Quarteto mineiro Matéria Escura mostra ecos de rock progressivo em seu primeiro EP

Quarteto mineiro Matéria Escura mostra ecos de rock progressivo em seu primeiro EP

16 de maio de 2016 3 Por João Pedro Ramos

A banda Matéria Escura vem de Carmo do Paranaíba, um pequeno município de Minas Gerais. Apesar das dificuldades que enfrentam por estarem distantes das capitais, o quarteto batalha com um rock de qualidade, cheio de influências de classic rock e rock progressivo. E sem parecer um pastiche de Pink Floyd e Creedence Clearwater Revival: eles fazem um som com muita personalidade e criatividade com letras em português. O primeiro EP da banda, “Matéria Escura”, acaba de ser lançado de forma independente.

Formada por Vitor Guimarães (Vocal), Blenio Pires (Guitarra), Sérgio Ricardo (Baixo), e Luis Eduardo (Bateria), a Matéria Escura traz em seu primeiro trabalho cinco músicas. Um destaque é a capa do EP, remetendo aos quadrinhos de ficção científica dos anos 50 e 60 que eram febre em editoras como a EC Comics.

Conversei com a banda sobre a vida de banda independente, Carmo de Parnaíba, a paixão pelos quadrinhos e a cena independente:

– Como começou a banda?

A conversa inicial se resumia em: juntar uma trupe de rockers para conceber a vida de “O Rock do CP” e “Uruvai”, músicas que já eram do conhecimento de todos os músicos envolvidos no projeto. E então a saga foi iniciada na zona rural de Carmo do Paranaíba, fazenda ‘’Grotão’’, onde Vitor (Vocal), Blenio (Guitarra) e Sérgio Ricardo (Baixo) começaram os trabalhos de pré-produção das respectivas músicas. Logo em seguida, focados em concretizar os planos, convocamos o batera Luís Silva (Andore) para dar inicio nos ensaios e seguir para as gravinas. O primeiro passo foi descolar o lugar para ensaios, onde fomos felizes em conseguir o chamado “Cafofo”, também conhecido por “Complexo Cultural Milton Pavão”, em homenagem ao artista plástico Milton Pavão que gentilmente nos emprestou o espaço para os trabalhos musicais. Depois que iniciamos as atividades o diálogo se tornou mais extenso e novas músicas surgiram. Nasce então o EP “Matéria Escura”, fruto da imersão sonora de 2015.

– De onde surgiu o nome Matéria Escura?

Inicialmente, o nome da banda seria Canis Majoris, que é uma das maiores estrelas conhecidas. Astronomia fora um dos assuntos mais debatidos no “Cafofo Rock Club”, e em uma dessas conversas o nome “Matéria Escura” foi sugerido por Blenio Blues. Matéria Escura é uma parte do Universo que os astrônomos sabem que existe, mas ainda não sabem exatamente o que seja. É matéria, porque se consegue medir sua existência por meio da força gravitacional que ela exerce. E é escura, porque não emite nenhuma luz. Essa segunda propriedade é justamente o que dificulta seu estudo. Tudo o que observamos (planetas, galáxias, estrelas, gases cósmicos etc.) compõe apenas 4,2% do conteúdo do nosso Universo. Cerca de 26 % é a chamada Matéria Escura e outros 71,6 % é a Energia Escura.

”Somos o cosmos e a estrela
Deixe o fogo queimar
Somos Matéria Escura
Tudo vai acabar”.

*Trecho da música: “Sangue Nos Olhos” – Matéria Escura – EP

– Quais são as principais influências da banda?

Temos influências diferentes… Cada membro tem sua bagagem musical diversa e ouvimos/garimpamos muitos estilos de música, sendo assim, para o primeiro trabalho criamos a diretriz de seguir o denominador comum e embrionário: o Classic Rock.

– Me contem um pouco mais sobre o primeiro lançamento da banda.

O primeiro lançamento da banda foi o Single “O Rock do CP”, lançado no dia 05 de julho de 2015 na terceira edição do Festival Gorilla de Música Autoral de Carmo do Paranaíba MG. O single foi composto por “O Rock do CP” e “Uruvai” e tivemos para a capa uma belíssima fotografia em 35mm por Alexandre Magalhães.

EP Matéria Escura

EP Matéria Escura

– Quem fez a capa do disco? A inspiração nos quadrinhos é algo que faz parte da essência da banda?

A excelente capa do EP foi feita pelo Studio Astronauta de Patos de Minas MG. Sim, somos todos fãs de HQs, definitivamente os quadrinhos estão de volta na cultura pop e a Matéria Escura pretende lançar mais edições dessa jornada rumo às estrelas. “Se não existe vida fora da Terra, então o universo é um grande desperdício de espaço” – Carl Sagan

– Como vocês definiriam o som da banda? Dá pra perceber um quê de progressivo no som.

O som da banda é o rock and roll puro e simples no meio de uma tempestade nervosa de psicodelia. Tivemos o cuidado de entregar um material direcionado para quem de fato curte o velho e bom rock and roll e suas características clássicas: vocal marcante, guitarra timbrada, solos de batera e o groove no baixo.

– Como as bandas podem ajudar a fomentar a cena independente hoje em dia no Brasil?

É necessário promover festivais de música autoral, criando assim o intercâmbio cultural entre bandas… Verificamos ser de suma importância fortalecer a cena local, apoiando as bandas vizinhas, e principalmente, não desistir perante os tantos desafios e problemas relacionados à cena independente.

– Como a internet e as redes sociais podem ser utilizadas para auxiliar no aumento da valorização de bandas independentes autorais no Brasil?

A internet é a ferramenta que temos hoje para disseminar a música para o mundo. Estamos geograficamente ferrados… (risos) Imaginem só: Carmo do Paranaíba… Uma banda do interior de Minas Gerais. Adoramos nossa cidade, mas… A realidade é que não há que se falar em apoio no que tange a música autoral por aqui, o pouco que existe de “cena” somos nós que organizamos e nem sempre conseguimos pagar as contas dos eventos!

Matéria Escura

– Quais os próximos passos do Matéria Escura em 2016?

O plano é concretizar o disco de inéditas, nove ou dez músicas, ainda estamos conversando sobre isso…

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Lava Divers, Ruga, Piêit, O Berço, Mente Atômica, Murder Worship, Silvana, Sorrows, Janela Verde, Hebreu, The Stolen Eyes, Bruno Fontoura, Sex Fire Religion, Volta Elétrica, Komarok, Lizandra, Pato Junkie, Zharpa, Whisky Paraguai, Leandro Rock Billy, Penteando Macaco, Senomar, RedSet, Bontempo, Hammerthrash, Harder, Agnata Fides.