Vencedor do Breakout Brasil, Jéf lança seu segundo disco, “Interior”, produzido por Lucas Silveira

Vencedor do Breakout Brasil, Jéf lança seu segundo disco, “Interior”, produzido por Lucas Silveira

10 de agosto de 2015 0 Por João Pedro Ramos

Grande vencedor do Breakout Brasil, reality show musical do Canal Sony, o gaúcho Jéf acaba de lançar seu segundo disco, “Interior”, produzido pelo vocalista da banda Fresno e jurado do programa Lucas Silveira. Com suas doces canções e violão sempre a tiracolo, o músico ganhou o rótulo de folk, o que ele renega. “Não gosto muito de rótulos. Eu faço música com meu violão, então muita gente veio falar dessa coisa ‘indie folk'”, explica.

“Interior” foi lançado pela Sony Music Brasil no dia 31 de julho e conta com 10 músicas, sendo cinco delas novas roupagens para canções do disco “Leve”. “Rema e Acredita”, faixa que abre o disco, já está na playlist As 50 Mais Virais do Brasil do Spotify. Conversei com Jéf sobre sua carreira, a passagem pelo Breakout Brasil e o novo disco:

– Seu disco acabou de sair. Me fale um pouco mais sobre esse trabalho.

Bom, o disco se chama “Interior” e é o primeiro por uma grande gravadora. Pegamos 5 músicas do primeiro trabalho independente (“Leve”, lançado ano passado) que acabaram não tendo tanto tempo de divulgação, por causa do programa, então achamos melhor regravá-las e colocar nesse disco. E para quem já conhecia, trouxe 5 músicas inéditas. Foi produzido pelo Lucas Silveira, da Fresno, que meio que entrou pra banda durante o processo. Tocou, ajudou a compor, se dedicou e trouxe todo talento e suas boas energias para que pudéssemos fazer um ótimo trabalho juntos.

– Como você começou a carreira?

Comecei com 13 anos a minha primeira banda, eu tocava baixo e cantava. Tocávamos em colégios aqui no interior. Com 15, começamos a participar de alguns festivais e fazer shows mais regularmente. Passamos por muitas coisas, trocas de integrantes, mudanças de prioridades, até que a banda foi acabando. Eu gravei algumas músicas sozinho, e coloquei na internet, e teve uma repercussão bem bacana, decidi gravar o disco “solo” e começar a tocar, e foi dando certo, em 2014. Em maio do ano passado lancei o CD, em agosto rolou o Breakout e tudo mudou.

O disco "Interior", de Jéf.

O disco “Interior”.

– Quais são suas principais influências musicais?

Gosto de muitas coisas, mesmo. Acho que Beatles, Los Hermanos, Glen Hansard, entre várias e várias outras coisas.

– Você se considera um artista folk? Você acredita que o folk está em alta aqui no Brasil?

Não gosto muito de rótulos. Eu faço música com meu violão, então muita gente veio falar dessa coisa “indie folk”. Sobre o folk no Brasil, não sei.

– Fale um pouco sobre sua participação no Breakout Brasil.

Foi uma experiência muito louca. Me inscrevi meio que sem acreditar nesses concursos. Mas na época, estava procurando coisas que eu pudesse fazer para divulgar meu primeiro disco. Até que fiquei entre os finalistas e fui para o programa. Lá rolou um monte de coisa maluca e divertida (agora, por que enquanto estava lá era meio tenso, na verdade (risos)). Ficamos trancados em um hotel, sem internet, sem celular, sem poder falar com a família, só saíamos para gravar. Chegando no estúdio, ficávamos com microfone o dia inteiro, qualquer coisa que a gente falava, alguém ouvia, então era meio tenso. Era uma pressão muito grande. Mas cheguei lá pra mostrar minha música e foi o que eu fiz. Fiquei feliz com o resultado.

Jéf no Breakout Brasil

– Quais foram suas bandas preferidas no Breakout Brasil?

Fiz grandes amizades lá dentro. Mas as minhas favoritas eram o Capela e The Outs, com certeza. Grandes amigos e grandes artistas. Pessoas que merecem muito, não só por serem gente boa, mas por fazer músicas que eu gosto muito de ouvir.

– O que você acha da proliferação de realities musicais que está acontecendo?

Acho ótimo. Quanto mais espaço para música, melhor!

– Seu disco já está disponível em streaming. Qual a sua opinião sobre esses serviços? A cultura do “álbum” se perdeu? As pessoas preferem ouvir apenas os singles?

A música tem que estar em todos os lugares, tem que ser acessível. Acho ótimo, por que não dá pra ficar carregando CD por todos os lugares (risos). Acho que tem gente que ainda gosta de CD sim. Minha família, por exemplo, e eu mesmo. Gosto de colecionar. Ver o encarte, escutar na ordem certinha. Então, acho importante. Depende, a gente não pode generalizar. Alguns gostam, outros ainda gostam do álbum e de escolher suas favoritas.

– O que você acha da música que frequenta o topo das paradas brasileiras hoje em dia?

Ligo o rádio só para ouvir futebol. Ligo a TV só para assistir algum filme ou algo que eu acho interessante. Mas não tenho nada contra, procuro conhecer e ouvir o que está tocando, mas vejo que muita coisa é completamente descartável. Muitas pessoas estão consumindo cada vez mais coisas descartáveis. Não tenho preconceito, acho que música é funcional. Deve servir para qualquer tipo de pessoa, em qualquer momento. As vezes algumas pessoas não querem parar para ouvir tua música, saber o que tu quis dizer com tal coisa… não querem pensar. Pela correria do dia-a-dia, ou sei lá, tantas outras coisas, então a música tem que ter ritmo, ou coisas que não fazem tanto sentido. Enfim, meio que funcional. Não sei se fui muito claro (risos). Mas não tenho preconceito com nada.

Jéf com Lucas Silveira, do Fresno, produtor de "Interior"

Jéf com Lucas Silveira, do Fresno, produtor de “Interior”

– Como é seu processo de composição?

É meio estranho. As vezes surgem coisas do nada, e eu gravo os trechos e depois procuro finalizar e refinar. Estou sempre atento ao que vejo e escuto e tento captar isso, essa coisa do cotidiano e tentar passar coisas que eu sinto e gostaria de dizer.

– Quais serão os próximos passos do Jéf em 2015?

Trabalhar bastante. Fazer shows, lançar clipes, e tudo que for possível para continuar fazendo o que eu amo fazer.

– Indique algumas bandas e artistas independentes que fizeram a sua cabeça nos últimos tempos.

Tenho a sorte de ter amigos muito talentosos. Gosto muito do Figueiredo, tem o Tiago Rubens e vários amigos de Porto Alegre, do Autoral Social Clube. Vários amigos aqui no interior, que tem uma página chamada Valley Scene, que junta toda essa galera daqui e vale a pena conhecer.

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