My Magical Glowing Lens se destaca com seu “pop místico, neo-Tropicália, prog-lisérgico”

My Magical Glowing Lens se destaca com seu “pop místico, neo-Tropicália, prog-lisérgico”

26 de junho de 2017 0 Por João Pedro Ramos

A capixaba Gabriela Deptulski é a mente e força motriz do My Magical Glowing Lens, projeto que começou compondo e gravando sozinha todos os instrumentos sozinha, mixando, masterizando e produzindo todas as músicas que renderam um EP auto intitulado em 2013. Em 2015, ela, que toca guitarra, baixo, bateria e sintetizador, se uniu a Gil Mello (baixo), Henrique Paoli (bateria) e Pedro Moscardi (sintetizador) para firmar a atual formação da banda, responsável por seu primeiro disco, “Cosmos”, lançado este ano pela Honey Bomb Records.

As 11 faixas do álbum mostram um pouco do que ela define como “pop místico, Neo-tropicália, prog-lisérgico” e “Pink Floyd com beats”: uma viagem psicodélica com muitas influências de música brasileira, bandas de rock progressivo e um pouco de pop eletrônico para dar o toque final. “A ideia veio de um sonho bem maluco no qual eu ouvia o Ohm primordial. É uma pira com igualdade, união, harmonia. Tem a ver com amor, paixão, sexo, estados alterados da mente, fugir de regras sociais impostas, legalização das drogas, vontade de infinito, amor incondicional por tudo”, explica a líder do grupo.

Conversei com ela sobre a recente passagem da banda por São Paulo, sua carreira, influências, o disco “Cosmos” e a cena independente do Espírito Santo:

– Como a banda começou?

O My Magical começou comigo gravando todos os instrumentos sozinha, mixando, masterizando e produzindo sozinha também. Em 2015 que a estrutura de banda começou a se formar. Desde lá passamos por várias formações, até chegar nessa.

– E em que ano você começou esse trampo solo? Como foi essa transição para o formato banda?

Comecei a compor e gravar para o MMGL em meados de 2013. A transição para o formato banda começou quando eu comecei a querer algo mais abrangente e coletivo na estrutura do My Magical. Estou numa fase de desapego com relação às coisas do ego, gostando muito de trabalhar em conjunto, isso me fez ter vontade de montar uma banda, para podermos reinterpretar em conjunto as composições e termos uma variedade maior de ideias na hora dos arranjos.

– E de onde surgiu o nome da banda?

O nome da banda surgiu de uma vontade de mudar o mundo, de tirar toda a monotonia e mesmice que existe nas imposições e comodismos que vão aparecendo pra gente. É uma lente transformadora, que nos tira da zona de conforto e nos leva além!

– Vocês acabaram de fazer uma mini turnê aqui em São Paulo, né? Como foi?

Foi incrível, o público paulista é sempre muito atento. Prestam muita atenção em tudo. e ao mesmo tempo são muito livres, entendem com uma facilidade absurda as coisas que queremos passar. São Paulo é uma cidade incrível.

My Magical Glowing Lens

– Quais as principais influências musicais da banda?

Flaming Lips, M.I.A, Rihanna, Lorde, Mutantes, Secos e Molhados, Melody’s Echo Chamber, Tame Impala, Son House, Sonic Youth…. Muita coisa, viu! (Risos) Alceu Valença, Pink Floyd e Beatles também!

– Me conta um pouco mais sobre o “Cosmos”. Como foi criado este álbum?

A ideia veio de um sonho bem maluco no qual eu ouvia o Ohm primordial. É uma pira com igualdade, união, harmonia. Tem a ver com amor, paixão, sexo, estados alterados da mente, fugir de regras sociais impostas, legalização das drogas, vontade de infinito, amor incondicional por tudo… muita coisa, viu. Difícil citar tudo, mas talvez tenha a ver principalmente com o fato de que acredito que somente o amor e a compreensão pode nos salvar da depressão e do egoísmo que estamos nos enclausurando cada vez mais.

– E como foi a gravação desse trabalho?

O primeiro EP gravei completamente sozinha, em casa, talvez volte a gravar sozinha no futuro, não sei, é tudo muito incerto. O My Magical é projeto muito livre, a atuação dele como banda agora não determina em nada seu futuro, ele é um projeto mutante e fluido, nenhuma imposição social vai tirar a liberdade que ele necessita. Mas Cosmos foi gravado como banda, na Casa Verde, sede da gravadora e produtora Subtrópico, em Vitória-ES. Eu tinha 11 demos, algumas com arranjos prontos, outras apenas voz e violão. Isso foi levado para os meninos e começamos a trabalhar nessas músicas, rearranjando, criando arranjos e fazendo partes novas para as músicas. Foi um processo lindo, estávamos no início do outono quando começamos a gravar, céu azul, vento por toda parte, folhas secas despencando da árvores. Houve muita união e trabalho duro.

– Como você definiria o som da banda pra quem ainda não conhece?

Pop místico, Neo-tropicália, prog-lisérgico, Pink Floyd com beats ?

– Como anda a cena independente do Espírito Santo?

Acontecendo, mas acho que tem que rolar mais coisa. A Casa Verde tem ajudado muito no processo de evolução da cena, trazendo referências diversificadas para a cidade e ajudando o fortalecimento da pluralidade de ideias. Mas infelizmente ainda acho a cena de Vitória muito tradicionalista e fechada. Os artistas se mantém muito em posição de conforto, não enfrentam a condição do artista com a toda a coragem que poderiam enfrentar (falo de mim também). Temos que entrar mais em contato com coisas que nos transformem de verdade e nos façam sair da posição de conforto que estamos há anos e anos enclausuradas. Me sinto muito sortuda por ter encontrado a equipe que formamos para o My Magical! Todo mundo que se envolveu nisso é absurdamente corajoso e livre! Os artistas que mais me identifico fora a galera que tá comigo são o Kevin Fraisleben e o Caio Moré, que são muito novos, ainda muito escondidos. Me sinto bastante sozinha na cena capixaba, meio extra-terrestre, sabe? Mas sei também que há ali um grande potencial criativo e faço de tudo para fomentar isso. E tem muita gente fazendo o mesmo. Existem poucas mulheres fazendo música também, estou atuando intensamente para mudar isso.

My Magical Glowing Lens

– Isso você acha que se deve ao machismo que permanece vivo no mundo da música? Ou acha que aos poucos isto está melhorando?

As duas coisas, os homens ainda são muito privilegiados na música e em também em outras instâncias. Mas sinto de verdade que estamos com mais espaço!

– Quais os próximos passos da banda?

Começar a compor novas músicas, fazer dois vídeos para álbum, tirar o “Piper at The Gates of Dawn” inteiro, fazer parcerias com artistas que amamos, amar, amar a tudo e todos incondicionalmente ?

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Pensando… Catavento, Bike, OkLou, Hierofante Púrpura, Antiprisma, Tagore, VentreBoogarins. Boogarins mãe e pai de todos, né? Melhor banda. O TernoKatze. Ah, Supervão e Musa Híbrida, são bandas muito boas!!