Queers & Queens Festival debate homofobia com rock no Morfeus Club neste sábado

Queers & Queens Festival debate homofobia com rock no Morfeus Club neste sábado

14 de outubro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

A quarta edição do festival Queers & Queens acontecerá nos dias 17 e 18 de outubro, a partir das 17h no Morfeus Club, em São Paulo. Além de shows de bandas independentes, o evento trará ao debate questões como homofobia, transfobia, lesbofobia, bifobia, feminismo e veganismo. A entrada custará R$ 10 e o festival também contará com DJs e exposições temáticas.

Idealizado pelos produtores culturais Shamil Silva e Hanilton Scofield, o objetivo do festival é propagar a informação de que preconceito é crime, que preferência sexual não define caráter e que é preciso, literalmente, “fazer barulho” para acabar com a discriminação. Um dos critérios utilizados na seleção das atrações do Queers & Queens foi o fato de ao menos um dos integrantes da banda ser assumidamente homo ou bissexual, e que o grupo tivesse identificação com o público LGBT.

No sábado, os shows ficam por conta das bandas Parte Cinza, Rebel Shot Party, Nerds Attack, Black Sun e Xerxes, além dos DJs Celso Tavares e Carol Santos. No domingo, o festival recebe as bandas Twinpines, Paz, Black Clovd, Shark Butterfly e E. Maria & Scarlets e os DJs Thais Maranho, Jennifer Souza e Lucas Andrade.

Conversei com Hanilton sobre o festival:

– Como surgiu a ideia do evento?

A idéia surgiu por não me identificar totalmente com os eventos voltados ao público LGBT, principalmente com a questão musical. Eu concordava com o ativismo, porém me sentia uma pouco deslocado. Então comecei a amadurecer a idéia de fazer um festival totalmente voltado ao rock, aliado ao ativismo. Nisso entrou o Shamil e juntamos a minha experiência em eventos pró LGBT e a experiência dele com bandas.

– Como este projeto busca combater a homofobia e o machismo, tão em alta no Brasil (e em todo o mundo)?

A gente costuma falar que a idéia é chamar atenção fazendo barulho, através da música. A maioria das bandas expressam em suas letras e em seu comportamento o combate a todo tipo de preconceito. Acho que ainda é importante se impor, mostrar a cara e ocupar seu lugar na sociedade, exigindo igualdade e respeito.

Parte Cinza

Parte Cinza

– Quais bandas e artistas estarão presentes? Você pode me falar um pouco de cada um deles?

Os destaques de sábado ficam com os shows das bandas Parte Cinza, Rebel Shot Party, Nerds Attack, Black Sun e do artista Xerxes, além dos DJs Celso Tavares e Carol Santos. No domingo, o palco receberá as bandas Twinpines, Paz, Black Clovd, Shark Butterfly e E. Maria & Scarlets, com os DJs Thais Maranho, Jennifer Souza e Lucas Andrade. Sempre tentamos incluir atrações de fora do estado, esse ano sem apoio isso ficou um pouco limitado, mas conseguimos trazer o Rebel Shot Party de Brasília, Parte Cinza do Rio de Janeiro e o Paz, que atualmente reside em Porto Alegre.

– Teremos outras coisas além dos shows, correto?

Sim, além dos shows teremos apresentações de DJs, exposições, venda de comida vegana e debates. Nesse ano os temas debatidos serão Transfobia e a relação do Feminismo com o Veganismo.

Paz

Paz

– Nos anos 90, festivais com bandas independentes pipocavam em todo o país e geraram diversas cenas musicais. Porque isso parou?

Pois é, eu acompanhava toda essa cena através de reportagens e ficava super empolgado. Alguns ainda realizam edições mas não vemos mais tanta repercussão quanto antigamente. Acho que o aumento do circuito de shows fora do eixo Rio – São Paulo tenha contribuído para essa diminuição de festivais, antigamente em alguns lugares você só veria shows em festivais e agora existe uma programação mais rotineira. Acho que tem como recuperar sim, na minha concepção festival vai além da música, pensar programações voltadas a artes integradas talvez seja uma boa forma de atualizar o formato de festivais, como conhecemos na década de 90.

nerds attack

Nerds Attack

– Onde será o festival? As casas de SP oferecem auxílio para bandas autorais e festivais?

Esse ano o festival acontecerá no Morfeus Club, é um local bem bacana localizado ao lado do metrô Santa Cecília, boa localização influencia muito. Acho que as casas já deram mais espaços para bandas autorais, hoje em dia vejo a programação sendo dominada por bandas covers. Gosto do formato, porém conheço muitos músicos que optam por covers por não encontrarem espaço para executarem seus trabalhos autorais. São Paulo é uma cidade muito rica culturalmente, tem público para ambos os trabalhos, porém acho que investir em programação formada por covers garante um retorno mais rápido aos donos dos estabelecimentos. Mas mesmo assim, tem muita banda autoral trabalhando, boa parte dessa safra poderá ser conferida no próprio festival. Sobre o auxílio para bandas autorais e festivais, ele existe mas ainda é pouco comparado a demanda.

Festival Queers & Queens 2015
Data: 17 e 18 de outubro
Horário: A partir das 17hs
Local: Morfeus Club – Rua Ana Cintra, 110 – São Paulo/SP
Entrada: R$ 10
Fanpage: www.facebook.com/QeQFestival
Evento: www.facebook.com/events/904230413002600/