“Vou Rifar Meu Coração” (2012) – O brega como órgão pulsante da música brasileira

“Vou Rifar Meu Coração” (2012) – O brega como órgão pulsante da música brasileira

13 de junho de 2018 0 Por Rodrigo Reis e Bárbara Ribeiro

Ano de lançamento: 2012
Direção: Ana Rieper

“Quando Nelson Gonçalves gravou ‘Negue’ era cafona. A Maria Bethânia gravou virou luxo. Nós não somos de uma elite. Nós não somos Buarque de Holanda. Somos pessoas de interior.” – diz Agnaldo Timóteo em determinado momento de “Vou Rifar Meu Coração”, documentário dirigido por Ana Rieper.

O grande trunfo aqui não é o destaque dado aos músicos mais consagrados do gênero como Odair José, Amado Batista, Nelson Ned, Wando e Lindomar Castilho (Waldick Soriano teve seu próprio documentário em 2008). Os artistas não falam de suas carreiras, mas sim da influencia que a música brega ou romântica tem na vida das pessoas. De como as letras são nada mais que um retrato verdadeiro da vida deles mesmos. E o melhor, a diretora reserva espaço para justamente os amantes do gênero, que nada mais são do que os personagens retratados nas próprias canções: o frentista abandonado, o bígamo que divide o tempo com duas esposas, o casal que se conheceu no bordel, entre tantos, junto aos elementos sempre presentes na trajetória dessas pessoas como o ciúme, a traição, a solidão e acima de tudo a paixão.

Feliz ainda por colocar o dedo na grande discussão sobre o que é a verdadeira música popular (qual a diferença com a consagrada “MPB de Ipanema” de determinados artistas?) “Vou Rifar Meu Coração” é um lindo documentário sobre pessoas, artistas e essa música tocada nos bordéis, boates noturnas, inferninhos, cabarés e é claro, nos bregas.