Sheila Cretina destila seu veneno rocker enquanto prepara seu segundo disco

Sheila Cretina destila seu veneno rocker enquanto prepara seu segundo disco

26 de abril de 2017 0 Por João Pedro Ramos

A banda Sheila Cretina está desde 2008 na ativa misturando todo tipo de rock que possa vir a influenciar Gustavo McNair (voz e guitarra), Rodrigo Ramos (guitarra e voz), Jairo Fajersztajn (baixo e voz) e Caio Casemiro da Rocha (bateria). “Todo mundo cresceu ouvindo rock. Gustavo tá numa onda mais setentista. Caio é frito em jazz além do rock. Rodrigo é produtor de trilhas. Eu venho do punk rock, mas gosto de tudo”, explica Jairo. “Tudo que a gente ouve e gosta vira influência, então muita coisa”.

A banda lançou em 2011 seu primeiro álbum, “Vol I”, gravado no Red Mob Studio por Gianni Dias e Piettro Torchio entre 2009 e 2010 com masterização por Michael Fossenkemper, no Turtle Tone Studios, em Nova Iorque. As 7 faixas do disco mostram um pouco da mistureba rocker que a banda representa, com letras em português e a quantidade ideal de barulho para ser ouvida no último volume. Para este ano eles estão preparando o segundo trabalho, gravado no Estúdio Aurora, que deve ser lançado ainda no primeiro semestre.

Conversei com Jairo sobre a carreira da banda, o primeiro disco, a cena independente e a dicotomia da música nos tempos de internet e streaming:

– Como começou a banda?

A banda começou, se não em engano, em 2008… Estávamos na faculdade. Eu tocava com Caio (batera) desde criança e estávamos sem banda, conheci o Gustavo na facu e resolvemos montar uma, chamamos o Caio que já estava afim de tocar e começamos assim. Rodrigo entrou dois ensaios depois na segunda guitarra e assim estamos até hoje.

– De onde surgiu o nome Sheila Cretina?

O nome surgiu a partir na necessidade de uma banda ter um nome (risos). A gente precisava de um nome e Sheila Cretina veio naturalmente como se soasse como a sonoridade que fazemos.

– E o que significa?

Não tem significado. Sheila Cretina é uma banda desesperada de São Paulo, que grita em português o rock que quer ouvir.

– Quais as principais influências da banda?

Cada um tem sua linha de som, influência e inspiração A gente não se prende a rótulos ou estilos. Todo mundo gosta de rock, todo mundo cresceu ouvindo rock. Gustavo tá numa onda mais setentista. Caio é frito em jazz além do rock. Rodrigo é produtor de trilhas. Eu venho do punk rock, mas gosto de tudo. No nosso som você vai encontrar influências de Ramones, Mudhoney, Sonic Youth, Black Flag, Dead Kennedys, Nick Cave, Stooges, MC5, Led, Nirvana, Sabbath, Jards Macalé, Cólera, Humble Pie… Tudo que a gente ouve e gosta vira influência, então muita coisa.

Sheila Cretina

– Me fala um pouco mais sobre o que vocês já lançaram.

Lançar é uma novela nessa banda (risos). Temos um álbum lançado chamado “Vol. I”. Foi lançado em 2011, se não me engano. Lançamos um clipe oficial desse álbum, e um clipe ao vivo. Fizemos bastante shows por aí, divulgamos bastante esse álbum, que está quase esgotado, e agora finalmente depois de muito trabalho estamos perto de lançar o segundo álbum.

– E como é o “Vol I”? Como foi a gravação dele e o que temos no disco?

O “Vol. I” a gente gravou no extinto Estudio RedMob. Foi uma experiência bem bacana. Gianni Dias ficou a cargo da gravação, e como é nosso amigo, foi tudo muito engraçado e tranquilo de fazer. No disco tem apenas músicas autorais, todas as letras do Gustavo, cada uma de um estilo de rock sem muito rótulo. Cada música a sua maneira. Ele é bem urgente, enérgico, juvenil, excitante, explosivo, sujo… Eu acho que é rock do bom (risos). Ah! super chique, foi masterizado em NYC nos Esteites.

– E como está sendo essa preparação pro segundo disco? O que podemos esperar?

Está sendo uma grande novela, mas finalmente conseguimos entrar no eixos. Fechamos com o Estúdio Aurora e estamos sendo produzidos pelo Billy Comodoro, um cara que conseguiu nos dar um norte dentro do estúdio, clarear nossas ideias e facilitar os arranjos das músicas. Podemos esperar coisa boa, pra quem gosta, claro. Rock autêntico, sujo, com atitude e aquela pitada de barulho de sempre.

– Já tem previsão para lançamento?

Olha, previsão exata assim não tem. Mas tenho muita fé que vai sair ainda esse semestre.

– Como você vê a cena independente do rock hoje em dia?

Cara, isso é uma coisa muito complicada. A gente sempre ouve que “no meu tempo era melhor”. e eu acho que realmente era. Vejo muita gente falando que a cena é desunida, só tem vaidade. E eu até concordo. Mas eu to cheio de camarada que faz a cena acontecer, ta cheio de gente querendo se unir, dando o sangue pela cena. Seja no hardcore, no punk rock, no hard rock, no ska, no instrumental, surf music. Acho que o que fodeu com a cena foi a internet e a forma de consumir musica. Banalizaram a musica, por isso acredito não termos mais espaços que tínhamos antes. A cena independente sempre vai existir. Acho que temos uma herança dos anos 90 onde o mainstream comprou o underground. Você tinha programas na TV aberta durante a tarde em dias de semana ou domingos, com bandas autorais ao vivo. Hoje isso já diminuiu bastante… Mas como disse, o underground sempre existe, cheio de banda fazendo corre ha milianos, tipo Cólera, RDP, Dead Fish, Dance of Days, o próprio Autoramas, Hurtmold… E tem muita coisa nova boa com gente que corre atrás, tipo Não Há Mais Volta, Der Baum, Horace Green, Emicaeli, Chalk Outlines, Poltergat, Rakta, Fingerfingerrr, entre TANTAS outras… Acho que estamos num momento diferente, mas que sempre devemos nos unir e nos ajudar. Nunca separar, segregar.

Sheila Cretina

– Mas a internet ao mesmo tempo criou uma facilidade para as bandas independentes divulgarem seu trabalho… Ou não?

Facilidade pra divulgar sim… Mas com a facilidade em baixar músicas, ouvir no Youtube, a música virou algo descartável. Uma capa não é algo mais totalmente importante. Guardar o CD nao é mais importante, é só baixar. E nunca mais ouve. Quando eu era moleque, o cara mais legal do rolê era aquele que tinha fitinha demo da banda que ninguém conhecia, essa banda ia tocar 4 bandas antes do Dead Fish e neguinho sabia cantar a música. Hoje não existe mais demo quase. Hoje não existe mais muito público pra ver banda de abertura em show underground. Assim como a cena é ruim, mas é boa. A internet faz bem, mas fez mal… Faca de dois gumes.

– Quais os próximos passos da banda?

Difícil prever, mas queremos trabalhar esse disco novo, fazer algum material legal com ele e já partir para novas composições e produções.

– Pra finalizar: recomende bandas e artistas (de preferência independentes) que chamara sua atenção nos últimos tempos!

Tem MUITA coisa boa por aí. Já citei alguns em outra resposta nessa entrevista: Emicaeli, FingerFingerrr, Futuro, BloodMary Una Chica Band, Gogo Boy From Alabama, Repeat Repeat, Otoboke Beaver, Chalk Outlines, Der Baum, Câimbra, Faca Preta, disco solo do Saico, Combover, Rakta, Comodoro, Lloyd, O Inimigo, Twist Connection, Winteryard e tem a Desiree do Harmônicos do Universo, ela também faz participações em outros shows. Mas meu preferido hoje é a carreira solo do Lee Ranaldo e Human Trash. Muita coisa mesmo!

– Aliás, deixa eu estender a pergunta: já que você tem viajado bastante, tem algumas do exterior que você recomenda?

Les Deuxluxes (Canadá), Otoboke Beaver (Japão), Ninet Tayeb (Israel), Tokyo Ska Paradise Orchestra (Japão) e tem duas que não consigo lembrar o nome (risos). Ah, e Novedades Carmiña (Espanha)!