O duo de synthpop de Campinas S.E.T.I. apresenta seu novo EP, “Êxtase”, elogiado por Gordon Raphael

O duo de synthpop de Campinas S.E.T.I. apresenta seu novo EP, “Êxtase”, elogiado por Gordon Raphael

8 de setembro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

O duo de synthpop S.E.T.I., formado por Roberta Artiolli (voz e synths) e Bruno Romani (baixo, guitarra, synths e programação), lançou em agosto seu EP “Êxtase”, com seis músicas que receberam muitos elogios, inclusive de Gordon Raphael –  descobridor e produtor do The Strokes. “Uau, esse EP soa muito bem! Gostaria de ir ao Brasil e trabalhar com vocês, pessoal. Gosto dos timbres, das batidas e das melodias vocais. Tem vozes e mudanças de acordes excelentes nas músicas. Obrigado!” comentou.

Formado em 2012 e fazendo um som que fica entre o rock e o eletrônico, o duo está preparando seu primeiro clipe, da música “Benjamin”, uma homenagem Benjamin Curtis, o guitarrista da banda americana School of Seven Bells que faleceu em 2013, aos 35 anos, vítima de um câncer.

Conversei com Roberta e Bruno sobre o a produção do novo EP, as influências da banda e influências que permeiam seu som:

– Falem um pouco mais de seu novo trabalho.
Roberta: “Êxtase” é o resultado de um trabalho minucioso em toda trajetória. Trabalhamos muito em cima de cada etapa, desde os primeiros acordes até a última ressonância de delay na última sílaba. Buscamos uma sonoridade específica. As letras contam histórias e se relacionam. Trazem a melancolia expressada até na capa.

SETI

 

– Vocês foram elogiados até pelo produtor do Strokes.
Roberta:
Uma pessoa que conhecia o Gordon Raphael ouviu o nosso som e disse que deveríamos falar com ele. Ela tinha certeza de que o cara ia gostar da nossa música. Isso aconteceu antes de lançarmos “Êxtase”, então, depois que o disco ficou pronto decidimos mandar para ele. Não tínhamos muita expectativa de que ele responderia, pois ele deve ser muito procurado. Mas não só ele respondeu, como também foi muito simpático. Fez vários elogios, inclusive inbox. E o mais legal é que são comentários bem específicos, de quem realmente ouviu e analisou o trabalho. Não foi algo do tipo “legal, agora para de me encher o saco”. Esperamos trabalhar com ele no futuro.

– Como foi a gravação do disco?
Bruno: Foi um processo intenso. Nos trancamos por 15 dias no Estúdio Minster, em Campinas, onde o Ricardo Palma fez um trabalho genial. Ele coproduziu o disco com a gente e foi fantástico. Ele tirou tudo que podia da gente e nós tiramos tudo dele também. Esse disco não existiria sem uma soma tão intensa de forças. Depois desses 15 dias, levamos para a casa tudo o que foi feito e aperfeiçoamos os detalhes. Então, um mês depois, voltamos para mais três dias de trabalho com o Ric. Para finalizar, tivemos na reta final ainda 1 mês de trocas diárias de e-mails sobre mix e master. Acho que no final, ele não aguentava mais nossos pedidos. Mas valeu muito!

SETI

 

– Como é o processo de criação de vocês?
Bruno: O nosso processo de criação é muito importante para que a gravação e a produção do disco rolem bem. Levamos para o estúdio de gravação muita coisa pronta para tentar minimizar erros e partes pouco inspiradas. Se você não minimiza a incerteza, acaba colocando qualquer coisa só porque o disco tem que ficar pronto. Quando isso ocorre, você pode eternizar partes nada memoráveis. Então, temos um humilde estúdio em casa onde vamos criando e trabalhando cada uma das partes do arranjo, da letra e da melodia. Às vezes, a música começa com algo mais eletrônico, como uma batida ou uma loucura no synth. Outras vezes em instrumentos comuns como violão ou baixo. Depois, vamos criando camada por camada. Se não fosse assim, os 15 dias no estúdio seriam 3 meses. E trabalhamos sempre juntos. Um complementa o outro.

– Como vocês definiriam o som da banda?
Bruno: Somos o resultado de tudo o que foi feito na música pop no últimos 30 anos. Tem um pouco de synthpop, influenciado por Depeche Mode, A-ha e outros nomes da época. Tem elementos de estilos típicos dos anos 90, como trip hop, shoegaze, dream pop e até grunge. E tem a fusão de eletrônico com rock que passou a ser mais forte a partir da metade da última década. De qualquer maneira, sempre vai ter alguém confuso sobre a qual estilo pertencemos. E não sei se consigo solucionar essa dúvida sem deixar mais gente confusa! (risos)

SETI

 

– Como a banda começou?
Roberta:
 O Bruno morava nos EUA e tinha uma banda por lá. Eu, daqui, gostava de escrever e cantar. Quando ele voltou para o Brasil, estava querendo sair do formato tradicional de banda e criar algo que lhe desse mais liberdade tanto para compor quanto para tocar. Daí foi fácil juntar às minhas vontades. E, em dois, a liberdade é total. Viajamos para qualquer lugar para tocar, nós sempre podemos e sempre queremos. É só encher o carro e não dependemos de mais nenhuma agenda além da nossa.

– Porque o nome S.E.T.I.?
Roberta: S.E.T.I. é uma sigla em inglês para “Busca por inteligência Extraterrestre”. É um projeto que busca por meio de radiotelescópios achar vida fora da Terra. Gostamos por dois motivos. Primeiro, ela está de certa forma associado a tecnologia, o que se manifesta em nossa busca por um som moderno. Segundo, é uma sigla pronunciável em português.

– Quais suas maiores inspirações?
Bruno: Gostamos de muita coisa que não está no nosso som, como Nirvana. Mas somos menos influenciados por artistas do que por discos. Sempre nos espelhamos em discos bem produzidos, com atenção ao detalhe, do que a discografias completas. Pode ser algo barulhento como os últimos discos dos Nine Inch Nails ou algo frágil ou singelo, como os discos do The XX. Citando alguns discos, adoramos “The Alternative”, do IAMX, “Voices”, do Phantogram e “Disconnect from Desire”, do School of Seven Bells.

– Se vocês pudessem trabalhar com qualquer pessoa do meio musical, quem seria?
Bruno: No Brasil: Samuel Rosa (Skank), Adriano Cintra (ex-CSS), Miranda e Dudu Marote. Fora do Brasil: Gordon Raphael (produtor de Strokes, Regina Spektor), Trent Reznor (Nine Inch Nails), Josh Carter (Phantogram), Chris Corner (IAMX) e John Hill (Santigold e M.I.A.)

– Recomendem algumas bandas que chamaram sua atenção nos últimos tempos (de preferência se forem independentes!)
Roberta: Entre as estrangeiras, Phantogram e Warpaint. Entre as brasileiras, Scalene (Brasília), Sexo (Americana) e About a Soul (Americana).