Rapper do Arizona FatFat prepara o lançamento de seus dois EPs, “sideFX” e “Peeking”

Rapper do Arizona FatFat prepara o lançamento de seus dois EPs, “sideFX” e “Peeking”

10 de setembro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

O rapper do Arizona FatFat entrou em contato comigo pelo Twitter, dizendo “se tiver tempo, ouça meu trabalho”. E é isso que o rapaz mais quer: que as pessoas ouçam suas letras e conheçam suas rimas. “Eu amo pessoas, e o que eu mais quero é espalhar felicidade para todos com a minha música”, diz.

Com mais de 10 mixtapes na bagagem e pronto para lançar seus dois primeiros EPs, “sideFX” e “Peeking”, com previsão para novembro, FatFat continua compondo sempre que uma ideia lhe vem à cabeça (o que pode acontecer durante um filme ou o café da manhã) e fazendo shows junto a rappers consagrados como 2 Chains e Twista.

Conversei com FatFat sobre sua carreira, seu método de composição, sua dificuldade em escrever rimas quando sóbrio e os EPs que ele está preparando:

– Como você começou sua carreira?

Eu comecei gravando com o primo de minha esposa com um mp4 na meia de minha filha e uma batida no fundo. Um casal de amigos viu o que estávamos fazendo e logo em seguida estávamos todos gravando no meu mp4, tendo que dividir o mp4 uns com os outros para que todos pudessem aparecer (risos). Então, o meu amigo me deu um computador com software para gravar e fomos fazendo, não sabíamos fazer nada a não ser gravar: nem adicionar efeitos, nem distribuir, você tinha que aparecer para ouvir… Fizemos isso por um ano, fiz umas 20 canções e chamamos de “The Rise Up”. Em seguida, a mãe de um amigo meu nos deixou realizar show no quintal da casa dela e fizemos enormes festas lá (risos). Como só tínhamos 20 canções, apresentamos elas por mais de um ano e levávamos o estúdio pra todos os lugares porque não descobríamos como gravar as músicas em CD (risos). Fazíamos shows todo fim de semana, e Renna, mãe do meu amigo, perguntou quando eu iria fazer alguma coisa nova. Eu nunca tinha pensado em fazer coisas novas, tinha 20 músicas foda e não achava que éramos tão bons, que as pessoas iam querer mais… Então começamos a levar um pouco mais a sério e a adicionar pessoas ao time, além de trabalhar em mais músicas. Aí, lançamos 10 mixtapes, começamos a fazer shows e eu nunca parei desde então, me sinto apaixonado pela música.

– Quais são suas maiores influências?

Eu mudo todo dia, eu ganho uma nova influência a cada semana, então elas mudam pra caramba (risos). Com certeza, meus filhos e minha esposa são meus filhos e esposa. Acredito que passei pelo que passei e tenho meu talento por um motivo. Ninguém quer sentar e ouvir alguém passar sermão sobre mudança de vida, mas porque eu tenho onde gravar e tenho um talento que me dá a habilidade de manter a atenção das pessoas eu posso passar minha mensagem para a cabeça dos outros e espero fazer alguma diferença. Mudar o mundo é minha influência e inspirar pessoas é o motivo pelo qual eu faço música.

– Que tipo de coisas inspiram suas rimas?

(Risos) Maconha, LSD, dificuldades, meus filhos, o mundo… Hmmmm… Eu meio que apago quando crio minha música, eu vou para o porão e fecho a porta, minha esposa e filhos sabem que não é nem pra bater. Eu faço isso por um dia inteiro, mas apenas quando me dá vontade. Eu posso estar assistindo um filme e POW, fico com vontade de criar música. Ou eu acordo e vou tomar café da manhã e POW, estou de bom humor e me tranco no estúdio e faço uma música que eu nem sabia que poderia criar.

– Como é seu processo criativo? A batida vem antes da rima ou é ao contrário?

Sem maldade, na situação correta, as músicas apenas aparecem, eu não tenho ideia de como faço. Eu apenas sento após apertar o rec e ainda me deixa impressionado quando ouço que fiz uma música incrível e eu mal sei escrever ou soletrar (risos). Eu gostaria de conseguir fazer música sem a batida (risos). Toda vez que eu estive na cadeia, eu tentava escrever como 2Pac ou X Rated, mas e unão consigo (risos). Eu preciso da batida, a batida é o que traz meus pensamentos para fora. Ouço uma batida e em 5 segundos eu sei o refrão ou o começo do meu verso ou o conceito. Eu não penso duas vezes ou apago nada, eu vôo pela música e depois mudo algumas palavras para alguma que caiba melhor e dou uma revisada, mas eu não consigo fazer música sóbrio, é um saco (risos). Eu gostaria de conseguir, mas não consigo. Deve ser por isso que nunca consegui escrever na cadeia (risos). Eu não consigo fazer shows alterado, mas eu preciso estar alterado pra criar minhas músicas…

FatFat

 

– Você já trabalhou com grandes rappers. Qual foi seu preferido?

Eu já me apresentei com Ritzz, 2 Chains, Twista, Bizzarre e D12, Huey Mack, Bone Crusher… O cara mais legal… tenho que dizer que foi o Ritzz. O jeito que ele mal se move e consegue animar todo o público é foda. Eu sou um cara grande e sempre pensei que pra animar o público você precisa agitar no palco e pular, mas não: Rittz apenas aponta e eles já ficam doidos. Ele me ensinou isso e é um cara super humilde e bacana, com certeza.

– Como você definiria seu estilo?

Eu consigo fazer todo tipo de música, na real. Eu posso fazer uma música country se eu estiver afim (risos). Mas a maioria das músicas que faço é hip hop e rap com uma mensagem super positiva. Eu quero ser a luz onde é muito escuro. Eu quero atingir as quebradas com minha música e mudar a maneira como as pessoas pensam. A maneira que você pensa é um dos grandes motivos pelo qual você não vai pra frente. Mude o jeito de pensar e mude o jeito de viver…

– Me fale mais do material que você lançou até agora.

Eu tenho um monte de músicas e vídeos, mas nada com batidas originais. Eu vou lançar meu primeiro EP original em novembro, chamado “sideFX”, e logo depois disso outro EP chamado “Peeking”. Eu acabei de lançar um single com o Bone Crusher chamado “I Know I Can”, foi meu primeiro single e tem participação de minhas duas filhas, Marina e Miranda, no refrão, e meu filho no final. Tenho vários vídeos que vou lançar com o Xavier da Fibo Media. Estou trabalhando com produtores foda para continuar lançando música foda, então não é hora de desacelerar…

FatFat

 

– Quais seus planos para o final de 2015?

Continuar ocupado e terminar em alta (risos). Continuar marcando shows, meu EP está saindo em novembro e começar 2016 de cabeça, tá ligado?

– Recomende alguns artistas que chamaram sua atenção recentemente.

O Arizona está bombando de talentos. Modéstia à parte, 4 anos atrás eu não via muita competição, mas agora, uau, muitos talentos! Eu sou fã de Pyro, Dez The Man, JS da Future é bacana e J Monster and the Black Fam é matador, Misfit, Ink, J Rod… o problema é que tem muitos, mas não dá pra lembrar (risos).

FatFat