O trio Screaming Females traz de volta o som sujo e pesado dos anos 90 em seu disco “Rose Mountain”

O trio Screaming Females traz de volta o som sujo e pesado dos anos 90 em seu disco “Rose Mountain”

2 de outubro de 2015 2 Por João Pedro Ramos

Começando descompromissadamente como uma banda de amigos de faculdade, o Screaming Females foi aos poucos subindo os degraus que os levaram a ser uma grande banda independente. O trio, formado por Jarrett Dougherty (bateria), King Mike (baixo) e a grande cantora e guitarrista Marissa Paternoster, surgiu em New Jersey há quase 10 anos como uma brincadeira chamada Surgery On TV. Mudaram de nome e levaram o Do It Yourself a sério, criando tudo na unha. Quando conseguiram um contrato com a Don Giovanni Records, sua carreira começou a decolar. “Hoje temos amigos que nos ajudam, não precisamos mais fazer tudo sozinhos”, diz o release da banda.

Os uivos poderosos de Marissa e a cozinha estruturada e suja de Mike e Jarrett já renderam seis álbums (“Baby Teeth”, “What If Someone Is Watching Their TV?”, “Power Move”, “Castle Talk”, “Ugly”, “Live at The Hideout” e, finalmente, “Rose Mountain”, lançado este ano) e elogios de gente como Shirley Manson, do Garbage, banda com a qual gravaram uma versão de “Because The Night” para o Record Store Day de 2013.

Conversei um pouco com Jarrett sobre a carreira da banda, o disco “Rose Mountain”, a ligação com Steve Albini no disco “Ugly” e um mundo dominado pela música pop descartável:

– Como a banda começou?
O Screaming Females começou em 2005. Mike e Marissa meio que se conheciam desde o ensino médio. Eles foram para uma escola particular juntos e faziam parte do clube de música. No clube de música que eles aprenderam a tocar com outras crianças, fazendo covers. Enquanto Marissa era caloura na faculdade, ela e Mike começaram uma banda chamada Surgery On TV. Eu era alguns anos mais velho do que Marissa e 4 ou 5 anos mais velho do que Mike. Amigos meus tinham decidido tentar começar uma gravadora financiada pela Universidade. Eu assinei para ajudá-los onde podia. O primeiro e único lançamento da Record Label Club foi um CD de compilação. Minhas duas faixas favoritas nele eram das bandas Noun e Surgery On TV. Para minha surpresa eu descobri que ambos foram projetos feitos pela mesma pessoa, Marissa. Convidei-a para fazer uma jam em minha casa, sem pensar muito além de que eu gostaria de conhecer essa pessoa melhor. Antes que eu me desse conta, ela me pediu para que eu entrasse no Surgery On TV. Ensaiamos algumas vezes como Surgery On TV e, em seguida, com uma pequena mudança na formação, nos rebatizamos como Screaming Females.

Screaming Females

 

– As pessoas dizem que Marissa é uma das meninas com mais atitude em sua voz ultimamente.
Marissa usa sua voz em um monte de formas diferentes e expressivas. Ela tem uma série de estilos distintos. Ela nos ajuda a criar um som diferente de tudo que nos rodeia. Ela é influenciada por uma vasta gama de vocalistas e acho que seu estilo pessoal reflete isso. Ela definitivamente não tem medo de ser uma performer poderosa.

– Me falem um pouco mais sobre “Ugly” e a influência de Steve Albini na producão do disco.
“Ugly” foi gravado no outono de 2011 e lançado na primavera de 2012 pela Don Giovanni Records. O registro foi auto-produzido. Steve Albini foi engenheiro de som e fez um trabalho incrível. Steve é um mágico no estúdio. Trabalhar com Steve em seu estúdio Electrical Audio em Chicago era um sonho. Sonoramente, “Ugly” tem um monte de coisas que são associadas ao trabalho de Steve. Aquele som “big room” e uma sensação agressiva de show ao vivo.

– Como é que “Rose Mountain” evoluiu a partir do material de “Ugly”?
Após o lançamento do “Ugly”, Marissa ficou muito doente com mononucleose e acabamos tendo quase um ano com muito poucas apresentações. Continuamos ensaiando e escrevendo enquanto esperávamos que ela melhorasse. Foi nesse período que escrevemos “Rose Mountain”. Normalmente escrevemos toda a parte instrumental primeiro e Marissa leva essas demos para casa e escreve letras e melodias para encaixar sobre isso. Para “Rose Mountain”, tentamos uma nova abordagem propositalmente. Chegávamos com os arranjos instrumentais bem crus e parávamos antes que tudo se tornasse muito complexo. Então Marissa escrevia melodias para essas partes e então trabalhávamos mais da instrumentação a partir daí. Devido a isso, as melodias vocais são muito mais uma força motriz no “Rose Mountain”.

https://www.youtube.com/watch?v=Zm1-bVYio1k

– Como você definiria o som da banda?
Rock’n’Roll trio. Temos o som clássico de um trio. Todo mundo traz algo bastante integral para a mistura.

– Como é ser uma banda de rock hoje em dia, quando o pop domina as paradas?
Eu não acho que a música que fazemos é particularmente nostálgica. Nos consideramos uma banda que olha para a frente, mesmo não usando laptops para fazer a nossa música. Por causa disso sinto que a música que fazemos nunca foi uma parte das paradas pop mundiais. Para mim, não é mesmo parte da minha realidade.

Screaming Females

– Recomende alguns artistas e bandas que chamaram sua atenção ultimamente. Especialmente se forem independentes.
Algumas das minhas coisas favoritas que tenho ouvido hoje em dia são Vacation, Psychic TV, G.L.O.S.S., The Coneheads e Buck Biloxi and the Fucks.

Ouça músicas de “Ugly” e “Rose Mountain” do Screaming Females aqui ou completos no Spotify: