Naked Drivers mostram que a cena do rock nordestino continua suja, barulhenta e cheia de fuzz

Naked Drivers mostram que a cena do rock nordestino continua suja, barulhenta e cheia de fuzz

4 de julho de 2016 0 Por João Pedro Ramos

O quarteto Naked Drivers acaba de colocar o pé na estrada com seus pedais de fuzz e som calcado no mais clássico rock sujo e barulhento. Com influências que passam por AC/DC, Graveyard, Thin Lizzy e Grand Funk Railroad, Phillipe Brilhante (voz), Leo Martínez (guitarra), Wagner Ramalho (baixo) e Fábio Riváz (bateria) lançaram recentemente seu primeiro EP, “Hot Like a Fever”. O trabalho da banda de Natal (RN) conta com 4 músicas produzidas e mixadas por Yves Fernanes e masterizadas no Estúdio Megafone. O EP sairá também em vinil 10 polegadas pela brasiliense Lombra Records.

Conversei com o guitarrista Leo Martínez sobre a carreira da banda, a cena rock no Norte e Nordeste brasileiro e o EP “Hot Like a Fever”:

– Como a banda começou?

Eu e Fábio já tínhamos tocado juntos por um tempo em uma banda chamada Flaming Dogs. Desde que a banda acabou em 2010, ficávamos planejando tocar juntos novamente. Nesses contratempos da vida corrida, a ideia nunca progredia. Até que no final do ano passado, resolvemos ir para o estúdio de ensaio só nós dois para sentir o que conseguiríamos criar. A ideia era não ficarmos parados e produzir um material autoral legal. Eu já tinha algumas idéias na manga e começamos a fazer isso por alguns ensaios e a coisa começou a tomar forma. Paralelo a isso, quebrávamos nossas cabeças pensando em pessoas para cantar e tocar baixo. Ate que Fábio lembrou de Philipe, que era velho conhecido e o convidou para ensaiar conosco. Depois lembrei de Wagner, também velho conhecido, e chamei pra tocar baixo. Com isso fechamos a formação e seguimos com os ensaios.

– De onde surgiu o nome da banda?

Essa pergunta é difícil. Foram meses pensando em como batizar a banda. Não pensávamos tanto nisso no começo. A empolgação pra compor era grande. Íamos ensaiando. Já tínhamos o EP todo composto, já pensávamos na data da gravação e não tínhamos um nome. Tínhamos apelidos internos e idéias ruins. Costumávamos fazer algumas listas de sugestões. Numa dessas tinha Naked Drivers e milagrosamente todos gostaram. É sexy, é sem vergonha, passa uma sensação de liberdade. Achamos que tem a ver conosco. E assim ficou.

– Quais são as suas principais influências musicais?

As influências são muitas. Cada um tem sua onda, mas no final temos algo em comum: em geral gostamos de bandas que tocam rock alto, clássico, sujo. Conheço Fábio de muitos anos. E lá atrás trocávamos ideias sobre Hendrix, The Who, Led Zeppelin. A bateria dele tem muito disso. Eu tenho influências de Ramones, Iron Maiden, James Brown, AC/DC, Stooges, Hellacopters, MC5, Grand Funk Railroad, Black Sabbath. Wagner vem de uma escola mais hardcore/punk. E Philipe também curte muito os clássicos… UFO, Bad Company, Uriah Heep, Lucifer’s Friend e por aí vai. São muitas influências que vão construindo nosso som.

– Me contem mais sobre o disco “Hot Like a Fever!”

É o nosso EP de estreia. Passamos um tempo trabalhando pesado nessas composições até fechar. Quebramos muito a cabeça pensando se nasceríamos já com um full álbum, mas optamos por surgir logo, botar na rua logo e levar nosso som até as pessoas. Foi um processo de composição tranquilo, que fluiu muito bem. Gravamos no estúdio DoSol, com produção nossa e co-producao de Yves Fernandes. Fizemos o possível pra imprimir uma sonoridade nossa, baseada em nossas influências. Tem guitarras altas, delay na voz. Curtimos muito tudo isso. São 4 faixas que mostram bem a cara da banda nesse momento. Mais a frente iremos mais além. Também quero fazer uma menção ao projeto gráfico, tudo feito por Cristiano Suarez. O cara tem tudo a ver com nosso som e fez um belo trabalho. Ah, e o EP vai sair em breve em vinil transparente 10 polegadas em parceria com a Lombra Records em tiragem limitadíssima.

Naked Drivers

– Hoje em dia a cena rock está muito mais forte no Norte e Nordeste. Como vocês veem isso? Quais bandas da região vocês indicariam?

Hoje em dia o Norte e Nordeste estão pegando fogo mesmo. Temos muitas bandas de qualidade, espaços pra tocar, festivais. Podemos avançar, mas acho que estamos passando por um dos melhores momentos. Somente no RN temos bandas fazendo turnês européias, norte americanas, sulamericanas, rodando o Brasil é o mundo. Temos nomes como Monster Coyote, Far From Alaska, Son of a Witch, Velociraptors, Red Boots, Mahmed, Fukai, Jubarte Ataca, Joseph Little Drop. A nível Nordeste temos nomes como The Baggios, Vendo 147, Necro. No Norte tem o Molho Negro e o Turbo lá do Pará, e por aí vai. Tem muita gente fazendo música boa.

– Como vocês definiriam o som da banda?

Sujo, elétrico, sexy & selvagem.

– O que vocês acham da cena rock no Brasil? Ainda existem chances do rock voltar ás paradas de sucesso algum dia?

O rock está muito vivo e em toda parte. Mas a realidade é outra. Não temos mais gigantes, mas temos muita gente produzindo, muitos festivais, muitas bandas. Ali anteriormente citei várias só do RN, algumas do Nordeste. Mas a nível Brasil temos MUITOS exemplos de bandas na correria e tocando Brasil e mundo afora. E isso é sucesso. São outros tempos. É preciso trabalhar e explorar todas as possibilidades.

– Quais são as principais vantagens e desvantagens de ser um artista independente? A cena independente está unida como deveria? Como melhorá-la?

Sinceramente, só vejo vantagens. Nessa nova realidade e novos tempos, a internet tem um alcance gigantesco. Fazendo um bom trabalho é possível alcançar as pessoas das mais diversas formas e nos mais remotos lugares. Hoje podemos levar nossa musica a todo o mundo e fazer contatos, marcar shows, promover um intercâmbio. Mas acho que o caminho para o ideal ainda é longo. É preciso mais união, mais estrutura, mais empenho de todos os envolvidos. Os espaços precisam ser viáveis, assim as bandas podem explorar mais turnês. E estando na estrada é que a coisa acontece.

Naked Drivers

– Quais os próximos passos da banda?

Agora estamos focado em fazer shows, o máximo que conseguirmos. E de outro lado vamos trabalhando em algumas composições já pensando no próximo lançamento, mas a prioridade realmente são os shows.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Tem muita coisa rolando no Brasil. Hellbenders, Overfuzz, Far From Alaska, The Baggios, Rinoceronte, Muddy Brothers, Joseph Little Drop e outros que já citamos por ali. E pelo mundo tem o Gonzo do Uruguai, Satan Dealers da Argentina, Graveyard, Kadavar, Baroness, Rival Sons, Orchid. Gostamos de muitas coisas mesmo.