“Wristcutters: A Love Story” – Um road movie com o Tom Waits num post mortem dos suicidas

“Wristcutters: A Love Story” – Um road movie com o Tom Waits num post mortem dos suicidas

21 de julho de 2017 0 Por Guilherme Gagliardi

Sinestesia, por Guilherme Gagilardi

Wristcutters: A Love Story (Paixão Suicida)
Lançamento: 2006
Direção: Goran Dukik
Roteiro: Goran Dukik e Etgar Keret
Elenco principal: Tom Waits, Patrick Fugit, Shannym Sossamon e Shea Wigham

Um road movie

com música do Gogol Bordello

e o Tom Waits no elenco!

Tá, agora a parte bad da coisa: o filme se passa num lugar meio várzea, meio terra de ninguém: um post mortem dos suicidas (mas não, o filme não romantiza nem estimula o suicídio).

Beleza, pós introdução sucinta, passemos ao filme!

Zia, um recém-chegado nesse mundo várzea, ainda angustiado com o fora que levou ele pra lá e vendo que aquele lugar era ainda mais bosta, que lá o seu trabalho era mais bosta, sua solidão era mais bosta e o cara com quem dividia o quarto nos fundos da pizzaria onde trabalhava era ainda mais bosta que a poeira do seu quarto de vivo, encontra num bar um maluco russo-americano que lembra o Iggy Pop e morreu em um palco jogando a cerveja nas cordas da guitarra. O nome dele é Eugene e ele vive nessa terra de ninguém com toda sua família.

O novato, puto do vida (ou da morte, sei lá), pensando em se matar de novo, entra num mercado pra comprar queijo e encontra um antigo “amigo” que conta pra ele sobre a mina que tinha lhe dado o fora: Ela tinha ficado bem bad depois da morte do Zia e se matou também uns meses depois. Agora, com esperanças de encontrar a mina que, pelo menos segundo o seu raciocínio e a história do mercado, teria se arrependido do fora, o calouro decide ir procurar-lá e chama o russo. Eugene topa porque não tem porra nenhuma melhor pra fazer e lá se vão os dois pela estrada ouvindo Gogol Bordello.

Encontram uma mina pedindo carona, Mikal, que diz estar em busca dos “homens de branco”, os caras que controlam aquele lugar e que podiam tirá-la de lá, pois estava nesse universo por engano. Formado o trio, o filme segue num esquema bem quadradão de road movie, acompanhando o desenvolvimento e as desavenças dos personagens durante a viagem.

Contudo, o que definitivamente dá pra esse esquema quadradão um tempero especial é a voz absurdamente rouca do lindão gostosão Tom Waits, que aparece no longa deitado no meio da estrada, cansado de procurar seu cachorro sumido (uma referência a “Rain Dogs”, talvez?), quando é quase atropelado pelo trio e os leva até o seu acampamento (que por sinal, dá nome ao conto de Edgar Keret que inspirou o filme: Kneller’s Happy Campers).

É talvez já seja meio óbvio que um filme com o Tom Waits tenha uma trilha do caralho. A primeira música, que toca enquanto o Zia arruma o quarto antes do “suspiro final” por sinal, é desse beatnik do chapéu coco.

Mas não para por aí: a música tema do filme, “Through the Roof’n Underground”, é um absurdo de bom da música pra ouvir viajando (em qualquer sentido possível pra palavra…) e é duma banda que entende do assunto: a big band Gogol Bordello, que compôs o tal som e que vêm trabalhando num projeto de música punk-cigana desde 1999. Composta por imigrantes de vários cantos do mundo, a banda é “chefiada” pelo vocalista Eugene Hütz (vale dizer que no filme, a música aparece tocando numa fita da ex-banda do Eugene, o que meio que permite concluirmos que o nome é uma homenagem do diretor Goran Dukik ao músico) que é de família cigana e sabe do que diz quando diz de estrada.

Além disso, o filme ainda conta com um pontual Joy Division tocando no fundo numa cena de bar e várias outras músicas que aparecem sempre de modo um tanto quanto superficial, mas que divertem quem curte o som.

Segue em link a trilha sonora e o filme completo. Assistam, ouçam e curtam!

Filme completo (em playlist do Youtube):

Trilha sonora (também em playlist):

https://www.youtube.com/playlist?list=PL6w1yVKjcKZBRjtbzY7GR2AQ-hcn4bqv4