Os Estilhaços trazem toda a força e o fuzz do garage rock sessentista à tona

Os Estilhaços trazem toda a força e o fuzz do garage rock sessentista à tona

21 de setembro de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Saídos diretamente das garagens da Zona Leste de São Paulo, Os Estilhaços possuem a psicodelia cheia de fuzz do garage rock dos anos 60 correndo nas veias. Formada por Caio Sérgio (ex-Haxixins) (vocal/guitarra), Paulo Nobre (baixo), Alexandre Xéu (ex-Panoramas) (bateria) e Cristina Alves (órgão), a banda atesta em seu soundcloud o poder da sonoridade sessentista registrada com o equipamento analógico e o toque do produtor Jonas Morbach (The Blackneedles/Berlin Estúdio).

Após algum tempo de estrada, o quarteto agora está lapidando as músicas que farão parte de seu primeiro disco. “Os planos são de gravar algumas até o final deste ano, juntar com as outras que já temos gravadas e lançar um LP no próximo ano. Estando com o disco pronto, aí é tentar organizar uma turnê (possivelmente na Europa, onde a cena 60s é mais sólida) para divulgar o álbum”, contam.

Conversei com a banda sobre seu trabalho, a retomada da psicodelia (ou a permanência dela), a internet como meio de apoio a bandas independentes e mais:

– Como a banda começou?

Podemos dizer que a formação da banda se deu em três momentos. O Alexandre Xéu e o Paulo Nobre já se conheciam e inclusive até já haviam tocado juntos em outras bandas anteriormente. Enquanto isso, o Caio Sérgio (que tocou com Os Haxixins) foi convidado pelo Felipe Caponne para tentarem fazer um som, desenvolver algumas ideias. Como os quatro se conheciam, já era todo mundo amigo, nos juntamos e montamos a primeira formação da banda. Como a ideia sempre foi a de ter um órgão agregando na sonoridade, algum tempo depois convidamos a Cristina Alves, que acabou aceitando o convite. Com a saída do Felipe, atualmente permanecemos como quarteto.

– De onde surgiu o nome Os Estilhaços?

A banda chegou a ter alguns outros nomes provisórios antes, mas um dia, tendo em vista que faríamos o primeiro show com a nova formação (que incluía o órgão), era preciso escolher um nome definitivo, que acabou ficando “Os Estilhaços”, por conta da última frase da letra da nossa música “Atemporal” (“Os sons se fazem em estilhaços”). Então foi uma questão de necessidade mesmo (risos)…

– Me falem um pouco mais sobre o material que já lançaram.

Atualmente a banda possui algumas músicas oficialmente gravadas desde 2014 (que disponibilizamos em plataformas como o Soundcloud, etc.), e que sairiam em forma de compacto duplo. Porém, como a gente vem criando coisas novas, mais músicas e a ideia é gravá-las ainda este ano, queremos lançar um LP (mesmo que seja de maneira independente) ano que vem.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Nossas influências são basicamente de bandas 60s de garage como o 13th Floor Elevators, Music Machine, The Seeds, Count Five, e também as nacionais como Os Baobás, Os Beatniks, The Galaxies, etc., Mas isso de modo geral, pois cada integrante tem suas influências particulares. O Alexandre ouviu muito Fuzztones, que é um garage 80s; o Paulo curte umas paradas de mod jazz; Caio conhece bastante de raridades nacionais e a Cris gosta até de uns sons 60s da Grécia, por exemplo.

Os Estilhaços

– A psicodelia está voltando? A música é cíclica, e estamos de volta a um tempo de psicodelia em alta no som?

Na nossa opinião, a psicodelia nunca deixou de existir na verdade e, portanto, não tem muito o porquê de falar em uma volta. Seja com bandas conhecidas ou não, a psicodelia é uma referência que surgiu na década de 60, mas que percorre também as décadas seguintes, de forma mais, ou menos evidente. Talvez no momento ela realmente esteja em alta, já que várias bandas atuais transitam por ela de diversas maneiras. No nosso caso, já é algo intrínseco à proposta de som que fazemos.

– Como vocês avaliariam a cena independente paulistana? As casas de show ajudam a firmar a cena das bandas autorais independentes?

Atualmente, a cena independente paulistana anda muito difícil, especialmente para bandas autorais que fazem um som mais underground. São pouquíssimas as casas que dão oportunidade e, das que dão, a maioria não pensa numa valorização do trabalho da banda. Falta um mínimo de comprometimento, seja em oferecer um equipamento de som decente, pagar um cachê justo (isso quando pagam) e acaba parecendo que os músicos estão ali fazendo um favor. Bandas boas existem muitas, o que tem faltado é espaço, mesmo numa cidade enorme como São Paulo.

– Vejo que vocês usam bastante a internet para divulgar a banda. Acreditam que ela auxilia a vida do artista independente?

Sem dúvida a internet auxilia demais. Sem ela, seria muito mais difícil para as bandas alcançarem o público que se atinge hoje em dia. Já teve podcast na França tocando nosso som, por exemplo, algo praticamente inimaginável se não fosse a internet. Outro exemplo são Os Haxixins, que foram “descobertos” na Europa em tempos de MySpace. Acreditamos que toda ferramenta que possa auxiliar a banda a levar seu trabalho mais longe é muito válida.

Os Estilhaços

– Quais os próximos passos da banda?

Como comentamos antes, estamos em uma fase de criação, trabalhando em músicas novas. Os planos são de gravar algumas até o final deste ano, juntar com as outras que já temos gravadas e lançar um LP no próximo ano. Estando com o disco pronto, aí é tentar organizar uma turnê (possivelmente na Europa, onde a cena 60s é mais sólida) para divulgar o álbum.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Algumas bandas atuais (nem tão novidades assim) que nos chamam a atenção e temos acompanhado são o Mystic Braves, Messer Chups, o próprio Tame Impala, Vintage Trouble… No mais, sempre acompanhamos as bandas independentes do pessoal aqui da zona leste e dos amigos que estão fazendo um trabalho autoral bacana como Os Skywalkers, o Continental Combo, Os Tulipas Negras e mais um monte…