pode me falar um pouco mais dele?
Sim, estamos preparando o clipe da música “Nossas Noites” ainda não posso te revelar muitos detalhes, mais o que posso dizer é que esta ficando lindo e tem um clima de “Jazz” dos anos 60, gravado todo em preto e branco!

10995059_803896789689361_1885526457_n– O que você acha das músicas que atualmente estão nas paradas de sucesso no Brasil?
Não me ligo muito nisso, acho que a internet nos deixou mais democráticos e a gente não precisa ficar refém das paradas de sucesso. O nosso Brasil é muito rico musicalmente e temos um leque da nova geração musical super interessante por aí, que necessariamente não estão nas paradas.

– A cultura do álbum ainda existe ou hoje em dia é mais vantajoso lançar apenas singles para que sejam baixados ou tocados em streaming?
Acredito que essa cultura do álbum ainda exista sim, apesar de não ter nada contra as questões de streaming, eu vejo o álbum de forma diferente, mais pelo lado artístico musical, como um trabalho que a cada música, a cada arranjo se completa, e que tem uma linguagem e uma concepção como um disco. Aprecio o encarte, os arranjos, e a visão daquele artista, e para isso precisamos conhecer a sua obra por completo e o que ele quis passar.

– As pessoas ainda associam muito seu nome ao SNZ? Você tem saudades desta época?
Foi uma época muito gostosa e eu aprendi muito com o SNZ, sou muito grata ao tempo que trabalhei com as minhas irmãs. As pessoas ainda me associam ao grupo e isso é muito normal, fizemos muito sucesso e o público tem muito carinho e saudade. Acho que aos poucos eles vão entender quem é a Zabelê e que agora estou seguindo um novo caminho e trilhando a minha carreira solo. Estou apaixonada pelo meu trabalho assim como foi com o SNZ e quero que as pessoas vejam isso.

– Em toda entrevista as pessoas trazem à tona o nome de seus pais. Isso te incomoda? (Se incomoda, desculpe!)
(Risos) Já estou muito acostumada! tenho muito orgulho de ser filha deles e de toda historia que eles viveram. Eles são uma referência para mim, são a minha faculdade musical. Aprendi com eles, assistindo e participando de todos os processos musicais. É claro que somos de outra geração e as pessoas tem um pouco de dificuldade de entender que somos diferentes deles. Nosso som, nossa música não é e nunca será igual a deles, nossa influência está no sangue.

10956710_1417952835180556_1255347333_n Você é uma das poucas de sua família que não se converteu à religião evangélica. Sua mãe e suas irmãs deram alguma opinião sobre seu novo trabalho? Você chegou a mostrar pra elas?
Sim, das irmãs eu sou a única que não sou evangélica e não quis trazer a família para participar desse álbum pois queria realizar todo o processo sozinha e curtir esse tempo de busca pessoal que é totalmente meu. Mostrei o trabalho já pronto para eles.

– Quais artistas desconhecidos você adora e acha que as pessoas deveriam conhecer?
No momento estou ouvindo o som do Stephane San Juan e do Moreno Veloso, eu recomendo!

Ouça a prévia de “Zabelê” aqui: