Los Volks se renova com o lançamento de primeiro single com nova formação, “Vitral”

Los Volks se renova com o lançamento de primeiro single com nova formação, “Vitral”

19 de maio de 2020 1 Por João Pedro Ramos

A banda Los Volks, do Guarujá (SP) lançou recentemente um single apaixonado, melancólico e cheio de personalidade para marcar sua mudança de formação. Contando com participação especial da paraguaia Dahiana Samudio, “Vitral” foi gravada entre novembro de 2019 e março deste ano e foi produzida por Cláudio Júnior e Theo Cancello. “Girl In Red e Sharon Van Etten foram influências mais que diretas para a composição da melodia dessa música”, conta o vocalista Pablo Mello.

A faixa já foi reconhecida internacionalmente, aparecendo nas paradas australianas na Banks Radio Australia, além de colocar o quarteto na 24ª posição no Top 40 da Indie Alliance na segunda semana de abril.

Sobre o trecho em espanhol cantado por Dahiana Samudio, Pablo conta que “adicionar algo nessa língua foi quase que instintivo pra mim. Sou aficcionado por diversas bandas latinas de rock. Cafe Tacvba, El Cuarteto de Nos, Pescado Rabioso, Gustavo Cerati, Fito Paez, enfim”.

A banda, que hoje conta com Pablo Mello no vocal e violão, Isabella Araújo no baixo, Carolyn Areias na voz e Paulo Arbeli na guitarra, foi formada em fevereiro de 2014 e eleita pelo Jornal A Tribuna como o 69º artista mais influente da Baixada Santista do século 21.

– Como rolou o ressurgimento do Los Volks e como isso impacta no som da banda?

Não sei se o lançamento do novo single é exatamente um ressurgimento. A banda nunca parou. Lançamos nosso primeiro disco em março de 2019… É claro que tivemos certo baque com a saída de dois membros poucos meses depois. Contudo, seguimos divulgando o disco com shows e videoclipes. Num primeiro momento, tivemos membros de apoio nas performances ao vivo. Assim, o Paulo tocou com a gente em dois shows, antes de ser integrado oficialmente como membro em outubro de 2019. A “Vitral” foi uma das músicas que compus nos meses que sucederam o lançamento do álbum de estreia da Los Volks. Todos os membros curtiram a faixa logo de cara. A música estava bem crua quando eles ouviram. Ainda era uma espécie de bossa. Mas em conjunto, alinhamos o instrumental para que a melodia soasse mais energética. A ideia era trazer também algo que fosse interessante para as performances ao vivo. Dessa forma, levando todo esse contexto em consideração, vejo que trata-se de uma nova fase da Los Volks, ao invés de um ressurgimento.

– E como essa nova fase difere da anterior?

Nessa nova fase, contamos com a entrada do Paulo, que nos proporcionou um amadurecimento maravilhoso. Conseguimos soar como gostaríamos: Isto é, ainda misturamos influências de nomes do indie contemporâneo, do rock alternativo e da MPB. Porém, a melancolia agora ocorre em meio à energia, de alguma forma. Por isso, preferimos gravar a música com a guitarra segurando a base em contraponto ao violão que carrega todo nosso disco de estreia.

– De alguma forma, vocês ganharam um pouco mais de peso.

Acredito que sim.

– Me conta mais sobre a faixa que vocês estão lançando.

Nas sessões de gravação de guitarra, pedi pro Paulo pensar em timbres que se remetessem ao britpop. Coisas como Supergrass e Blur, por exemplo. “Vitral” é uma música muito importante pra gente. É a primeira com a nova formação. E é também uma música que mostra muito da nossa própria evolução na música, pra gente mesmo. Ainda assim, acredito que conseguimos manter o espírito de “pop rock triste para jovens inquietos” nessa faixa. A letra da música surgiu após uma noite que tive com um pessoa que eu estava saindo em no meio do ano passado. E na letra, retrato o sentimento de estar completamente entregue a ela, naquele momento. É também uma reflexão sobre o quanto essa entrega pode ser auto destrutiva, caso as coisas não ocorram como o esperado. A gente tende a se perder no meio dessas paixões meio intensas.

– Você citou Blur e Supergrass como influências dessa nova fase. Que outros artistas pode citar que inspiram o novo momento do Los Volks?

Girl In Red e Sharon Van Etten foram influências mais que diretas para a composição da melodia dessa música. A introdução da “Vitral”, inclusive, é inspirada em “We Fell In Love In October” da Girl In Red. Sobre a parte da Sharon: A “Vitral” estava finalizada, ainda sem pianos e sem o trecho em espanhol. Contudo, certo dia mostrei “Seventeen”, da Sharon Van Etten para o Paulo numa dessas idas ou vindas de ensaio no carro. Ele automaticamente encantou-se e sugeriu a adição de teclados e sintetizadores na “Vitral”. Ou seja, uma faixa da Sharon nos fez pensar em rever a nossa música. Assim, gravamos teclados e afins, que fecharam a mix. Aliás, sobre o trecho em espanhol da música: adicionar algo nessa lingua foi quase que instintivo pra mim. Sou aficcionado por diversas bandas latinas de rock. Cafe Tacvba, El Cuarteto de Nos, Pescado Rabioso, Gustavo Cerati, Fito Paez, enfim… Tudo isso também soa como influência pra mim há algum tempo. E bem, acabou enfim respingando na banda também.

– E diferente de uns anos atrás, o Brasil finalmente se abriu para letras em espanhol e uma entrada maior de bandas e artistas latinos, né.

Com certeza. Isso é interessante demais, inclusive. O reggaeton virou música de massa por aqui até. Acho que é uma coisa global. Seria inevitável não chegar aqui assim. Eu, particularmente, comecei a curtir rock em espanhol por causa das Vespas Mandarinas. Eles fizeram versão de três músicas assim até 2017, e isso me marcou muito.

– Esse single vai fazer parte de algum disco ou EP?

Por enquanto, é apenas um single, mas talvez, futuramente, integre um disco novo. Ainda não sabemos.

– O coronavirus foi um balde de água fria em toda a classe artística. Como vocês estão vendo essa situação e como estão se virando?

É realmente uma situação complicada. Tivemos de parar os ensaios e paramos com os shows. Enquanto não podemos retornar aos palcos, seguimos com a divulgação do nosso trabalho nas redes sociais. O single novo também é uma forma de manter a banda ativa no meio desse turbilhão todo.

– Uma curiosidade que sempre tive: de onde saiu o nome da banda?

O nome da banda surgiu ainda em 2013. Na época, eu tinha me reunido com dois amigos da escola para forma rum projeto de folk, que se chamaria Los Folks – mas acabou se intitulando Los Volks porque Los Folks já existia. Ou seja, trocamos o F pelo V para que ainda soasse legal e se remetesse ao gênero. O projeto não foi pra frente, então, em 2014, quando fundei a Los Volks, decidi reaproveitar o nome, com aprovação das pessoas com quem toquei anteriormente. A ideia em seguir com o nome foi em utilizar algo que fosse sonoramente agradável, tanto aqui como na gringa.

– Recomende bandas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Recomedaríamos os amigos das bandas Personas, Sound Bullet e Ventilador de Teto.