RATS leva irish punk para o calor do Rio de Janeiro em “Por Terra, Céu e Mar”

RATS leva irish punk para o calor do Rio de Janeiro em “Por Terra, Céu e Mar”

26 de outubro de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Os cariocas RATS acabam de lançar seu primeiro disco, “Por Terra, Céu e Mar”, pela Crasso Records, gravado em em meio ao carnaval carioca com Jimmy London (Matanza) capitaneando o barco e produzindo o trabalho. A gravação e mixagem foi realizada no Melhor do Mundo Studios e contou com Jorge Guerreiro, que já trabalhou com Dead Fish, Raimundos, Pitty, Ultraje a Rigor e muitos outros.

O quinteto formado por Kito Vilela (Guitarra e Voz), Fernando Oliveira (Banjo, Bandolim e Voz), Fernando Gajo (Acordeon e Tin Whistle), Bruno Pavio (Baixo) e Pedro Falcon (Bateria) criou 13 faixas que fazem o conhecido irish punk influenciado por Flogging Molly e The Pogues, além de uma versão bucaneira para “Medo”, clássico do Cólera. A bela capa do disco ficou a cargo de Caio Monteiro, Kawe de Sá e Helena Lopes (Lightfarm).

Conversei um pouco com Fernando Oliveira sobre o disco, a produção de Jimmy London, a carreira da banda e como o irish punk embarcou no Rio de Janeiro:

– Me falem mais sobre “Por Terra, Céu e Mar”! Como rolou a gravação e a composição das músicas?

Esse disco começou seu processo criativo em 2013 quando decidimos deixar de fazer versões e começamos a compor. Chegamos a lançar um EP, pela Crasso Records, que tinha 4 músicas autorais e 3 versões (em 2014), mas para um full play, precisávamos aguardar mais, pra amadurecer e colecionar uma quantidade boa de canções… E como todo 1º disco de banda, tem músicas que foram escritas há anos e músicas que acabaram entrando meses antes das gravações. As composições em sua maioria são minhas, com algumas parcerias com o vocal Kito Vilela e o acordeonista Fernando Gajo, e falam sobre bebida, sobre realizar sonhos, sobre amores construtivos e destrutivos, sobre a vida na estrada, sobre boxe, sobre amigos que se foram e sobre fazer as coisa do nosso jeito.

– Como foi trabalhar com o Jimmy London produzindo?

Foi foda em ambos os sentidos… (risos) Porque ele conhece muito do riscado, o som e a proposta da banda, e também foi foda porque ele é muito exigente e arranca da banda o que ela realmente pode dar de melhor, mesmo q isso leve muitos e muitos takes (risos). Eu já havia gravado com Jimmy num projeto paralelo às nossas bandas há uns 8 anos, gravamos umas demos de algumas músicas nossas, algumas até serviram de base para músicas do RATS, então já estava acostumado com essa parceria. Quando montei a banda sempre recorri a ele como guru e amigo. Quando as músicas foram aparecendo eu ia mostrando pra ele e trocando ideias, quando o disco começou a se tornar uma realidade ele já tava tão envolvido no processo, que nunca houve um convite oficial pra q ele produzisse o CD, foi uma coisa natural.

– De onde saiu o nome do disco?

Lembra que disse sobre uma musica q foi escrita meses antes da gravação? Então, essa musica foi “Por Terra, Céu e Mar” e ela veio depois da nossa tour de St. Patrick’s que fazemos todo ano em março. Ano passado ela foi meio tensa, muitas dificuldades, que até brincávamos que parecia que tinha uma maldição (risos). E como eu moro em Niterói, que fica separada do Rio pela baía de Guanabara, quando viajo muitas vezes vou literalmente por terra, céu e mar, pois vou de carro pro centro, pego a barca pra cruzar a baía e depois vou de avião pra cidade do show. Então usei isso pra conduzir a ideia da letra, que é como um juramento, sobre seguir em frente mesmo diante das dificuldades. Aí depois achamos que seria uma boa música pra intitular esse projeto pelo jeito que ele foi concebido também.

– Como a banda começou?

Já vinha com a ideia de uma banda que misturasse um som pesado com referências folks desde que vi por acaso o show do Flogging Molly em Los Angeles em 2001, mas só em 2011 chamei meu amigo e o baixista Bruno Pavio pra montar a banda, mas ainda era só papo de bar, sempre curtimos as bandas gringas de irish punk e achávamos mto estranho não ter bandas no Brasil fazendo isso, como eu já tocava banjo decidimos fazer uma pra se divertir e também divertir outras pessoas que também compartilhavam dessa carência.. Comprei um bandolim e montamos a banda. Fomos chamando amigos que tinham a ver e sabíamos que abraçariam a causa, Kito Vilela que veio do punk rock mas tinha acabado de voltar da Irlanda e vinha fazendo apresentações solos só voz e violão, o sanfoneiro Fernando Gajo eu trouxe da Go East Orkestra, de musica cigana dos Balcãs, improvisamos um amigo na bateria e em 2012 fizemos nossa estreia na festa Rio Irish no Saloon 79.

– Porque o nome RATS?

RATS na verdade é uma sigla (Riot Aboard The Ship). Sempre curtimos a ideia de nomes grandes que em siglas formam pequenas palavras, chegamos a se apresentar com o nome por extenso, e também como R.A.T.S, mas como toda banda que tem nome de sigla uma hora caem os pontinhos e acaba virando o nome curto mesmo, e a palavra “RATS” tinha a ver com o universo hardcore bucaneiro da banda, já que os piratas eram conhecidos como “sea rat”, decidimos assumir o nome RATS.

RATS

– Quais as principais influências da banda?

No começo eram as tradicionais bandas de irish punk, Flogging Molly, Dropkick Murphys e The Pogues, mas com o tempo acabamos incorporando outros elementos como coisas ciganas, polcas e country. Bandas que também fogem um pouco do irish punk tradicional e que adoramos é The Dreadnoughts e o Smokey Bastard. E também no lado pesado da banda, não bebemos só do punk rock e hardcore… Hoje em dia tenho escutado algumas bandas de folk metal como Turisas e Alestorm, que já influenciaram algumas composição que devem vir no próximo disco.

– O que vocês acham da cena independente hoje? Ela deve crescer e se expandir?

Sempre tem, e a internet facilita tudo, das bandas se conhecerem e organizarem as coisas juntas, trocamos materiais e ideias com banda do Brasil todo e de fora dele. Mais fácil de agitar as coisas e também não entrar em furadas (risos).

– Como vocês fazem para manter a cena em movimento? As bandas devem se unir mais em torno dessa meta?

Claro, já que não temos aquele apoio e grana das grandes gravadoras, a gente se vira e se apoia com quem fortalece a cena independente. as bandas, os selos, as casas, indicamos bandas amigas pros produtores com quem trabalhamos, sempre tentando usar camisas das bandas nos shows e entrevistas. Estamos todos no mesmo barco né?

– Quais são os próximos passos da banda?

Tocar, tocar e tocar, e viajar muito, por terra, céu e mar.. (risos) Já até temos músicas pra começar
a pensar num próximo disco, mas nem quero pensar nisso agora, o foco é cair na estrada e pôr esse disco pra rodar aí!

RATS

– Recomendem bandas (especialmente independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Bandas desse segmento tem a Punching Namard de São Gonçalo-RJ, tem a The McMiners de BH e a Lugh de Santa Maria-RS, que apesar de nunca termos tocado juntos sempre trocamos figurinhas pela internet. Já em outra pegada a Facção Caipira de Niterói também trouxe algo diferente com muita qualidade pra cena, e a não nova mas sempre incrivel Hillbilly Rawhide de Curitiba.