The Weatherman traz influências de rock inglês em seu quarto disco, “Eyeglasses for the Masses”

The Weatherman traz influências de rock inglês em seu quarto disco, “Eyeglasses for the Masses”

23 de maio de 2016 0 Por João Pedro Ramos

No último mês, o nome The Weatherman apareceu nas notícias graças à um show para um público distinto e acrobático: os macacos do zoológico de Maia, que ganharam uma apresentação da canção de denúncia dos erros da humanidade “Calling All Monkeys” composta pela cabeça responsável pelo projeto, Alexandre Mourinho. A música faz parte de “Eyeglasses for the Masses”, recém-lançado quarto disco do músico português do Porto.

Citando como influências em sua página músicos tão díspares como Mozart, Elvis e Ramones, The Weatherman é um projeto solo de Alexandre, que conta com músicos de apoio em suas gravações e apresentações ao vivo. Seus três lançamentos anteriores (“Cruisin’ Alaska”, “Jamboree Park at the Milky Way” e “WEATHERMAN”) já mostravam o poder de sua criatividade, passeando por diversos estilos sem perder a personalidade, algo que só se pronunciou mais em seu quarto trabalho.

Conversei com Alexandre sobre The Weatherman, suas influências, músicas em português e a cena musical em Portugal:

– Como começou a banda?

Na verdade é um projecto solo, não uma banda. Começou quando em 2006, quando foi editado o primeiro disco, “Cruisin’ Alaska”. Esse disco foi totalmente gravado e tocado por mim, e desde então tenho tido colaborações de outros músicos, quer em disco quer ao vivo.

– De onde surgiu o nome The Weatherman?

Eu estava a ler por acaso sobre o movimento Weather Underground, que existiu durante os anos 60, e lembrei-me que The Weatherman seria um bom nome para o meu projecto… achei que encaixava bem e identificava-me com ele.

– Quais são as principais influências do projeto?

Particularmente discos que saíram entre a segunda metade da década de 60 e a primeira de 70, com primazia para coisas vindas de Inglaterra. Já agora, os Mutantes são uma das influências. Que grande banda e que grande inspiração!

– Me falem um pouco mais sobre o disco “Eyeglasses For The Masses”.

É um disco de canções pop, sempre com as melodias como prato principal. Fala sobre a minha desilusão/ esperança em relação às pessoas, principalmente no que toca a maltratarmos o planeta, e a nós mesmos.

The Weatherman

– Como o som de vocês evoluiu do álbum anterior, “Weatherman”, de 2013?

Este disco para mim é o que melhor define o som” Weatherman”. Uma mistura entre clássico e moderno, que quanto a mim resulta em algo intemporal.

– O rock feito em português está em baixa? Porque tantas bandas cantam usando a língua inglesa?

Penso que isso terá a ver com o facto de sermos um país periférico, susceptível de receber as culturas exteriores de uma forma muito aberta. Portugal por tradição nunca foi um país de proteger a sua própria cultura, infelizmente. Mas há boa música cantada em português, como também o há cantada em inglês. O importante, pelo menos do meu ponto de vista, é que a música seja boa, independente da língua em que é cantada.

– Como está a cena musical independente de Portugal hoje em dia?

Criativamente, a música feita em Portugal encontra-se numa fase extremamente produtiva e prolífera, com imensas coisas novas a aparecer todos os dias. É difícil vingar na música em Portugal, ainda por cima sendo independente. Mas sendo persistente as coisas normalmente acabam por acontecer.

Qual a opinião de vocês sobre os serviços de streaming? Eles são benéficos para bandas independentes?

Eu pessoalmente conseguiria viver bem sem o streaming. Penso que não faz justiça aos discos e às bandas. Mas admito que talvez sejam benéficos para bandas independentes, no sentido em que torna-se mais acessível para as pessoas conhecerem o nosso trabalho.

The Weatherman

– Quais os próximos passos do The Weatherman em 2016?

Continuar a apresentar este disco, a promovê-lo em todo o lado que seja possível, e dar concertos.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Soko, Of Montreal, Temples.