“O rock é um cadáver que às vezes vomita coisas maravilhosas”, diz a banda Electric Brains

“O rock é um cadáver que às vezes vomita coisas maravilhosas”, diz a banda Electric Brains

7 de agosto de 2015 0 Por João Pedro Ramos

Vinda diretamente de Hebden Bridge, na Inglaterra, a trupe de malucos do The Electric Brains investe pesado na doideira a la Cramps. A gangue de Professor Weird (teremim, omnichord, moog, cítara, flauta, stylophone e “objetos eletrônicos esquisitos”), Sarah Bellum (baixo e vocal), Laura Limbic (backing vocal e dançarina), Opaz Breen (guitarra);  Mooch (bateria e percussão) e Captain Keys (teclados) não brinca em serviço: além de assumir os personagens até o fim, o sexteto manda um punk rock psychobilly trash cheio de psicodelia e diversão.

Com um álbum recém-lançado (“Vile Jelly”), a banda se apresenta constantemente no Hipsville, um bar de Londres que sempre tem algum show com bandas de garage, rockabilly, punk, rock e soul.

Conversei com os seis seres de outro planeta sobre punk rock, streaming, rock sem guitarras e transplantes de cérebro (?):

– Como a banda começou?

A banda começou como 5 cérebros em jarras de vidro. Mad Professor Weird nos transplantou para nossos corpos atuais para formar o The Electric Brains!

– Quais são suas maiores influências musicais?

13th Floor Elevators, The Fuzztones, The Sonics, Captain Beefheart, The United States of America (a banda, não o país), Jon Wayne (a banda, não o ator!),  Brian Jonestown Massacre, Slade, The Sweet, The Revillos, The Standells, The Ramones, Sleater-Kinney, PJ Harvey, The Staggers, Wild Evel and the Trashbones, The Jackets, The Shook-Ups, The Cynics, The Mummies, The Cramps, The Saints, Iggy and the Stooges, Suzi Quattro, The Bee Gees, The Stomachmouths, Bongwater, King Missile, The Teardrop Explodes, bandas das coletêneas Nuggets / Pebbles / Rubbles e na verdade qualquer coisa trash e garage punk rock’n’roll & psicodélica!

– Como vocês descreveriam um show do The Electric Brains?

Uma viagem selvagem, começando na selva mais escura, com homens das cavernas e gorilas, indo até os confins do espaço sideral, passando por uma viagem de ácido e acabando em algum lugar do outro lado do sol.

– Vocês acabaram de lançar um disco, certo?

Acabamos de produzir nosso primeiro disco, “Vile Jelly”. Não assinamos com ninguém, estamos fazendo tudo do nosso jeito!

– Vocês sempre estão em turnê. Onde foi o melhor lugar que já tocaram?

Não são muitos lugares que nos aceitam! A coisa fica bem selvagem e bagunçada! Você constantemente pode encontrar o Captain Keys passando o aspirador de pó depois de um show às 3 da manhã (Ele tem TOC – e não consegue controlar sua limpeza compulsiva).

– O rock and roll está vivão e vivendo ou, como Gene Simmons falou, morreu?

Infelizmente, hoje em dia é basicamente um cadáver. Às vezes ele se mexe, têm algumas contrações e vomita algo brilhante.

– O que vocês acham dos serviços de streaming?

Para citar Anton Newcombe, nós somos os carteiros, esta é nossa carta. Abra e leia de graça. É por nossa conta.

The Electric Brains

– O que vocês acham do rock indie sem guitarras que domina hoje em dia?

Tosco.  Veja a resposta anterior sobre o rock ser um cadáver.

– O Youtube ajuda bandas a ficarem conhecidas mundialmente?

Apenas se elas tiverem grandes orçamentos bancados por empresas para pagar pelas propagandas caríssimas do canal.

– Quais são os próximos passos do The Electric Brains?

Acabamos de escrever 3 novas músicas de garage punk brilhantes! Nossa ambição é que talvez em 20 anos alguém procure por nossos sons e nos coloque em alguma compilação no esquema de Pebbles ou Nuggets. Até lá, continuaremos tocando ao vivo e nos divertindo muito!

– Recomendem algumas bandas que chamaram sua atenção ultimamente.

Ouvimos muitas bandas bacanas no Hipsville nos finais de semana!  Nós amamos The Shook-UpsThe Stags; The Jackets, The Anomalies, Guida, The TikiHeads, Wild Evel and the Trashbones, The Allah-Las, The See See e muitas outras!