Quinteto mineiro Maria Augusta lança seu primeiro EP, cheio de influências de rock britânico

Quinteto mineiro Maria Augusta lança seu primeiro EP, cheio de influências de rock britânico

8 de junho de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Na ativa desde 2010, o quinteto mineiro Maria Augusta acaba de lançar seu primeiro EP, “Maria Augusta”. Formada por Mateus Leão (voz), Guilherme Vasconcellos (guitarra), José Guilherme (Zé) (guitarra e voz), Victor Buttignon (baixo) e Pedro Suricate (bateria), a banda começou se apresentando em Uberlândia fazer covers de medalhões do indie do começo dos anos 2000 e de rock clássico, com uma quedinha pelas bandas inglesas.

O EP foi produzido por Rafael Vaz no Caverna Estudio e masterizado por Gustavo Vazquez no Rocklab Produções Fonográficas e conta com seis faixas que misturam letras em português e em inglês. O som mostra as influências de rock britânico da banda, mas sem deixar de lado um pé no tropicalismo e no rock nacional.

Conversei com Mateus sobre o EP, a carreira da banda, a cena independente atual e os planos do Maria Augusta para o futuro:

– Como surgiu a banda?

Foi bem demorada a montagem da banda. O primeiro que conheci foi o baterista, Suricate, mais ou menos em 2009. Eu mal sabia tocar violão e ele nem tocava bateria ainda e mesmo assim fomos tocando aos poucos. Logo conhecemos o Victor , atual baixista, que na época tocava guitarra, e tocamos um bom tempo nessa formação, procurando um baixista. Depois de um tempo conhecemos Guilherme, que também tocava guitarra, e eles passaram a revezar guitarra e baixo durante as apresentações e ensaios. Depois, Vitim ficaria apenas no baixo. Ouvíamos muito Beatles, Strokes, Arctic Monkeys e Stones. O Vitim era amigo do , guitarrista que tocava em Varginha na época, e tocava (e toca) infinitamente mais que eu. Logo eu larguei a guitarra e o Zé assumiu, a convite do Vitim. E a banda ficou assim, eu nos vocais, Zé no vocal e guitarra, Guilherme na guitarra, Vitim no baixo e o Suricate na bateria.

– E de onde saiu o nome da banda?

Um amigo nosso certa vez se envolveu com uma garota chamada Maria Augusta numa noite, e acabou descobrindo que a Maria Augusta era o Maria Augusta. Aí fizemos essa homenagem.

– Quais são as principais influências da banda?

Olha, as bandas que mais gostamos talvez sejam Beatles, Stones, Hendrix , Creedence, Strokes. Nos reuníamos muitas vezes pra escutar jazz. Talvez essa mistura louca toda tenha refletido no som.

– Fale um pouco mais sobre o EP recém-lançado.

Foi bem divertido o processo de escrever essas músicas. Na maioria delas um membro da banda chegava com uma ideia, nos íamos para o estúdio para desenvolver, e cada um ia dando sua cara. Foi relativamente rápido e bem natural, já estamos querendo fazer de novo (risos).

Maria Augusta

– Porque misturar português e inglês no disco?

A ideia inicial era ser inglês, mas achamos que em umas músicas a sonoridade pedia mais pelo português, e gostamos do resultado. Pretendemos continuar a desenvolver essa ideia nos próximos trabalhos.

– Me conta um pouco sobre as músicas do EP!

A “Step Out” inicialmente pensei que seria mais “indie”, mas percebemos que ela ficou mais pesada e gostamos dessa sonoridade. “Eu Vou Estar Lá” foi bem interessante, mudou muito da versão que o Zé passou pra gente até o resultado final. Ela antes tinha uma pegada “Los Hermanos“, na minha opinião, e as guitarras e o vocal duplo tiraram um pouco essa característica, ficando mais com cara de balada. Em “Papercut”, inicialmente havia pensado em uma sonoridade mais Hendrix e influenciada pelas bandas de groove dos anos 70. Ela ficou mais pesada, e também gostamos muito do resultado dela assim, com as duas guitarras mais sujas e dividindo o papel principal, inclusive se intercalando no solo final. “Flea Bitten Dog” foi a que deu mais trabalho para sair, com certeza. Guilherme queria uma música que ficasse em uma nota só e demoramos bastante para conseguir uma dinâmica que atendesse isso e uma melodia vocal que se enquadrasse certinho nessa ideia. Acabou saindo e juntamos com uma outra parte no final, fazendo com que a música vá crescendo e termine mais pegada. O Zé já tinha “Without Me” quase pronta. Tocamos algumas vezes no estúdio e mudamos algumas coisas nas letras, mas ainda não estava legal. Zé tentou cantar ela uma vez e ficou bem melhor, aí resolvemos que ficaria melhor assim. “Quando Dá” também surgiu com uma certa dificuldade. Tocamos ela várias vezes, e não estávamos satisfeitos, fomos mudando ela com o tempo, cortando algumas partes e colocando outras que davam mais certo. Foi a mais demorada para fazer a captação no estúdio, talvez por ser a que usa mais canais de gravação (mais de 15).

– E vocês já estão pensando em um próximo disco?

Não, ainda não. Lançamos esse sexta passada (risos). Vamos dar um tempinho. Mas já temos algumas idéias pra trabalhar!

Maria Augusta

– O que você acha da cena rock atual no Brasil?

Acho que está crescendo. Mas ainda é fraca, comparada com outros países. O público volta a crescer e se interessar por rock e música alternativa. Mas os incentivos, principalmente financeiros, ainda são muito escassos, por isso acredito que muitas bandas autorais não vão pra frente.

– Se vocês pudessem trabalhar com qualquer pessoa da indústria musical, seja músico ou produtor, nacional ou internacional, quem seria?

Acho o trabalho como músico e produtor do Josh Homme muito massa. Sempre com um projetos bons, além do Queens Of The Stone Age, que é ótimo.

– Quais os próximos passos da banda em 2016?

Em breve lançaremos o clipe de “Eu Vou Estar Lá”, produzido pela equipe do Moviola, que já trabalhou com artistas como Francisco El Hombre, Munoz e outros nomes da cena brasileira. Também damos sequência à turnê de divulgação do EP, que deve começar em breve e deve passar pelas principais cenas do Brasil.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Acho que alguns nomes são Munoz Duo, Francisco El hombre, Carne Doce, Boogarins, Lava Divers, Sick e Porcas Borboletas. Ah, pode acrescentar também Surreal e Cachalote Fuzz!