Mineiros do Valsa Binária preparam o primeiro clipe de seu mais recente disco, “10”

Mineiros do Valsa Binária preparam o primeiro clipe de seu mais recente disco, “10”

19 de outubro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

O Valsa Binária está na ativa desde 2009, quando integrantes de várias bandas de Belo Horizonte se uniram para fazer um som. Desde então, já rolaram dois discos, mudanças de formação e até uma certa mudança de sonoridade. Afinal, em “10” (2015) o grupo se desprende um pouco da música popular brasileira contemporânea para apresentar um trabalho mais variado e criativo, abordando desde o rock até as baladas confessionais, sempre com letras que são quase crônicas musicadas.

Formada atualmente por Leo Moraes (vocais e guitarra), Danilo Derick (voz, guitarra, pianos e sintetizadores), Salomão Terra (baixo) e Rodrigo Valente (bateria) estão agora preparando o primeiro clipe do novo trabalho e excursionando pelo país. Conversei com o quarteto sobre sua carreira e o disco “10”:

– Como a banda começou?

A banda surgiu em 2009, como um projeto de integrantes de outras bandas de Belo Horizonte. De lá pra cá muitas coisas mudaram, como a formação, o cenário e a própria sonoridade do Valsa. O primeiro disco saiu em 2011 e até o lançamento de 10, e atual configuração, tivemos um longo percurso.

– De onde surgiu o nome Valsa Binária?

É um trocadilho meio nerd/musical. A valsa é um ritmo ternário. O binário, de linguagem de computadores, brinca um pouco com isso, como se déssemos uma cara moderna pra algo “antigo”.

– Fale um pouco mais sobre “10”, seu disco mais recente.

“10” foi fruto de um longo processo dentro da banda. Começamos a gravação deste disco, que foi lançado em julho deste ano, a partir de uma lógica natural, em que alguém trazia uma ideia de canção e trabalhávamos em cima. No meio desse caminho, vimos que poderíamos fazer as coisas de uma forma diferente. Na verdade, deveríamos, para não soar mais do mesmo. Várias ideias foram completamente desconstruídas para dar lugar a novas perspectivas. A partir daí reconfiguramos toda a forma de ver e fazer as músicas, de produzir e compreender o que queríamos. Não tem a cara específica de ninguém da banda, mas soa o Valsa que queremos neste momento e estamos construindo juntos.

– Quais são as principais diferenças entre “10” e o disco anterior, de 2011?

Em “10” usamos mais elementos eletrônicos (sintetizadores), temos violão, glockenspiel e, sobretudo, uma liberdade maior para que nos permitiu fazer “qualquer coisa”. Não ditamos uma referência, tipo “queremos parecer com tal som”. Isso acabou levando a diversidade real sonora. Quem quer enxergar uma homogeneidade pode até tentar, mas as faixas são tão diferentes entre si que, muito provavelmente, o trunfo esteja aí. Sobre o processo de gravação também há diferenças. Este é um trabalho de banda mesmo, no sentido de todos terem participado e acompanhado o processo. No primeiro trabalho, o Leo Moraes (vocalista, guitarrista e compositor) acabou sendo o fio condutor do processo de gravação e produção. Desta vez, a banda esteve mais presente.

– Quais são suas principais influências musicais?

O Valsa é uma banda com integrantes que veem e pensam a música de forma bem distinta entre si. Podemos citar algumas confluências, como a nova música contemporânea brasileira, tipo Apanhador Só, Tulipa Ruiz, Amarante. Também estamos ligados em bandas gringas como Spoon, Radiohead e outras. Não podemos deixar de falar dos clássicos Caetano, Beatles… enfim, essa é sempre uma pergunta difícil.

– Porque o rock nacional sumiu das paradas de sucesso?

Com a segmentação graças à internet, a questão da “parada de sucesso” acaba mudando. Hoje é mais justo falarmos de “paradas de sucesso”, no plural mesmo. Tem aquela coisa de bandas/artistas de grandes gravadoras, que tocam sertanejo, funk etc, e tem uma ligação muito forte com rádios, mas tem também aquele nicho de consumo via internet, que não deixa ter sua lista de artistas mais buscados. O rock saiu das rádios, dessa parada mainstream, mas continua gerando novas referências e “listas”. Basta vez as listas postadas em blogs, no fim de cada ano, com os “melhores discos”. Pelo menos agora a coisa é mais democrática.

– Quais são as inspirações para as letras do Valsa Binária?

Nossas letras têm certo toque de ironia, uma poética menos óbvia, mas sobretudo uma tendência que nos leva a discutir sobre coisas corriqueiras. Há um retrato cinematográfico, por exemplo, nas faixas ‘Dona de Si’ e ‘Palhaço’, uma crítica alegórica em ‘Receita’, mas também aquele “lugar comum” do rock reflexivo, como acontece em ‘Céu de Abril’. Todas funcionam como quadros de pequenas crônicas diárias e seus personagens.

Valsa Binária

– A queda das gravadoras e da indústria musical foi boa ou ruim para as bandas independentes?

Ainda é cedo para ter uma perspectiva histórica sobre isso. Mas de certa forma, o resultado parece positivo, mais democrático e realmente aberto para pluralidades. Na real, a banda já surgiu no contexto da internet, então não sofremos com essa transformação como algumas bandas do mainstream que precisaram fazer alguma transição.

– Quais são os próximos passos da banda?

Depois de um longo período em estúdio, agora estamos investindo na circulação, nos shows. Acabamos de chegar de duas apresentações em Porto Alegre, cidade que inclusive abraçou nosso trabalho de uma forma bem interessante. A própria imprensa da cidade nos reservou um espaço muito bacana. Temos algumas ideias de onde passar e estamos trabalhando nisso. Também vamos lançar o primeiro clipe do disco agora em outubro. Acima de tudo continuar fazendo o que gostamos: tocar e divertir as pessoas.

– Recomendem bandas ou artistas que chamaram sua atenção ultimamente (especialmente se forem independentes!).

Podemos ser bairristas? Brincadeira, mas seria interessante falar de Belo Horizonte, cidade que continua sendo um celeiro fértil. Da cidade, podemos recomendar A Fase Rosa, Aldan, Djambê, Nobat, Transmissor, Graveola e o Lixo Polifônico, Lupe de Lupe, Djalma Não Entende de Política, Dibigode, Iconili.

Ouça o disco “10” aqui: