The Vanjas, de Estocolmo, mostram que o rock’n’roll continua nascendo na Suécia

The Vanjas, de Estocolmo, mostram que o rock’n’roll continua nascendo na Suécia

13 de julho de 2015 1 Por João Pedro Ramos

The Vanjas

Os suecos do The Vanjas têm uma pretensão: criar novas pegadas no mundo do rock and roll e ser ainda maiores que seus conterrâneos do The Hives e Hellacopters. Soa pedante? Talvez seja. E talvez o rock precise de um pouco de pedantismo pra funcionar, quem sabe. Se eles conseguirão ou não, só o tempo dirá, mas o que podemos afirmar é que o som do quarteto é bem bacana. O que será que a Suécia tem para gerar tantas bandas incríveis?

Formado por Vanja Lo nos vocais, Bon-Ton no baixo, Mr Magnatone na guitarra e Swingin’ Zack na bateria, a banda está em turnê divulgando seu primeiro disco, “The Vanjas Sings And Plays Rock’n’Roll” e sonham em conhecer o Brasil assim que possível.

Conversei com a líder do grupo, Vanja Lo, sobre a carreira da banda, o rock sueco e as dificuldades de ser uma banda independente nos dias de hoje:

– Como a banda começou?
Começamos quase um década atrás, muito jovens, muito ansioso para fazer rock. Nós só sabíamos que íamos ser estrelas do rock’n’roll, que estava em nosso sangue. Nós não conhecíamos muito bem, mas só olhando um para o outro sabíamos que isso ia acabar bem. Nós nos sentamos em algum bar e decidimos que iríamos começar uma banda baseada em ritmos simples, boa aparência e energia selvagem. “Vamos fazer as pessoas dançarem”, dissemos. E isso que fizemos. Ao vivo fazemos as pessoas ficarem realmente de queixo caído, tem sido desde o primeiro dia. Só que agora nós estamos ainda mais poderosos.

– Como surgiu o nome The Vanjas?
Já que eu sou a vocalista e a frotwoman da banda, decidimos que a banda chamaria The Vanjas. É meu nome, é minha banda.

The Vanjas

– Quais são suas maiores influências musicais?
Muitas, é claro. A minha última paixão musical foi um americano chamado Hunx. Hunx and his Punks. Eu sempre me apaixono por bandas realmente porrada… Sonho com elas à noite e tudo mais. Aí canso um pouco deles de repente e não consigo ouvir suas música por um tempo. Mas algumas bandas estão sempre conosco: Muito do punk, se você me perguntar. Os Ramones, Blondie, Patti Smith (chegamos a abrir um show para ela na Suécia), Cramps. Mas também um monte de coisas antigas como Lonnie Mack, The Sonics, Laverne Baker, Etta James, Ronettes, Ike e Tina Turner, Hasil Adkins. Na Suécia nós estamos felizes de ver algumas novas bandas muito legais de rock’n’roll como Spiders, por exemplo.

– Me conte um pouco sobre o que vocês já lançaram.
Nosso primeiro lançamento foi um EP, chamado “4 Raw Cuts”. Era uma pequena edição, só é capaz de chegar em suas mãos se você fosse a um dos nossos shows. Nós lançamos nosso álbum de estréia ano passado, chamado “Sings And Plays Rock’n’Roll”. Foi um grande sucesso entre os críticos e ficamos felizes de vê-lo tão bem recebido. Logo encantaremos todos novamente com algumas novas canções de sucesso.

– Como é seu processo criativo?
Na maioria das vezes é assim: eu e o baixista, Bon Ton, sentamos e ouvimos algumas de suas melodias. Ele registra um monte em seu celular. Em seguida, decidimos sobre o que a música será. Às vezes ele me dá algumas palavras, como em uma gravação de nova canção que estamos fazendo agora chamada “No Tomorrow Boy”. Bon Ton me disse aquelas três palavras e, em seguida, o resto veio a mim. Eu tenho um monte de imagens na minha cabeça ao escrever uma nova canção. Quanto mais claras as imagens são, melhor a música será. Na minha cabeça é como um filme, e a canção é uma trilha sonora.

The Vanjas

– Como você descreveria o som do The Vanjas?
Rock’n’roll cru, energético e bruto com um monte de conexão para suas raízes – do antigo rhythm’n’blues até o pop dos 60’s e o punk. Uma expressão apaixonada e poderosa. Estamos tentando encarnar a alma do rock’n’roll, só temos isso dentro de nós.

– Quais são os maiores desafios de ser uma banda independente hoje em dia?
Ficar amigos. Não, falando sério, é um trabalho duro. Você tem que estar realmente dedicado a fazer as coisas acontecerem. Você não pode apenas sentar sua bunda gorda e esperar. Você tem que trabalhar, trabalhar, trabalhar. Tocar, tocar tocar. Tem que ficar melhor e melhor. É como uma máquina. E você é uma parte dessa máquina, mantenha-se em forma, não quebre: trabalhe.

– O que você acha da música pop atual?
Eu não sei muito sobre música pop hoje em dia. Às vezes ouço alguma música da Rihanna e eu realmente gosto dela, mas na verdade eu acho que um monte de coisas que eu ouço no rádio apenas soa igual… Nota: Esta não é a minha avó falando, embora isso soe como ela. Mas eu acho que há uma coisa muito boa acontecendo que não toca nas rádios. Como uma banda chamada The Viagra Boys (eles estão no Facebook, confira na página Viagra Boys) aqui em Estocolmo. Eu ouvi uma música ontem e hoje eu acho que quero ir ver o show deles.

The Vanjas

– Quais são os próximos passos do The Vanjas?
Estamos gravando canções novas no momento. E haverá um novo clipe e coisas assim. Uma das canções será um enorme sucesso. É muito romântica, triste e dramática em uma espécie de som meio “girlgroupy”.

– Nos fale algumas bandas que chamaram sua atenção ultimamente.
Bem …. A banda sueca Moon City Boys (apesar de a banda não ter nenhum menino na formação). Eles são bons. Eu não sei se eles são novos, mas tem uma banda americana chamada Natural Child que chamou minha atenção outro dia. Five Finger Discount é a melhor, da mais profunda floresta do sul da Suécia. Nós gostamos muito da banda brasileira Autoramas, eles são novos para nós, embora eles já estejam agitando por algum tempo…

– Podemos esperar uma visita de vocês no Brasil em breve?
Meu Deus, com certeza espero que sim! Em meus sonhos já estou aí. Diga a todos sobre nós e diga-nos quem contatar no Brasil e estaremos aí mais cedo do que você imagina. Ansiamos pela América do Sul e gostaria de seguir os passos dos nossos maiores “irmãos” de bandas como Hives ou Hellacopters. Na verdade, pretendemos ir ainda mais longe do que isso e fazer próprios passos em todo o mundo. Estou falando realmente grandes passos, maior do que qualquer um já fez. Cara, eu quero tanto ir para o Brasil…