Venus Café traz seu rock ultrajante e vigoroso pela primeira vez para São Paulo neste final de semana

Venus Café traz seu rock ultrajante e vigoroso pela primeira vez para São Paulo neste final de semana

21 de junho de 2017 2 Por João Pedro Ramos

Eu sei que pode parecer preguiçoso colocar parte do release da banda na abertura da matéria, mas é impossível não reproduzir este texto que define muito bem a orgia musical cheia de bom humor que é o Venus Café: “Com palhaçadas ultrajantes que incluem um figurino roubado do guarda-roupa de Steven Tyler, pulos e trejeitos emprestados de David Lee Roth e uma voz estridente apanhada do próprio Freddie Mercury, o irresponsável vocalista Dangerous Dan tem liderado o quarteto que vem há anos batalhando no circuito alternativo carioca. A conjunção de alta energia, refrões cativantes e culto sem remorso do rock clássico gradualmente tem lhes valido seguidores fanáticos simplesmente no boca-a-boca. Afinal de contas, pra quê pedir um bolo sem cobertura se ele pode vir cheio de glacê, cerejas e enfeites?”, diz o texto da página dos cariocas.

Formada por Dangerous Dan (vocal), Captain Love (baixo), Frankie Goes (guitarra) e Jules Brasa (bateria), a banda lançou em 2016 o EP “Rock’n’roll Tupiniquim”, que segundo Dan define bem o som da banda. Juntando quatro faixas compostas desde os primórdios da banda, o disquinho é apenas um aperitivo do que vem por aí no começo de 2017, quando lançarão um novo trabalho. Nos dias 23 e 24 de junho o quarteto carioca invadirá a selva de pedra paulistana com quatro shows, sendo três deles em uma maratona hercúlea no sábado, Dia da Música.

Conversei com Dan sobre a carreira da banda, o EP “Rock’n’roll Tupiniquim”, o duvidoso nome anterior do grupo, a cena musical independente e muito mais:

– Como a banda começou?

A banda vem da infância. Eu e o Gabriel (Captain Love, baixista) somos primos, e fazemos isso desde que nos entendemos por gente. Começamos fazendo videos engraçados dublando nossas bandas favoritas. Depois, na adolescência, começamos a aprender música e compor nossas primeiras canções (algumas que tocamos até hoje!). Isso tudo foi em Volta Redonda, interior do RJ. Mais tarde, viemos pro Rio de Janeiro ganhar a vida, e a banda naturalmente veio junto. Começamos a levar a parada mais a sério, correr atrás de shows e etc.

– E como surgiu o nome Vênus Café?

Pô, vou me permitir uma rara sinceridade aqui. Nos primeiros a primeira fase da banda era bem esculachada, e atendia pelo jocoso nome de Dakocaga. Para bons entendedores, dá pra sacar. Horrível, né? (Risos). Daí vimos que isso era um empecilho para o crescimento da banda, e eu e Captain ficamos um mês insanos até chegarmos a este nome. Legal, soa bem, passou bem o conceito que redesenhamos para a banda. E funciona bem em qualquer idioma! ?

– Mas ele tem alguma inspiração em específico ou foi nos testes mesmo? Como ele se liga com o conceito da banda?

Seu curioso…. Eu querendo fazer um misterinho aqui (risos). Levantamos umas 50 hipóteses, refinamos pra 5
daí numa bela noite, comendo um podrão na esquina após um ensaio, eu chego para o Captain e falo “cara, já sei: um puteiro!”. Fala um nome bom, mas que não dê na pinta e pelamordedeus não seja politicamente incorreto – já havíamos gasto dez vezes esta cota com o nome anterior. Um, dois, três palpites e aí veio o Venus Café
que se alia às keywords da banda, que são basicamente o Rock e o Tupiniquim. E ainda mantém um claro elo com amor e/ou safadeza, que é outra temática favorita nossa! Colei até uma Venus de Botticelli na minha guitarra (risos)!

– Agora me conta qual é o conceito da banda. O lado do humor continua em pauta ou foi embora junto com o nome fecal?

(Risos) lembrando que “Caga” era a parte mais leve do nome antigo… Anyway: sobre o humor, demos uma filtrada sim. Pra tornar o projeto mais vendável, sim ? Ao mesmo tempo em que a gente foi desenvolvendo em laboratório o nosso que, modéstia às favas, é explosivo. Daí demos uma bandeada do “pastelão + Jackass” para uma coisa “rockão pressão + amor”, mas isso funciona mais no conceito mesmo. A parada é que somos primos e melhores amigos infantilóides que veneram toda a filmografia do Will Ferrell. Então o lance da piada continua forte mesmo
nos shows, sobretudo. É o meu lado entertainer, stand up comedian (sei lá se já te falei desse trampo). Não dá pra correr disso, afinal.

Venus Café

– Então vamos fazer um parênteses e falar desse negócio de stand up comedian. Explica isso aí.

Digamos q eu tenha uma formação de “curioso” em artes cênicas. Fiz um cursinho de interpretação aqui, uma oficina ali. Não manjo nada, num põe aí q eu sou ator não, pelamordedeus! Entre um trampo e outro, o mais massa que tem rolado é com o Rock in Real, que começou como um evento da banda Balba, aqui do RJ. Daí o David Obadia, baterista da Balba e um completo gênio do audiovisual + amante latino vegano, me chamou pra fazer os teasers do evento. E esses teasers bombam no FB, a produção cresceu, os eventos lotam. Daí eu entrei pra produção com ele também, e a última ideia do patrão Dave foi fazer um canal do YouTube. Que eu não to nem um pouco à vontade ainda, admito. Mas vamos apurando o produto… Ah, eu faço os intervalos do evento também. É fácil: quanto mais bêbado eu fico, mais eu falo merda, mais a galera ri. É irado ?

– Voltando à banda: me conta um pouco mais sobre o material que vocês já lançaram.

‘Rock n’ Roll Tupiniquim’ é de certa forma um símbolo desta primeira fase nossa. Tem músicas que foram feitas ao longo de dez anos, em VR (as mais adolescentes) e no RJ (as mais “rock n’ roll pra dançar”) a gravação foi uma obra de igreja, se estendeu de 2014 até 2016. Passaram uma três formações da banda lá. A mix trocou de mãos algumas vezes até parar no Celo Oliveira, um cara fabuloso e um belo pai de família. Gravamos umas 15 músicas, mas a real é eu sou tão exigente que só fiquei feliz com as quatro que publicamos. Então saiu como EP mesmo, porque depois de tanto tempo tinha que sair alguma coisa, né? E essas que saíram eu sou MUITO orgulhoso delas. Estão exatamente do jeito que estavam na minha cabeça neste tempo todo. O que eu nunca imaginei q seria possível (risos)! Outra parada de que eu me orgulho é que nessas mudanças, eu é que gravei a bateria! Outro fun fact: bateria é o meu instrumento predileto, o primeiro que aprendi a tocar aos 9 anos (quando eu ouço uma música pela primeira vez, é o q eu presto atenção e começo a fazer air drums). Fechando o lance do EP, a repercussão foi ótima, fizemos um PUTA show de lançamento no Imperator, uma casa gigante aqui do RJ onde já tocaram Ramones, Pantera, Megadeth e Mara Maravilha (true story!)

– Como você vê a cena independente hoje em dia, especialmente aí no RJ?

Cara….. Pra essa dá pra ser mais sintético. Obviamente sou um insider na cena, mas sempre tento olhar com o viés de público ou um businessman de fora. Existem zilhões de bandas, muitas muito boas, muitas são talentos desperdiçados, porque se perdem nos mais variados motivos. Muita porcaria genérica-carioca-filho-bastardo-do-Barão-Vermelho-com-o-Emerson-Nogueira, zero criatividade e relevância. Mas a minha opinião sintética é: pra se configurar de fato uma cena, falta apenas uma componente, só que é a fundamental: PÚ-BLI-CO. Todo e qualquer movimento artístico que se prezou, que se sustentou em algum lugar ou em alguma época, era eminentemente um movimento de massa. É puxado pelo público, e não empurrado. Pensa aí em qualquer um: Manchester nos 80, o britpop, o punk, Seattle, os Beatles, o iê-iê-iê, o funk, o renascimento, a pop art do Warhol, o indie sem sangue de NYC que virou o indie britânico dos Arctic Monkeys e as cenas brasileiras, porque não? BR Rock nos 80, Brasilia, punk xixi em SP… Enfim, tudo sempre teve como base o público, e essa componente infelizmente falta aqui, e é com pesar que eu te digo isso. É uma solução que eu não sei, se eu soubesse eu aplicaria imediatamente à minha banda. Adicione a isso alguns fatos como: pessoal aqui no RJ não tem cultura, o hábito de sair de casa pra consumir cultura, e muito menos de pagar por isso. Pra ir de chinelo na praça vagabundo vai e gasta 100 reais num chopp com sobrepreço nas alturas, agora pra pagar 20 contos e ver uma banda fuderosa que investiu pra caralho, ou uma peça independente de um grupo que estudou pra caramba, uma mostra de artes plásticas… Enfim. Apesar destes pesares, eu vou morrer um entusiasta e tentando. Tem mil pessoas boas, talentosas e de coração muito bom trabalhando muito pelos seus projetos. Isso faz tudo valer a pena.

– Quais são os próximos passos da banda?

Em agosto lançamos um single + video desse EP. Na virada do ano sai o álbum novo, já em fase avançada de pré-produção. Ou melhor, joguei ele pra janeiro/fevereiro pra aproveitar o buzz do Carnaval, que tem de tudo pra ser novamente os nossos 15 milissegundos de fama. Daí dá um boost na divulgação do trabalho.

Venus Café

– Dá pra adiantar algo sobre o novo disco?

Pooooooô, esse aí tá meio segredo! (Risos) Só te digo que tem de tudo pra ser maior e melhor. E que eu não vou descansar até essa parada fazer um barulho bacana. É o crescimento do projeto, em todos os sentidos: produção, composição, execução, novos temas. E também comunicação e marketing, por supuesto ?

– Aliás, cês vão fazer uma passagem relâmpago por São Paulo agora, né?

Hell yeah! Estaremos aí entre os dias 23 e 25/06, inicialmente iríamos para tocar no Dia Da Música, mas algumas gigs caíram, outras surgiram. Teremos: sexta, 23/06, na Golden Line Tattoo, um rolé na Zona Leste. Dizem que é massa, rock n’ roll pra caramba. Sábado, 24/06, é jornada tripla (e heróica): começamos no palco que o coletivo Voz do Undergound monta na Praça Eugene Bodin, em Pinheiros. Punk porrada. Depois descemos a Rebouças até o Ouvidor 63, estou doido pra ver como é essa ocupação que rola lá. Daí partimos pra Santo André, onde tocaremos num Pub rockão de lá, o Jailhouse 2. Em todos estes rolés, só fiz contato com gente maravilhosa
estou impressionado com o profissionalismo e o bom caráter da galera aí de SP. Como sempre digo, SP é primeiro mundo. (Se isso for uma opinião distorcida, por favor não tira ela da minha cabeça! (Risos) Eu adoro pensar e sentir isso)

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos e todo mundo devia ouvir!

Hmmm, tarefa árdua! Vou me ater ao RJ pra conseguir fechar uma lista: Mobile Drink, um rockão forte, alto e bom, Balba, indie rock pra dançar com refrões de hino, pra cantarolar amarradão, Ricochet, anos 90 na veia, vai direto no coração, Carbo, stoner pesado de Volta Redonda. Molecada novinha mas parece q eles já nasceram sabendo TUDO! The Bunker Band, um britpop mais bem-feito que 90% das bandas da Inglaterra hoje em dia fazem. Detalhe: eu simplesmente não os conheço pessoalmente, nunca fui a um show, mas ouvi e pirei.
é isso. Um top five (risos)!