O post-rock de Sigur Rós e sua estreia no Brasil

O post-rock de Sigur Rós e sua estreia no Brasil

26 de junho de 2017 0 Por Redação CEHF

O “post-rock” é um estilo musical difícil de definir em uma frase simples e objetiva: ele trás em sua essência uma mistura de diversos outros gêneros que, ainda que variados, ainda não são o suficiente para descrever suas características. Da mesma forma, um show da banda islandesa Sigur Rós não pode ser facilmente narrado ou explicado. Ambos devem ser ouvidos e apreciados – apenas isso.

A banda, originária de Reykjavík – capital e maior cidade da Islândia – não é nova. Ela está na ativa há mais de vinte anos, desde 1994. De toda forma, só recentemente ganhou mais destaque por elaborar as trilhas sonoras de séries e filmes bem familiares ao público, como Game of Thrones, Capitão Fantástico, Diários de um Vampiro e Simpsons. Mesmo caindo no gosto da indústria do entretenimento, o trio é considerado cult por seu estilo de som diferente, que mescla música clássica com guitarras, e canções com letras em sua língua nativa, o islandês.

O Sigur Rós é um belo exemplar do post-rock, termo usado pela primeira vez no mesmo ano de lançamento da banda, mas adotado para definir o álbum de outro grupo, Hex” de Bark Psychosis, na resenha do periódico inglês Mojo feita pelo jornalista Simon Reynolds. O conceito desse estilo foi posteriormente explicitado na revista The Wire, onde o também crítico musical o caracteriza por utilizar da instrumentação típica do rock (guitarra, baixo, bateria e teclado) para outros fins que não o rock, fazendo uso de “guitarras como facilitadoras de timbre e texturas em vez de riffs e acordes de energia”, assim como o das batidas eletrônicas – tanto que naquela época a experimentação em estúdios era privilegiada em detrimento de apresentações ao vivo.

Fonte: Wikimedia

Nesse gênero, os instrumentos tradicionais do rock se relacionam com os elementos digitais de forma a construir texturas, ambientes e sensações em um movimento libertário, que rompe com as estruturas tradicionais da composição. O post-rock abusa das composições instrumentais, com poucos vocais, e faz uso da repetição de motivos musicais e mudanças sutis com uma ampla gama de dinâmicas. Além de embutir referências emprestadas de diversos gêneros, como a climatização do jazz, o rock progressivo, indie, new age, dub reggae, krautrock, shoegazer e a incorporação de elementos estéticos clássicos minimalistas, como faz muito bem o Sigur Rós.

A banda é formada pelo guitarrista e vocalista Jónsi, idealizador do grupo na década de 90, pelo baixista Georg Hòlm e pelo baterista Orri Páll Dyrason, que não estava na formação original e só entrou na banda em 2002, no lugar de Ágúst Ævar Gunnarsson. Eles também contavam com o tecladista Kjartan Sveinsson desde 1998, único membro com formação musical e responsável pelos arranjos orquestrais dos trabalhos, mas que deixou a banda em 2013.

Sigur Rós significa “Rosa da Vitória”, mas a inspiração para o nome do grupo veio da irmã de Jónsi, Sigurrós Elín, que nasceu apenas alguns dias antes do surgimento da banda. Seu primeiro álbum foi intitulado “Von” (que significa “esperança”), mas o reconhecimento internacional viria em 1999, com “Ágætis byrjun” (“Um bom começo”), que teve três canções adicionadas à trilha sonora do filme Vanilla Sky, protagonizado por Tom Cruise, além de séries como CSI, Queer as Folk e 24 Horas. Em 2003, eles também fizeram uma parceria colaborativa com o grupo Radiohead para a trilha do espetáculo de Merce Cunningham, Split Sides. Além disso, o single “Hoppípolla” foi utilizado na série Planeta Terra da BBC em 2006, nos créditos de encerramento da FA Cup, nas propagandas da cobertura da emissora dos jogos da Inglaterra na Copa do Mundo, e em diversos filmes.

Seu mais recente CD foi lançado em 2013, e agora a banda, que já conta com 7 álbuns, partirá para sua primeira turnê na América Latina, com apresentações únicas em 4 locais diferentes. O Chile tem muito a oferecer no turismo – como evidenciado por suas famosas vinícolas; Assim, não surpreende que o tour sul-americano começa justamente lá em 24 de novembro, na Arena Movistar (localizada em Santiago). Em seguida. eles irão se dirigir para Buenos Aires para se apresentar, em terras argentinas, no Festival Sonar. Depois disso, finalmente aterrissarão pela primeira vez em nosso país, estreando na grande casa de shows Espaço das Américas, em São Paulo no dia 29. Enfim, no dia 2 de dezembro, se despedirão da América do Sul na edição colombiana do Festival Sonar, em Bogotá.

Os ingressos já estão à venda desde abril, quando a turnê foi anunciada, mas estão se esgotando. É uma boa oportunidade para os fãs que quiserem testemunhar ao vivo toda a exoticidade do espetáculo de projeções abstratas e som etéreo, mas explosivo, ou ainda para aqueles que gostariam de provar um pouco do experimentalismo e inovação do trio islandês.