The Total Bettys lutam contra machismo no mundo da música: “As mulheres precisam se apoiar!”

The Total Bettys lutam contra machismo no mundo da música: “As mulheres precisam se apoiar!”

18 de maio de 2016 0 Por João Pedro Ramos

O punk não morreu, e para o quarteto de São Francisco The Total Bettys, o pop punk também não. “Nos identificarmos como band pop punk pode não ser “cool” como já foi, mas ainda existe um milhão de bandas pop punk por aí”, explica a vocalista e guitarrista do quarteto de São Francisco, Maggie Grabmeier. “Enquanto continuarmos fazendo música, manteremos o gênero vivo”. Também formada Bri Barrett (guitarra), Anthony Adani (baixo) e Chris Nolasco (bateria), a banda lançou o EP “Connect With The Couch” recentemente e está na estrada tocando pelos Estados Unidos e preparando-se para a gravação de seu primeiro álbum ainda este ano.

A líder da banda é firme quando o assunto é machismo no mundo da música e toda a dificuldade que mulheres infelizmente ainda enfrentam quando fazem parte de uma banda. “É difícil subir no palco sabendo que é possível que alguém grite comentários sobre seu corpo ou ver que não há nenhuma mulher na formação de bandas que tocam por aí”, diz. “A melhor arma contra o machismo no mundo da música é que as mulheres se apoiem e deem força ao sucesso umas das outras”.

Conversei com Maggie sobre este assunto, a carreira da banda, a conexão com o pop punk e o EP “Connect With The Couch”:

Bandcamp: https://thetotalbettys.bandcamp.com/
Facebook: https://www.facebook.com/thetotalbettys
Twitter: https://twitter.com/thetotalbettys

– Como a banda começou?

Eu me mudei para São Francisco depois de me formar na faculdade na Filadélfia, e estava muito motivada desde o começo em formar uma banda pop punk. Existe uma abundância de bandas punk incríveis em São Francisco, e eu estava morrendo de vontade de me inserir na cena. Primeiro eu conheci a guitarrista do The Total Bettys, Bri, por um anúncio no Craigslist que ela postou sobre querer fazer música com outras mulheres que amassem Sleater-Kinney e Ex Hex. Eu basicamente a amei imediatamente. Nós também conhecemos Anthony, nosso baixista, no Craigslist. Conhecemos nosso baterista Chris em uma noite de open mic onde ele tocou um medley de músicas do desenho Mulan.

– Quais as principais influências da banda?

Apesar de nós todos termos crescido ouvindo aquele pop punk icônico do começo dos anos 2000, pegamos muito de nosso energia de composição de músicos contemporâneos que estão fazendo barulho na cena atual. Eu especialmente acho que mulheres músicas me inspiram e me motivam. Bandas como Bully, Best Coast, Tacocat, Charly Bliss, Tancred… Eu amo todas.

– Como surgiu o nome The Total Bettys?

É uma frase do filme “As Patricinhas de Beverly Hills” (“Clueless”)! É um dos meus filmes preferidos, é super engraçado e eu me identifico muito com a personagem principal, Cher (além de amar seu estilo). A frase “total betty” significa uma mulher maravilhosa, e acho que nós quatro realmente simbolizamos isso.

– Me contem mais sobre o disco “Connect With The Couch”. De onde surgiu este nome?

“Connect with the couch” (“se conectar com o sofá”) é parte da letra de nosso primeiro single, “No Kings”. A música é toda sobre o conforto de ter um melhor amigo e todas as coisas gratificantes que melhores amigos compartilham. “Se conectar com o sofá” é uma das muitas coisas que faço com meus melhores amigos. Outras coisas (como é explicado na música) incluem ir à mercado de pulgas, ir à praia e tomar café da manhã, apenas para citar algumas.

– E como foi o processo de gravação do EP?

Bri e eu gravamos e produzimos esse EP juntas no apartamento dela. Honestamente, foi um trabalho duro, mas foi um dos sentimentos mais gratificantes quando ficou pronto. A Hand and a Half Records de Matt, amigo do meu irmão, nos ajudou na mixagem, e nós lançamos por conta própria. Bri e eu funcionamos muito bem juntas e ter o ouvido de produtora dela realmente ajudou o EP a ser o que é.

– Vocês se consideram uma banda pop punk, gênero que já foi considerado decadente (ou até morto). O que acham dessas afirmações?

Bom, nos identificarmos como band pop punk pode não ser “cool” como já foi, mas ainda existe um milhão de bandas pop punk por aí. Enquanto continuarmos fazendo música, manteremos o gênero vivo. Eu sou uma amante orgulhosa de pop punk, e não só porque me lembra de minha juventude rebelde; Eu me identifico com o estilo e o sinto em meu coração.

The Total Bettys

– Qual a opinião de vocês sobre o machismo na indústria musical? Vocês já sofreram com isso, sendo uma banda com integrantes mulheres?

Sim, o machismo ainda existe na indústria musical. Não apenas acho difícil para mulheres para se inserirem na cena e conseguirem sucesso (acredite em mim, ainda estou tentando), é difícil para mulheres subirem no palco sabendo que é possível que alguém vá gritar um comentário sobre seu corpo. É difícil comprar na Guitar Center quando os funcionários acham que ela não sabem de nada. É difícil fazer uma passagem de som quando o técnico de som dá em cima dela. É difícil olhar no calendários das casas de show locais e ver que frequentemente não tem nenhuma mulher na formação de nenhuma das bandas que se apresentarão. Infelizmente, a lista continua. Se tem alguma mulher e música lendo isso que queira falar sobre seus sentimentos ou experiências com machismo, por favor, entre em contato. A melhor arma contra o machismo no mundo da música é que as mulheres se apóiem e deem força ao sucesso umas das outras.

– Como é o processo de composição da banda?

Nós não seguimos sempre o mesmo processo especificamente! Normalmente, uma nova música começa com uma ideia de letra ou melodia vocal, mas Bri e eu estivemos trabalhando em começar música de riffs de guitarra ou progressões de acordes fora do comum. Cada membro da banda escreve sua parte da música, e editamos juntos. É um processo muito cheio de amor.

– Quais os próximos passos de The Total Bettys em 2016?

Tanta coisa! Estamos abrindo para os queridos do pop punk The Dollyrots em sua tour por São Francisco dia 3 de junho, e temos datas reservadas em julho para nosso próximo álbum, aí em agosto vamos fazer uma tour pelo sul da california, incluindo um show no Ladyfest em San Luis Obispo em 6 de agosto. Lançaremos nosso próximo disco antes do fim do ano, então fiquem de olho nisso!

– Recomendem bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Agora estamos ouvindo muito de nossos novos amigos Jay Som, Horrible/Adorable e All Dogs!