“One man band” Erudite Stoner reverencia Nick Drake e Tim Buckley em seu primeiro disco

“One man band” Erudite Stoner reverencia Nick Drake e Tim Buckley em seu primeiro disco

25 de abril de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Sob a alcunha de Erudite Stoner, Matheus Novaes lançou um trabalho cheio de influências de post-rock, shoegaze, doom e guitarra clássica. O EP instrumental da banda de um homem só leva você a uma viagem cheia de criatividade influenciadas por Alcest, Agalloch, Gustavo Santaolalla e Ulver, entre outros.

Apesar do nome, o projeto não aposta no stoner rock. “Acho díficil classificar o som do Erudite Stoner por ter tantas influências, mas acho o que mais se aproximou do stoner, seria o riff da música ‘Waiting for the Storm’, explica Matheus. Agora, o músico trabalha para lançar a versão física do álbum em breve.

Conversei com ele sobre o projeto Erudite Stoner:

– Como a banda começou?

Eu sempre quis ter uma banda mas também sempre fui muito fã de projetos solo, principalmente artistas com foco mais intimista como Nick Drake, Chris Bell e Tim Buckley. Antes eu costumava compor pensando no contexto de banda, mas as vezes é complicado você encontrar pessoas com o mesmo objetivo e comprometimento que você. Algumas one man bands me fizeram enxergar que eu poderia fazer algo sozinho e num projeto introspectivo é importante você ter independência para composição. Foi assim que surgiu o Erudite Stoner, a partir do momento que eu comecei a compor sozinho.

– De onde você tirou essa ideia de fazer um disco instrumental acústico? Existe algo de stoner rock no projeto?

Acho díficil classificar o som do Erudite Stoner por ter tantas influências, mas acho o que mais se aproximou do stoner, seria o riff da música “Waiting for the Storm”.

– Qual a origem do nome Erudite Stoner?

Sobre o nome Erudite Stoner, é uma pergunta que me fazem com frequência, sinal que o nome desperta curiosidade. Talvez por se tratar de um paradoxo, ele resume bem a minha música, além de serem nomes de dois estilos que me influenciam bastante.

– Quais suas principais influências musicais para este projeto?

Para esse projeto, eu costumo citar como influências, o músico e compositor argentino Gustavo Santaolalla que já trabalhou em diversas trilhas sonoras como no filmes “Diários de Motocicleta”, “Biutiful” e “21 Gramas”. E a banda francesa Alcest que incorporou influências de outros gêneros como shoegaze e post-rock ao black metal, criando uma sonoridade única.

– Você pretende expandir este projeto, aumentando a banda?

No momento não penso em expandir o Erudite Stoner, mas estou compondo para outro projeto com banda, algo mais na linha shoegaze/slowcore.

Matheus Novaes, Erudite Stoner

– O projeto foi bem elogiado por veículos respeitados da música underground. Como é isso pra você?

É muito bom ver seu trabalho sendo elogiado tanto pelos veiculos de comunicação e pelos fãs, é o sinal que o seu esforço para realização de um trabalho está dando certo.

– Se você pudesse trabalhar com qualquer pessoa do mundo da música, quem seria?

Poderia trabalhar com o Neige do Alcest, pois seria uma parceria produtiva, mesmo que eu tenha sido influenciado por sua música, acredito que a nossa sonoridade é diferente, ele me parece ser um músico que não é preso a rótulos e liberdade de criação é muito importante num projeto musical.

Matheus Novaes, Erudite Stoner

– Quais os próximos passos da Erudite Stoner em 2016?

Quero lançar material físico do Erudite Stoner antes de começar algo novo.

– Como é ser um artista independente no Brasil hoje em dia?

É um desafio ser artista independente no Brasil, você precisa ser confiante pois você enfrentará vários obstáculos em todas as fases do seu projeto, desde sua concepção, realização e divulgação, mas é gratificante você superar todas as dificuldades e ver seu trabalho realizado e colhendo frutos.

– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Recomendo um projeto de darkfolk/neofolk do Canadá chamado Ulvesang e também recomendo o projeto húngaro “Release the Long Ships” do Kapiller Ferenc, que fará uma versão da minha música “Far Away From City Walls” em seu novo trabalho. Além da música, ele cria arte gráfica para algumas bandas de post-rock além de produzir suas próprias capas.