The Sorry Shop lança “Softspoken”, um barulhento caminho de distorções, reverbs e delays

The Sorry Shop lança “Softspoken”, um barulhento caminho de distorções, reverbs e delays

20 de setembro de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Misturando a estética dream pop com elementos do shoegaze, “Softspoken” é o terceiro disco da banda gaúcha The Sorry Shop. “O leve paquiderme desfocado da capa, assinada pela talentosa Meire Todão, sumariza a ideia principal do disco: mesmo com todo peso do mundo é possível flutuar. Com letras sempre introspectivas e com algo de melancólico na estética do som, a banda cria um disco de paisagens amenas e despretensiosas, convidando o ouvinte ao imaginativo labirinto de distorções, reverbs e delays”, conta o release do lançamento.

O álbum, lançado pela Lovely Noise Records e pela Crooked Tree Records é um prato cheio para quem gosta de Yuck, Ringo Deathstarr, My Bloody Valentine e Slowdive. A banda é formada por Régis Garcia (guitarra e vocal), Marcos Alaniz (vocal e teclados), Mônica Reguffe (baixo e vocal), Kelvin Tomaz (guitarra e vocal) e Eduardo Custódio (bateria) e nasceu em 2011, no Rio Grande do Sul, lançando seu primeiro single, “Not The One”, no mesmo ano. Em 2012 lançaram seu primeiro disco, “Bloody Fuzzy Cozy”, que recebeu ótimas críticas, e em 2013 o segundo trabalho, “Mnemonic Syncretism”. “Softspoken” é a volta do grupo após um hiato de quatro anos sem novas músicas. “É um disco bem mais suave e cheio de arranjinhos mais discretos, mas sem esquecer das guitarras barulhentas e as microfonias. Antes do disco saiu o clipe pra ‘Queen Of The North’ e já estamos planejando uma pequena turnê e mais vídeos”, contou Marcos.

– Como a banda começou?

A banda começou em 2011, dentro do quarto, de maneira despretensiosa, botando umas ideias pra fora e aproveitando o desejo de fazer coisas bonitas. A ideia era aproveitar as influências do que a gente escutava na juventude, botar tudo num saco, e ver no que dava. Acabamos encontrando uns balizadores, como o Yuck, que tava lançando disco naquele ano, e, então resolvemos que dava pra fazer algo bem legal naquela mesma onda. No início era mais sujão mesmo, mais lo-fi do que qualquer coisa, mas a gente foi investindo num caminho mais voltado pro Shoegaze e Dream Pop e dando uns contornos diferentes para as ideias e pros arranjos.

– De onde surgiu o nome da banda?

Sabe quando a gente faz cagada e não sabe bem o que dizer e deseja que tenha uma maneira fácil de falar isso? Então, é algo assim. É sobre esse desejo de poder comprar, adquirir de maneira simples, uma desculpa. É uma metáfora sobre a banalidade com que a gente pede desculpas hoje em dia, sem se comprometer.

– Quais são as suas principais influências musicais?

Isso vai longe. Como cada um de nós tem experiências musicais bem variadas, a gente acaba escutando do pop aos barulhos. Cada membro da banda tem algumas influências diferentes, mas acho que todos concordamos com os padrões do shoegaze como My Bloody Valentine, Slowdive e Ride e vamos descobrindo bandas mais novas, como Ringo Deathstarr, Yuck, A Place To Bury Strangers e afins e apresentando uns aos outros. Essa coisa da influência é legal, especialmente pela plasticidade, pela possibilidade de ser influenciado o tempo todo por coisas novas, e não só aquilo que tá no âmago do nosso desenvolvimento musical.

– Me falem um pouco sobre o material que já lançaram até o momento.

Lá em 2011 lançamos um EP, o “Thank You Come Again”, que tem 5 músicas, das quais 4 saíram no nosso primeiro disco completo, “Bloody, Fuzzy Cozy”, que saiu em 2012 e foi o nosso grande primeiro movimento pra assumir ser uma banda que flerta com o dream pop e o shoegaze. O disco é bem longo e não é tão homogêneo quanto a gente gostaria. Saímos em turnê com esse disco, e fizemos 2 videoclipes oficiais. O segundo disco completo, “Mnemonic Syncretism”, de 2013, que foi um disco mais coeso na nossa opinião, veio com 1 videoclipe oficial e uma turnê de divulgação que rodou bastante o estado do Rio Grande do Sul. Agora estamos com o “Softspoken” (2017), um disco bem mais suave e cheio de arranjinhos mais discretos, mas sem esquecer das guitarras barulhentas e as microfonias. Antes do disco saiu o clipe pra “Queen Of The North” e já estamos planejando uma pequena turnê e mais vídeos.

The Sorry Shop

– Como vocês definiriam o som da banda?

A gente gosta de pensar em um labirinto de reverb e delay, onde se perder é a regra, bem mais do que achar a saída. A ideia é sempre deixar a escuta flutuante, livre pra pegar aquilo que chamar a atenção no meio de uma massa, uma parede sonora sussurrando no ouvido. Se prestar muita atenção, se for muito focado, se for procurar os detalhes, perde a graça.

– Como é o processo de composição da banda?

Basicamente as músicas saem da cabeça do Régis, que grava todos os instrumentos. Algum extra é adicionado na pós-produção. Nessa fase não tem bem um processo, é tudo muito caótico. Tem vezes que as guitarras são simplesmente açoitadas em uma sala fechada por horas até sair um ou outro ruído ou riff que agrade. É tudo uma grande experimentação de texturas e dinâmicas. Depois nos juntamos para trabalhar as letras, e as melodias de vocal. Então gravamos algo que represente o que sentimos naquele momento, sempre tentando capturar uma atmosfera mais delicada.

– Como a cena independente pode crescer? Ela já está expandida ou precisa de mais força?

Esses dias a gente leu uma discussão sobre isso e também ficou com uma bela pulga atrás da orelha. Não é que a gente não queira se comprometer, mas é que é bem difícil responder isso sem muita subjetividade. A claro que, por um lado, a gente pensa que a cena pode crescer. Mais que isso: a gente deseja que ela cresça e possa acolher toda a ótima produção que tem por aí. Há algo consolidado, há grandes expectativas, mas sempre falta algo que vai além do desejo do artista. Se a gente fala de cena não apenas como a produção do artista, talvez seja mais simples, mas quando envolve todo resto, como, por exemplo, público, lugares, selos e por aí vai, pode ser que falte entender melhor o que estamos fazendo e pra onde vamos. Um lance cruel, por exemplo, é a questão da logística e da movimentação pra circular. Isso, sem dúvida, reduz muito as possibilidades de ter uma cena mais distribuída e menos organizada em pequenos nichos. Honestamente, a gente é bem perdido nessa grande confusão.

– Quais os próximos passos da banda?

Com o disco lançado, começaremos a tirar as músicas (até pouco tempo atrás só o Régis tinha ouvido tudo) e, então, a ensaiar. Hoje, como quinteto (antes era um sexteto, mas o Rafa deu um tempo pra cuidar de outros projetos e fizemos uns rearranjos no qual a Mônica passa a tocar baixo e o Régis sai do baixo e vai pra guitarra, que é algo bem lógico), cabemos todos em um carro. Gostamos da estrada e dos shows. Se tudo der certo, faremos uma pequena turnê e continuaremos trabalhando em estúdio pra não demorar quatro anos pra gravar outro disco de novo!

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

A gente curte demais a produção brasileira e é bem justo destacar o baita trabalho que bandas como The Us, Céus de Abril, Lautmusik, Herod, This Lonely Crowd, Josephines, Justine Never Knew the Rules, Oxy, Loomer e assim por diante. São bandas de gente que faz um trabalho fantástico por aqui e merecem ser reconhecidas mundo afora pela qualidade.