Mocho Diablo, o quarteto de stoner rock paulistano surgido das cinzas do Flaming Moe

Mocho Diablo, o quarteto de stoner rock paulistano surgido das cinzas do Flaming Moe

21 de março de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Formado em 2011, o Mocho Diablo veio diretamente das ainda quentes cinzas do Flaming Moe, banda que fez sucesso graças aos seu som peculiar e shows viscerais no underground de São Paulo. Da antiga banda, vieram Thiago Pinho, bateria, Maurício Peruche, guitarra e Gui Klaussner, vocal. Com a entrada do baixista Murilo Silva (do EDC), o Mocho Diablo estava completo e preparado para destrinchar todas suas influências de stoner rock e experimentalismo.

Em 2012 saiu o primeiro EP e em 2015 o álbum “Monochrome”, produzido e gravado no estúdio Aurora, em São Paulo, pelas mãos de Aecio de Souza e Billy Comodoro. “O disco é o resultado de uma fase em que tentamos sintetizar momentos diferentes tanto da banda quanto da vida no geral. Tentamos transpor as cores e o que elas representam, para a musica, assim temos momentos diferentes no disco, ora pesado com a ‘Sink the Black Swan’, ora mais cru como em ’19 Maniacs’ e ora mais denso em ‘Hispaniola’“, explicam.

Conversei com a banda sobre a carreira, a dissidência do Flaming Moe, letras em inglês e o stoner rock:

– Como a banda começou?
O Mocho Diablo tem origem no Flaming Moe, de onde remanesceram Thiago Pinho, bateria, Maurício Peruche, guitarra e Gui Klaussner, voz. O pontapé foi Em 2011 com a entrada do baixista Murilo Silva do EDC, que, com a nova bagagem, deixou claro que precisaríamos de um novo projeto.

– Como o som da Flaming Moe influenciou o Mocho Diablo?
Na verdade, acho que foi uma transição natural, claro agregando toda a influencia do Murilo (que foi o novo integrante). Carregamos muita coisa ainda do Flaming Moe, especialmente o lado stoner da banda e a energia dos shows. Como um quarteto, criou-se mais espaço para groove e peso do baixo. Com essa renovação, a banda ganhou muita energia, ficando ainda mais visceral, misturando influencias do rock dos anos 60 e 70 com uma dose cavalar do peso dos anos 90, encontramos um equilíbrio entre todas as quatro pontas da banda. Sendo prático, a guitarra continua se baseando em riffs como na época do Flaming Moe, mas agora como temos uma guitarra a menos, a relação dela e do baixo é bem mais complementar.

– Me contem um pouco mais sobre “Monochrome”.
O “Monochrome” é o resultado de uma fase em que tentamos sintetizar momentos diferentes tanto da banda quanto da vida no geral. Tentamos transpor as cores e o que elas representam, para a musica, assim temos momentos diferentes no disco, ora pesado com a “Sink the Black Swan”, ora mais cru como em “19 Maniacs” e ora mais denso em “Hispaniola”. O disco pode ser entendido também como uma reflexo do hiato de quase 2 anos em que metade da banda ficou com seus membros morando fora. Isso mexeu sem dúvida com as referências e as composições da banda.

– Como surgiu o nome da banda?
O nome é de uma forma paradoxal, uma “sulamericanização” da banda, contrapondo o fato das letras serem todas em inglês. É também uma alusão a um tipo sul-americano de coruja, o Mocho Diabo.

Mocho Diablo

– Porque muitas bandas brasileiras de rock investem em letras em inglês?
Talvez esse seja o caminho mais natural do rock, que soa mais natural mesmo, já que a fonética é mais fácil de se encaixar nas musicas. É claro que existem ótimas bandas cantando não só em português, mas em espanhol e outros idiomas. No nosso caso creio que seja uma questão principal das influências. A maioria das bandas que crescemos ouvindo, que moldaram nossa veia artística cantam em inglês. Mesmo nem sempre sendo de países que tem a língua inglesa como idioma principal. Esse questionamento sempre aparece com bandas nacionais e é natural. Mas não vejo o idioma como uma barreira ou uma pretensão mercadológica. É uma questão primordial de influência mesmo.

– Quais as suas maiores influências musicais?
Os anos 90 tem um peso importante no som do Mocho Diablo. Foi o auge da cena Stoner e Grunge. Os riffs simples e pesados. A estética simples e crua resgatando o peso do rock sem as firulas ou a polidez que as grandes produções dos anos 80 exigiram. Dessa maneira, não é exagero dizer que é um pouco de tudo, já que cada um tem influencias distintas. Existem claro algumas (várias) coisas em comum tipo Black Sabbath, Queens of the Stone Age, Rage Against the Machine, Kyuss, e por ai vai. Talvez dê pra dizer que o baixo e bateria têm um influência maior do groove e a guitarra e o vocal do punk. Mas todos se encontraram no peso e na simplicidade do som do Mocho Diablo.

– Como é a vida de artista independente no Brasil hoje em dia? O que precisa melhorar?
A vida é muito dificil principalmente do ponto de vista de estrutura. As poucas casas que ainda abrem espaço para bandas autorais, nem sempre tem um equipamento legal, etc. Acho que é tudo uma cadeia, melhorando as casas, melhoram as bandas, que melhoram o publico, que melhora a cena, não necessariamente nessa ordem (risos). O duro é bater no peito e chamar pra si o fomento desse círculo virtuoso. Entendemos nossa parte através do incentivo de algumas coisas importantes: música acessível, gratuita e autoral. Esse tripé percebemos como fundamental pela própria ideia embutida da produção artística autônoma. Parece óbvio promover a criatividade, mas isso hoje é cada vez mais um ato de resistência.Vamos continuar remando contra a pasteurização enquanto tivermos fôlego.

– Quais os planos da banda para 2016?
Alem de tentar mostrar nosso som ao vivo pra mais gente saindo um pouco do circuito SP e conhecer novas cidades, estamos sempre compondo, sempre em estúdio registrando ideias para futuros lançamentos. Cumprimos uma etapa importante que era ter um trabalho relevante no Mercado. Esse ano a ideia é mais pragmática, batalhar o álbum e preparar o terreno pro próximo lançamento.

Mocho Diablo

– Como vocês veem a cena rock no Brasil hoje em dia?
É relevante, principalmente nos meios ditos pouco relevantes, como festivais independentes, casas autônomas, inferninhos, etc. O rock não ocupa a mais centralidade midiática nem nos lugares berço, ou seja, ter gente lançando com qualidade em um lugar onde o rock nunca será majoritário, mostra que temos competência, estamos antenados e fazemos parte da vanguarda criativa.

– Recomendem bandas e artistas (especialmente se forem independentes) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Sempre a gente esbarra com banda boa por ai, bandas como Far From Alaska, Black Drawing Chalks, Orange Disaster, Bloodbuzz, Augustine Azul, Electric Goat Combo são ótimos exemplos.