Power trio paulistano Winteryard mostra delicadeza e criatividade shoegazer no EP “Endless Winter”

Power trio paulistano Winteryard mostra delicadeza e criatividade shoegazer no EP “Endless Winter”

9 de maio de 2016 0 Por João Pedro Ramos

O minimalismo delicado e cheio de influências de PJ Harvey e Warpaint do trio Winteryard mostra que o grupo pode ser considerado um dos grandes representantes paulistanos do post rock. Com toques de shoegaze, letras inspiradas e muita criatividade nas suas belas composições soturnas e emotivas, a banda lançou no ano passado seu segundo EP, “Endless Winter”, com um clima invernal penetrante no som de suas cinco faixas.

Formada por Priscila Castro (Guitarras/Vocal), Rafael Fumagali (Bateria) e Brunella Martina (Baixo), a banda começou como um projeto solo da vocalista em maio de 2012. O EP de estreia, “The Place Where I’ve Been Before”, foi lançado ainda como projeto pessoal. Com a evolução do grupo para um trio, podemos perceber um crescimento musical, com melodias inspiradas e canções melancólicas e poderosas. Agora, a banda trabalha em seu primeiro álbum. “Por enquanto estamos tentando nos focar nisso”, explicam.

Conversei com a banda sobre sua carreira, o EP “Endless Winter”, a cena independente e o machismo no meio musical:

– Como a banda começou?
A Winteryard começou como um projeto pessoal da Priscila (vocalista e guitarrista). O primeiro EP “The Place Where I’ve Been Before” foi gravado de forma totalmente caseira e com poucos instrumentos. Depois da divulgação do EP surgiu uma grande vontade de tocar as músicas ao vivo e então, em 2013, começamos a tocar como uma banda power trio.

– E de onde surgiu o nome Winteryard Project?
Winteryard me pareceu um bom nome pra um projeto pessoal que nasceu em um quarto e que narrava sobre os sentimentos que foram vividos ou recordados ali. Quando o projeto ganhou integrantes e virou banda o ‘Project” saiu de cena e então nos chamamos só por Winteryard.

– Quais as suas principais influências musicais?
Cada um de nós temos gostos bem particulares, mas as opiniões ficam unanimes quando falamos de Sonic Youth, New Order, Bikini Kill, Warpaint, Cat Power, The National, Sleater Kinney, etc

– Me falem um pouco mais sobre “Endless Winter”, seu segundo EP.
‘Endless Winter’ é uma continuação do primeiro EP. A temática segue a mesma , só que vista por um outro ângulo. Se “The Place Where I’ve Been Before’ passa-se no centro do furacão, ‘Endless…’ é uma narrativa de como o lugar ficou depois de tudo. É um EP extremamente emotivo e sensorial.

Winteryard

– Como foi o processo de produção deste disco? Quais as maiores influências para ele?
Nós já haviamos composto praticamente tudo do EP antes de começar, mas não sabiamos como tudo aquilo soava gravado, já que foi a primeira experiência como banda em estúdio. De qualquer forma, o intuito maior era que ele ficasse um tanto ‘cru’ mesmo. As guitarras foram gravadas do amplificador e grande parte dos efeitos são de pedais reais, não de programas, coisas que poderíamos reproduzir ao vivo. Fomos ao estúdio somente pra gravar as baterias e vozes e depois o Filipe Consolini (Mono.Tune) uniu tudo isso com uma bela pós-produção. Creio que as influências desse EP vieram das coisas que ouvíamos na época. Muito de Warpaint, Daughter, The National, Sharon Van Etten, Cat Power e coisas do gênero.

– Vocês já estão trabalhando em um novo álbum ou EP?
Temos mais um show e um projeto pra completar até o meio do ano.Depois disso a intenção é parar pra compor algo novo sim e agora queremos um álbum full.

– Vocês acreditam que o machismo continua forte no mundo da música? Já sofreram com isso?
O machismo ainda é forte em praticamente todos os aspectos da sociedade, dificilmente seria diferente na música. Nós sabemos que ele está ali mesmo quando não expresso em voz alta ou em uma ação. Eu poderia ignorar os comentários infelizes sobre ser uma garota e tocar bem ou sobre técnicos de som que te tratam com desdém mas é ainda pior saber que ser uma banda com integrantes mulheres (e comandada por mulheres) muitas vezes te coloca numa posição de pré-julgamento. Nós dificilmente somos vistas como uma banda equivalentemente boa num cenário de bandas com maioria masculina e isso nunca será explicito o suficiente pra que eu possa citar isso e todos compreenderem e/ou concordarem. É só algo que a gente sabe internamente, mas que não nos impede de fazer o que a gente realmente quer (que é fazer música boa), então, simplesmente seguimos.

– A cena independente continua forte? Como as bandas atualmente utilizam a mídia e as redes sociais para fomentar a “cena”?
Acredito que a ‘cena’ hoje está maior, no entanto não acredito que esteja mais forte.A sua música pode ir muito mais longe, sem dúvidas, mas ficou tudo muito fugaz. É difícil ainda ser lembrado depois de uma semana e um EP ou álbum não motiva mais as pessoas a irem ouvir as bandas ao vivo. Hoje tudo é feito com o intuito de estar nas mídias sociais, mas quase nunca você vê na vida real a mesma movimentação e empolgação que você vê online.

Winteryard

– Quais são os próximos passos do Winteryard?
Queremos gravar um novo álbum. Por enquanto estamos tentando nos focar nisso.

– Recomende bandas e artistas que chamaram sua atenção nos últimos tempos. Se forem independentes, melhor ainda!
Daughter, Savages, Courtney Barnett, Chelsea Wolfe, Angel Olsen, Wolf Alice, Alvvays são alguns deles. De nacional a Post, Medialunas, The soundscapes, Câmera, Audac, Moxine, My Magical Glowing Lens, Travelling Wave são bons nomes pra ir atrás e ouvir.