The Red Fuze: duo de garage rock da Suécia mantém a fama de “lar do bom rock alternativo” do país

The Red Fuze: duo de garage rock da Suécia mantém a fama de “lar do bom rock alternativo” do país

26 de janeiro de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Quando você quiser procurar por boas bandas de rock, não pense duas vezes antes de buscar lá pelos lados da Suécia. Alguma coisa na região faz com que o rock sobreviva por lá (talvez o frio o tenha mantido vivo criogenicamente, quem sabe) e produza bandas incríveis do naipe de Hellacopters, The Hives, Mando Diao, Ghost, Shout Out Louds, Sahara Hotnights, The Chuck Norris Experiment e, finalmente, o duo que descobri fuçando no Soundcloud: The Red Fuze.

Randy Wild (vocal) e Raimond Raio Geezer (guitarra) investem em um garage-rock-blues cheio de energia, vocais berrados e riffs ganchudos e grudentos. Uma peculiaridade: a dupla só foi se conhecer ao vivo após o lançamento de seu primeiro EP, tendo conversado por mensagens e e-mails até então. Coisas da modernidade. Até o momento, a banda lançou dois EPs: “The Red Fuze” (2014) e “Bazooka Circus” (2015). Para 2016, eles prometem o terceiro, com muito mais do que já foi entregue e novas influências em seu som.

Conversei com a dupla sobre sua carreira, a popularidade do formato duo e a mágica roqueira que só a Suécia tem:

– Vocês são um duo. Porque esse formato é tão popular hoje em dia?
Talvez seja porque assim você tem a possibilidade de estreitar as influências e fazer mais o que você como indivíduo quer. Simplesmente se torna mais flexível escrever e tomar decisões em uma banda com duas pessoas.

– Muitas grandes bandas de rock aparecem na Suécia. O país tem algo diferente que faz com que bandas incríveis acabem surgindo aí?
Sim, nos últimos anos a Suécia tem sido uma grande exportadora de música em diferentes gêneros. Nós acreditamos que é porque nós somos bons em misturar a melancolia sueca que temos por causa dos invernos frios e longos com a música que crescemos ouvindo e nos influenciando. Isso faz com que criemos músicas diretas e honestas com as quais as pessoas possam se relacionar.

– Como a banda começou?
Nos conhecemos através de uma página tipo bandfinder e começamos a nos falar por telefone, mensagens de texto e e-mails. Sem Facebook ou Instagram ou qualquer dessas merdas sugadoras de almas. Por isso, nunca soubemos a cara um dos outro até depois de termos lançado o nosso EP de estreia “The Red Fuze”. Tivemos uma sessão de fotos e gravamos um clipe em Estocolmo e foi a primeira vez em que nos encontramos e vimos um ao outro. Uma maneira diferente e interessante para começar uma banda 😉

– E de onde surgiu o nome The Red Fuze?
Sempre tivemos uma imagem muito clara de que tipo de nome de banda que queríamos. Um grande e bonita dinamite de energia foi a nossa principal referência.

– Me contem mais sobre “Bazooka Circus”.
“Bazooka Circus” é a faixa-título do nosso mais recente EP, que foi lançado ano passado (2015). Você também pode vê-lo como uma história sobre dois caras em um conversível viajando por uma estrada, atravessando de cidade a cidade conhecendo novas pessoas. Trata-se de algo livre, algo perigoso. Muito da inspiração veio do filme “Medo e Delírio em Las Vegas”.

The Red Fuze

The Red Fuze

– Como o som nesse disco difere de seus trabalhos anteriores?
Bem, nós sempre tentar manter a linha vermelha que é o Red Fuze com aqueles velhos tons de fuzz distorcidos de garage rock. Mas também queremos ser livres criativamente e queremos continuar a abrir novos caminhos e descobrir novos tipos de som que podemos usar.

– Se vocês pudessem trabalhar com qualquer pessoa do mundo da música, quem seria?
Se sonharmos alto, seria incrível trabalhar com bandas e artistas que nos inspiram como The Black Keys, Jack White, Graveyard, Rival Sons e etc. Mas também estamos abertos a trabalhar com todo mundo que goste de nossa música e puder ajudar a espalhar o som para as pessoas.

– Explique para quem ainda não conhece como é um típico show do The Red Fuze.
É como um nervo aberto quando The Red Fuze se apresenta ao vivo. Os vocais energéticos de Randy Wild e a guitarra fuzz-tone de Raimond Raio Geezer junto com os órgãos e batidas pesadas levam as músicas para outro nível durante os shows. Você tem que experimentar para entender o que estamos querendo dizer 😉

The Red Fuze

– Quais são os próximos passos do Red Fuze em 2016?
Nós vamos continuar a escrever boas músicas e terminar o nosso terceiro EP que está em produção, como falamos. Então, nós também vamos tentar fazer alguns shows ao vivo, fomos convidados para tocar em Nova York, então talvez iremos para lá este ano.

Recomendem bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção ultimamente.
Temos ficado tão ocupados trabalhando em nossa própria música ultimamente que não tivemos o tempo para descobrir novas músicas… Há tantos bons artistas e músicos por aí, por isso é fácil de se perder, mas aqui estão algumas outras bandas que nos inspiram: Black Pistol Fire, The Graveltones, Deap Vally, The Dirtbombs.