“Mulheres do mundo do rock, uni-vos!”, proclama o trio paulistano The Zasters

“Mulheres do mundo do rock, uni-vos!”, proclama o trio paulistano The Zasters

5 de junho de 2017 0 Por João Pedro Ramos

O power trio paulistano The Zasters foi formado em 2015 por Juliana Altoé (guitarra, voz), Barbara Chela (baixo e voz) e Nabila Sukrieh (bateria e voz). O grupo acaba de lançar seu primeiro EP ‘This is a Disaster’, produzido por Alexandre Capilé (Sugar Kane e Water Rats) no Estúdio Costella. Agora, a banda ainda prepara-se para lançar o clipe de seu primeiro single “Awesome Dance Moves”.

Conversei com elas sobre a carreira da banda, o primeiro lançamento e o machismo recorrente no mundo da música e fora dele:

  • – Como a banda começou?

Juliana: Eu e a Barbara (Babs pros íntimos) nos conhecemos praticamente desde sempre, e sempre gostamos de música e desde a sexta série decidimos formar uma banda na escola, porém faltavam mais pessoas que quisessem o mesmo. No ensino médio, formamos uma banda para tocar nos eventos da escola e continuamos com esse hobby por mais um tempo, até que decidimos que queríamos algo mais sério. Nesse ponto a formação mudou e a The Zasters que conhecemos hoje foi formada com a entrada da Nabila na batera!

– De onde surgiu o nome da banda?

Babs: É um trocadilho sonoro com a palavra ‘disaster’, desastre em inglês… Claramente o contrário do que somos. 😉

– Quais são as suas principais influências musicais?

Juliana: Sempre tivemos influências bem distintas (risos). Eu, particularmente, gosto de rock dos anos 70, e a Babs e a Na curtem mais sons atuais. Mas algumas bandas que ouvimos em comum são Arctic Monkeys, The Kills, Franz Ferdinand, entre outras do indie dos anos 2000.

– Me contem um pouco mais sobre o material que já lançaram.

Nabila: Já lançamos nosso EP ‘This is a Disaster’ em abril/2017 nas plataformas digitais (Spotify, Apple Music, Deezer, etc.) e também no Soundcloud, Bandcamp e YouTube! É o nosso primeiro EP e estamos muito animadas em fazer mais músicas e tocar por aí. 🙂

– Como é seu processo criativo?

Babs: Normalmente, escolhemos qual o estilo que cada música vai seguir, buscamos algumas referências, e vamos para o estúdio testar (e testamos muitas possibilidades até sair do jeito que a gente quer). Em relação às letras, é comum montarmos toda a estrutura instrumental, depois colocamos letra e melodia.

The Zasters

– Como vocês veem a cena independente autoral hoje em dia? Como é a vida de uma banda independente?

Nabila: A cena independente, como o nome já diz, depende muito dos próprios artistas para sobreviver. Por um lado, cada vez menos pessoas estão interessadas em descobrir músicas novas indo a shows, mas por outro está tudo na disponível na internet, então acontece uma certa divulgação, mesmo que pequena, principalmente por parte dos blogs. Mas ainda assim, o investimento é muito alto e é difícil ver bandas que tenham algum retorno financeiro. Uma banda atualmente tem que ter muita perseverança para tentar conseguir divulgar o seu trabalho e tem que correr atrás, promovendo os próprios eventos, pois poucos produtores acreditam no potencial a longo prazo que uma banda independente pode gerar.

– O machismo continua muito forte no meio musical? Vocês já sofreram com isso?

Babs: Infelizmente, sim. É comum subirmos no palco e encontrar pessoas que acham que estamos pra brincadeira. A parte boa é que, no final, essas pessoas saem do show com outra impressão.

– Vocês acreditam que o número de bandas formadas somente por mulheres têm aumentado? Aquele negócio de “rock é só para meninos” já passou (finalmente)?

Juliana: Estamos vendo, sim, um aumento das bandas formadas por mulheres, mas uma banda exclusivamente de mulheres está muito longe de ser 5% de todo o cenário musical atual. O preconceito de que mulher não sabe fazer rock ainda é muito forte. Existem vocalistas muito boas na cena, mas ainda vemos poucas instrumentistas por aí. MULHERES DO NOSSO ROCK, UNI-VOS! Vamos mostrar que mulher sabe SIM fazer rock!

The Zasters

– Quais os próximos passos da banda?

Nabila: Estamos programando uma festa de lançamento do EP em julho (fiquem atentos nas mídias sociais da banda para mais infos). Depois da festa faremos um clipe de uma das tracks do EP, e quem sabe mais pra frente tenham mais clipes por aí e gravar um CD! Vamos também tentar buscar mais shows para nos estabelecermos na cena.

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Todas: Como as bandas independentes tem cada vez menos espaço nas casas de show e na mídia em geral, é bem difícil indicar artistas independentes (no sentido literal da palavra) aqui. Até mesmo os menores artistas que ouvimos, principalmente de fora, tem uma gravadora por trás, acreditando no trabalho deles. Indicamos então a Grimes, uma musicista muito interessante que sempre grava suas músicas no estilo DIY, a banda Franklyn e a Der Baum.