Trio de Los Angeles Fragile Gang quer trazer seu shoegaze com toques de pop para o Brasil

Trio de Los Angeles Fragile Gang quer trazer seu shoegaze com toques de pop para o Brasil

19 de fevereiro de 2018 0 Por João Pedro Ramos

Formada por Aisling Cormack (guitarra e voz), Arlo Klahr (baixo e voz) e Jessica Perelman (bateria), a Fragile Gang é uma banda de Los Angeles que está na ativa desde 2003 e em cada trabalho mostra influências diferentes: dos momentos acústicos ao puro punk rock, o atual trio faz o que der na telha, desde que faça sentido para todos os membros. “Bandas são como gangues”, conta Arlo, “eles precisam uns dos outros para serem fortes”.

O mais recente trabalho do trio, “For Esme”, é um tributo a Esme Barrera, um ícone da cena musical underground de LA que trabalhava incansavelmente nos bastidores, seja em projetos como o Girls Rock Austin ou simplesmente sendo uma figura que levantava o moral dos músicos locais com seu bom humor e otimismo. O disco traz canções emocionais e doces e é um bom cartão de visitar. Agora, eles trabalham no novo disco, que será lançando em 2018. Conversei com um pouco com Arlo sobre a carreira da banda:

– Contem um pouco mais sobre seu novo álbum!

O novo disco! Estamos tocando com a Jessica (na bateria) por cerca de um ano e meio agora. Muito do novo álbum sai de uma formação sólida e ensaios todas semanas e fazer vários shows. Também tem a influência de eu tocar mais baixo (eu costumo tocar guitarra) e Aisling tocando mais a guitarra principal. Gravamos ele principalmente em novembro, no estúdio de um amigo, e estamos terminando pequenas partes agora. Tem também algumas surpresas, esperamos, com os novos instrumentos que estamos experimentando. Nós colocamos muita emoção nisso e estamos ansiosos para ver o que sai disso.

– Como surgiu o nome Fragile Gang?

“Fragile Gang” é o nome de uma música da banda escocesa The Pastels. Escute a música e eles. Nós os amamos, mas além da música em si, que é ótima e  gentil – e parte de um ótimo álbum – o nome significou algo para nós e ainda o faz.

– Quais são suas principais influências musicais?

Se eu tivesse que escolher apenas por quantidade de horas ouvidas, provavelmente os Beatles, Bob Dylan, Neil Young, Bob Marley, talvez Fela Kuti, graças aos meus pais, e coisas como Carter Family, música tradicional irlandesa, Leadbelly, Miles Davis. Ah, e Lungfish. Ouvimos eles por horas e horas por muitos anos e vimos muitos dos seus shows e eles são definitivamente uma grande influência para mim e Aisling. Falando em outras bandas, David Bowie, Velvet Underground, The Clash, The Smiths, Wire, Galaxie 500, Fugazi, Unwound, Blonde Redhead, Pastels, Replacements, Big Star, Bikini Kill/Le Tigre, Nation of Ulysses/Makeup, Otis Redding, My Bloody Valentine, Public Enemy, Metallica do começo, the Clean, soul music… Basicamente qualquer coisa e tudo, e está sempre crescendo, então sinto que essa longa lista está diluindo a força de qualquer coisa que eu tenha a dizer, então vou ficar quieto agora…

– Como descreveria seu som para alguém que nunca ouviu falar?

Este é difícil: agora as pessoas dizem algo como “pop-gaze” de nossas performances ao vivo, ou algo no espírito de Yo La Tengo… E isso poderia ser bom o suficiente, mas eu realmente nunca sei o que somos. E isso também pode ser uma coisa boa: somos uma banda que sempre está olhando, espero que continuemos sempre crescendo, mudando e sendo inspirados! Tentando ouvir nossos sentimentos, bem como olhar para o exterior para nos surpreender e inspirar.

– Me conte mais sobre o material que vocês lançaram até agora.

Nós lançamos o que eles podem chamar nos EUA de “uma bagunça total” de álbuns. Muitos, e talvez não sejam suficientemente bagunçados. Os favoritos de algumas pessoas são o nosso primeiro, “Valley of Static”, que é muito lo-fi, gravado em uma antiga fábrica de alimentos para cães e em um gravador de cassetes de 4 pistas em nosso banheiro, etc. Eles também gostam de um chamado, apropriadamente o suficiente, “Aisling & Arlo”. É tudo violão acústico e violão basicamente, e a gente cantando, tão simples e puro quanto pudemos. E então, nossos dois últimos, “For Esme” e “Twister in the Ocean”, que são mais uma banda de rock.

– O que você pensa da cena independente musical hoje em dia?

Nós amamos a cena musical independente. Pode ser tão emocionante, íntima, crua e próxima, e basicamente é o único tipo de cena que já conhecemos. Quero dizer, vamos a shows de todos os tamanhos e escutamos todos os tipos de bandas, mas os shows que fazemos e as pessoas de que estamos perto são quase todos parte das comunidades independentes e DIY.

– Você acha que o rock alcançará o mainstream novamente como antes?

É difícil saber onde o rock irá como um gênero. A música popular sempre está mudando e “hibridando”, então pode acontecer de alguma forma. Aposto que o Nirvana e essa época foram uma grande surpresa e você nunca sabe quais surpresas estão sendo preparadas nas comunidades subterrâneas neste momento.

– A era do streaming é boa ou ruim para o artista independente?

O streaming parece ser uma benção mista: nos permitiu encontrar muitas bandas e cenas e selos e até nos ajudou a fazer nossa turnê no Japão (e conhecer grandes bandas e amigos lá) e encontrar shows no Canadá para tocar. Todos podem encontrar todos. As pessoas podem ouvir nossa música no Brasil, por exemplo! Ou ao lado de nós. Isso é incrível. É uma merda que geralmente é na plataforma de outra pessoa (grandes conglomerados de tecnologia). Isso não parece tão independente. Também é verdade que os pequenos artistas ainda estão e sempre acham dificuldade se sustentar. Mas talvez haja um equilíbrio que o mundo da música vai encontrar em algum momento. Enquanto isso, ainda podemos vender nossas fitas, CDs, camisas e shows e fazê-lo dessa forma.

– Los Angeles sempre foi conhecida por ser um bom lugar musicalmente. Como está hoje em dia?

LA é um lugar emocionante para a música. Muitas bandas surgem aqui, então é bom. E pessoas de diferentes culturas e origens se inspiram. As culturas da indústria cinematográfica e da mídia às vezes permeiam as cenas menores e vice-versa. Pode ser surpreendente saber quem conhece quem e quem vai aos shows. Mas tudo isso sendo dito, alguns de nossos shows favoritos foram muito semelhantes aos que teríamos feito em El Paso, um bom grupo de bandas e pessoas em um espaço de tamanho médio a pequeno, apenas tocando música e curtindo. É mais sobre como se juntar.

– Quais são os seus próximos passos?

Queremos ir ao Brasil! Sério, mande uma mensagem para nós se você pode nos ajudar a fazer um show ou recomendar alguém para conversar ou qualquer lugar por aí para tocar! Foi assim que tocamos no Japão e foi ótimo. Além disso, queremos levar o nosso novo álbum para o maior número possível de pessoas e depois fazer outro álbum e nos surpreender. Fazer mais shows. Talvez construir um pequeno estúdio em casa?

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Alguns de nossos amigos daqui: Young Jesus, Joe Gutierrez do Steady Lean, Young Lovers, Pastel Felt, Nick Flessa, Pig Pen, Ryan Reidy, Total Heat… Alguns de nossos amigos com quem  tocamos no Japão: Boyfriend’s Dead, Yukino Chaos, Vanellope. Alguns amigos de longa data com bandas: Kid Congo and the Pink Monkey Birds, Knife in the Water, the Crack Pipes, Hairy Sands. Também curtimos novas bandas como Jo Passed, RL Kelly, Ian Sweet. E bandas com quem fizemos turnê: Clarke and the Himselfs, Little Star, Didi e muitas, muitas outras!

https://open.spotify.com/album/6lUAVStM1MCihZnYWVzPHH