Miêta promete seu primeiro e alucinante álbum, “Dive”, para o segundo semestre deste ano

Miêta promete seu primeiro e alucinante álbum, “Dive”, para o segundo semestre deste ano

26 de julho de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Quem foi que disse que o Facebook só serve para compartilhamento de memes e brigas políticas? Foi um post nessa rede social que gerou a banda Miêta, de Belo Horizonte. A banda traz em seu rock alternativo influências que passam pelo dream pop, shoegaze e indie, com toques de Beach Fossils, Yo La Tengo, Stereolab, Sleater Kinney e Pixies na mistura sonora.

Formado por Marcela Lopes (baixo/vocal), Célia Regina (guitarra/backing vocal), Bruna Vilela (guitarra/backing vocal) e Luiz Ramos (vateria), o quarteto lançou seu primeiro single, “Room” em outubro de 2016, seguido por “Pet”, em março desse ano e “I like You So Much Better When I’m Down”, que saiu em julho como parte da coletânea “C’mon Feel The Noize”, do The Blog That Celebrates Itself. A banda mineira prepara para os próximos meses seu primeiro álbum, “Dive”. “Estamos tentando criar uma experiência auditiva que complemente a experiência já conhecida nesse um ano que estivemos na estrada”, explicam.

A banda bateu um papo coletivamente comigo no chat do Facebook (já que este foi indiretamente o responsável pela formação do grupo, porque não?). Falamos sobre a carreira da banda, seu processo de criação, o machismo no mundo musical, o formato álbum nos dias de hoje e muito mais:

– Como a banda começou?

Bom, Célia e Bruna tocavam juntas numa banda de cover, até que a Célia resolveu começar uma banda autoral e postou num grupo aqui de BH sobre meninas interessadas em começar esse projeto. A Marcela respondeu e a Bruna foi convidada também. As 3 são as integrantes originais da banda, que já teve outras duas baixistas e bateristas antes de o Luiz entrar e a Marcela assumir o baixo também.

– E de onde surgiu o nome Miêta?

Miêtta Santiago foi uma sufragista mineira pioneira na luta pelos direitos civis igualitários nos anos 20. Como somos uma banda com 3 mulheres em posição de protagonismo, achamos que o nome representa bem essa luta diária, principalmente, no nosso caso, dentro da música, que é ainda muito machista, excludente e objetificante.

– Porque a música continua sendo um meio machista? Muitos ainda falam do funk como o único estilo machista, quando sabemos que isso acontece em qualquer estilo.

Sim, todas as cenas de modo geral reproduzem o machismo da sociedade patriarcal em que estamos inseridxs
Não é exclusividade do funk de jeito nenhum. Acho que algumas cenas de funk tem isso mais escrachado nas letras, tratando de sexualidade sem muita massagem, por ex, mas o machismo tá em todo rolê inclusive no meio independente. Acho que o fato é que ocorrem reproduções de discurso e postura machistas qur permeiam nossa vida em sociedade, porque seria diferente no âmbito das artes? Principalmente no rock, que perdeu seu caráter questionador há muito tempo.

– Quais as suas principais influências musicais?

São bem variadas. Do shoegaze ao pop, 80’s, 90’s, rap… cada um trouxe uma carga bem variada pra banda. Acho que nossas figurinhas em comum são bandas como Diiv, Beach Fossils, Melody’s Echo Chamber, Brvnks, My Magical Glowing Lens, El Toro Fuerte, Raça, Chico de Barro, Ventre, Def… Das classiqueiras tem Sonic Youth, Dinosaur Jr, American Football, Pixies, Sleater Kinney.

Miêta

– Por falar nisso, vocês veem um levante feminino na música acontecendo nos últimos tempos? Até no sertanejo isso pode ser visto, com o “feminejo”

Acho que o que está acontecendo, graças a um corre de empoderamento das minas pelas minas, é que elas tem se sentido mais seguras para tocar pra frente seus projetos sem aquele peso do silenciamento que nos diz que não somos boas o suficiente. Rompendo estereótipos de gênero e ocupando espaços que nos foram negados, como os palcos, em que sempre fomos reduzidas a estereótipos que diziam do.local que nos foi delegado historicamente. Achamos incrível que isso esteja acontecendo e lutamos para que se amplie cada vez mais, em todo e qualquer cenário, porque produzimos e somos igualmente capazes, qualidade de trampo n diz respeito a genitália. A gente tá dando o grito, parando de ser conivente com a ideia que nos foi vendida historicamente de que existe um lugar de mulher. Lugar de mulher é onde ela quiser!

– Me falem um pouco sobre o material que vocês já lançaram!

Lançamos os singles “Room”, em outubro do ano passado, “Pet”, em março desse ano e “I like You So Much Better When I’m Down”, que saiu em julho como parte da coletânea “C’mon Feel The Noize”, do The Blog That Celebrates Itself.

– E estão planejando um disco completo?

“Pet” foi lançada com clipe, nosso primeiro, dirigido pelo Jonathan Tadeu, e fala justamente da importância de nos desvencilharmos de relacionamentos tóxicos, seja amoroso, familiar, de amizade etc. Sim. Nosso disco já foi todo gravado e estamos trabalhando no processo de mixagem agora. Ele deve sair assim que a gente conseguir considerar ele pronto pro mundo. O que é bem difícil. Mas de agostyo não passa. (Risos) O nome é “Dive”.

– E o que dá pra adiantar do “Dive”?

Bom, as músicas são composições que fizemos desde quando éramos só Marcela, Bruna e Célia, até composições mais recentes que fizemos junto com o Luiz. Então, é realmente um caldeirão de influências, baseado na barulheira e vigor que já são conhecidos dos shows. Estamos tentando criar uma experiência auditiva que complemente a experiência já conhecida nesse um ano que estivemos na estrada, fazendo shows!

– E como é o processo de composição da banda?

Geralmente criamos ideias em casa, trabalhamos juntxs também em casa numa estrutura básica e evoluímos essas ideias em estúdio.

Miêta

– Vocês acreditam no formato disco? Hoje em dia percebemos que o formato álbum tem caído, com as pessoas preferindo músicas soltas nos serviços de streaming. Como vocês veem isso?

O streaming possibilitou que uma vasta produção independente realmente tivesse escoamento. Porque o lançamento físico, afinal, requer um orçamento de qualquer forma. Além disso, é a forma de consumir música que tem tomado mais espaço. É o que consegue chegar nas pessoas de forma mais eficiente. Mas, de toda forma, sendo uma banda independente, não dá pra abdicar de qualquer opção de merchandising que seja interessante. então talvez o formato padrão com caixinha de acrílico e encarte esteja mesmo ultrapassado, mas se a gente explora uma apresentação diferente, ou agrega o disco num outro tipo de produto, pode ficar interessante. o fã da música independente ainda vê valor nesse tipo de produto e sabe que a venda é uma forma de manter a banda funcionando. então o pessoal acaba comprando alguma coisa. E em relação à disco X música solta:
acho que o disco apresenta um produto mais amplo e formatado do que a banda pode apresentar. É uma carta de apresentação em que acreditamos por ser concisa e, ao mesmo tempo, mostrar a capacidade de pluralidade sonora da banda.

– Quais os próximos passos da banda?

Vamos sair em turnê nessa sexta agora e vamos passar pelos quatro estados do sudeste em quase uma semana e meia. Estamos bem animados com isso. Além disso, nossa preocupação tem sido voltada para a finalização do disco e o seu lançamento. A partir daí, vamos focar em divulgação, novos projetos, novos contatos com outras bandas e novos shows para manter tudo em movimento. 😉

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram a sua atenção nos últimos tempos!

Nossa. É muita coisa (Risos). Vamos acabar esquecendo de alguém. Mas vamos lá: In Venus, My Magical Glowing Lens, Loomer, Ventre, Lava Divers, Justine Never Knew The Rules, Katze Sounds, Papisa, Lari Pádua, El Toro Fuerte, Fernando Motta, Fábio de Carvalho, Chico de Barro, Não-Não Eu… Calma, tem mais (Risos). Young Lights, Sky Down, KKFOS, Leões de Marte, Sick, Soft MariaMusa Híbrida, Leões de Marte, Canto Cego, SUPERVÃO, Raça, The Outs, Hierofante Púrpura, Marrakesh, The Us, Sabine Holler, Conjunto Vacio, Roboto, Rebelde Sem Calça, Billy Negra… Gomalakka, Valciãn Calixto, TheuzitzO Mar Cobrindo O SolTerno Rei, The Junkie DogsKill Moves, ReadymadesPelosDV TriboCarmem FemSubversa, BrvnksSci-Fi, Luv Bugs, Old Stove, Vulgar GodsSLVDRRoger DeffBertha LutzPapisamaquinas, Wry, Pin Ups, ZonbizarroLava DiversConfeitaria, Grupo Porco de Grindcore Interpretativo… Nossa, quer apostar o que que a gente ainda vai esquecer gente? Rio Sem Nome, Marcelo TofaniEma Stoned