Letty and the Goos prepara novo material diversificado e furioso para 2017

Letty and the Goos prepara novo material diversificado e furioso para 2017

15 de fevereiro de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Letty começou sua carreira musical sozinha, gravando covers e composições próprias em seu perfil no Soundcloud, o que desencadeou o EP “Anywhere But Here”. Agora, acompanhada de Lívia Tellini (bateria) e Arian Nogueira (guitarra), a vocalista e guitarrista continua sua carreira com o Letty and The Goos, que prepara novo material ainda para este ano. Um bom aperitivo do que está por vir é “Chains”, divulgada em versão demo no Bandcamp do trio.

Entre as influências citadas para os novos sons estão Far From Alaska, Travelling Wave, Hellbenders, Water Rats e Black Drawing Chalks, além de nomes consagrados como The Cramps, Stooges, David Bowie, Dead Boys e até Queen. O trio afirma que as novas músicas são muito diferentes umas das outras, o que promete um novo trabalho muito diversificado e surpreendente.

Conversei com a banda sobre sua nova fase, as novas composições, a cena independente atual, o machismo no mundo da música e muito mais:

– O projeto começou só como Letty, né?

Letícia: Sim, porque era outra formação e eles eram realmente uma banda de apoio. Agora como resolvemos ser uma banda pra valer, que compõe junto, escreve e arranja, acrescentamos o nome!

– E como se formou o Letty and the Goos? Como essa formação influenciou o som?

Letícia: A gente teve a ideia de se reunir quando eu contei pro Arian e pra Livia que ia mudar de volta pra Itapira (morei a vida toda aqui, mas mudei pra SP em 2015). Aqui é muito difícil encontrar gente disposta a mergulhar no autoral, então deu muito certo logo de cara. Trouxemos as nossas influências pra dar uma cara própria às músicas do EP que eu já tinha gravado. ah, vale lembrar que o Arian e a Livia são um casal há 7 anos e sempre tocaram juntos!

Livia: E o Arian começou a tocar por causa de mim (risos)

– Contem essa história direito! (risos)

Livia: A gente sempre foi muito amigo desde os 14 anos. Ele vinha sempre andar de skate na rua da minha casa.
Aí, depois de alguns anos, acabamos ficando juntos. E eu já tocava, ele sempre ia me ver tocar. Uma vez tinha uma guitarra no meu quartinho de ensaio e ele começou a tocar e a partir daí não parou mais e sempre tocamos juntos!

– Quais são as principais influências da banda atualmente?

Letícia: Tudo que é banda nova! principalmente brasileira. A gente gosta muito de Far From Alaska, Travelling Wave, Hellbenders, Water Rats.

Livia: Black Drawing Chalks também.

Letícia: Embora as nossas influências pessoais sejam um pouco diferentes, mas pra compor a gente vai fundo nessas bandas. Minha influência vem principalmente do punk rock e garagem. Amo The Cramps, Stooges, Dead Boys… Mas em compensação, minha banda preferida da vida é Queen. Então nem sei dizer direito (risos). Minhas inspirações de vida são a Patti Smith e o David Bowie.

Livia: Pra mim, na bateria, essas bandas que a Leticia falou me influenciam muito também. Gosto muito de Sonic Youth.

Letícia: Ah! também sou beatlemaniaca (risos)!

Livia: E do Dave Grohl no “Songs for the Deaf” do Queens Of The Stone Age. Também adoro punk, minha primeira banda era basicamente punk.

Arian: Como guitarrista, dos gringos gosto muito do Josh Homme do Queens of the Stone Age e do John Frusciante do Red Hot Chili Peppers, mas gosto demais mesmo de uma galera do Brasil como o Lúcio Maia do Nação Zumbi, Fernando Catatau do cidadão instigado, Rafael do Far From Alaska, Thiago Altafini do Travelling Wave e por aí vai.

Letty and the Goos

– Vocês já estão trabalhando em músicas novas, correto? Já tem “Chains” demo lá no bandcamp.

Letícia: Sim! estamos com 10 músicas no repertório!

– Podem me falar um pouco delas?

Letícia: Então, boa parte delas veio do EP “Anywhere But Here”, com uma roupagem nova e mais pesada
mas a gente tá finalizando 3 novas.

Livia: Cada uma bem diferente da outra (risos).

Letícia: É, uma não tem nada a ver com a outra (risos). Assim que é da hora!

– Como vocês veem a cena independente brasileira hoje em dia?

Letícia: Tá linda demais e cada vez mais fortalecida

Livia: Cada vez melhor. Acho que quase todo dia eu descubro uma banda nova, uma melhor que a outra.

Letícia: As bandas se apoiam, existe uma troca entre o público, os veículos independentes que apoiam os shows, é muito bonito.

– Como vocês acham que essa cena deve evoluir daqui pra frente? Como chegar ao público além do underground?

Livia: Eu acho que falta o público mais geral ir atrás dessa cena. Porque ela tá ai pra quem quiser conhecer, cheia de material de divulgação na internet inteira, sempre rolando shows…

Letícia: Eu acho que só tem a crescer e melhorar.. mas não é a cena que chega ao público, é o público que tem que chegar a cena.

Livia: E a maioria não vai atrás porque nem sabe que existe!

Arian: A respeito da cena, concordo com o lance do público ir até a cena, buscar conhecer as bandas novas, abrir a cabeça e descobrir que a música não acabou no Nirvana e menos ainda no Led Zeppelin

Letícia: É! Ou tá falando mal antes de conhecer. Tem gente que nem quer conhecer, aí a gente não pode ajudar muito (risos).

Livia: É, aqueles que pararam nos anos 70…

– E qual a opinião de vocês sobre quem diz que o “rock morreu” e as “boas bandas de rock brasileiro já não existem”?

Letícia: Ai olha.. Na real eu tenho pena. porque tá perdendo um monte de coisa legal acontecendo.

Livia: Totalmente por fora dessa cena. Depois que eu conheci essas bandas brasileiras eu praticamente só escuto elas. Acho que isso pode acontecer com as outras pessoas também, né.

Letícia: Não sei quando inventaram que o rock morreu. O rock morreu pra quem fica enfiado em casa ouvindo os vinis empoeirados do Kiss e achando que tudo acabou no Nirvana. Ah, azar o deles, né?

Letty and the Goos

– Como é o processo de composição da banda atualmente?

Letícia: Geralmente cada um de nós tem uma ideia espontânea e leva pra mostrar no ensaio, aí a gente junta tudo e vai moldando. Eu particularmente não consigo fazer a música sem letra, então já levo o esqueleto e vamos acrescentando. E como somos ansiosos, precisamos acabar no mesmo dia a música, senão não dormimos (risos).

Livia: (Risos) Sim. Eu vou encaixando a bateria nas ideias deles.

Letícia: Como não temos baixo e sim duas guitarras, a gente sempre define bem o que cada uma faz, então cada instrumento é bem independente dentro da banda.

– Com duas minas na formação, como vocês lidam com o machismo ainda presente no mundo da música (e não só nesse mundo)?

Livia: Eu particularmente nunca passei por nenhuma situação chata por ser mulher. Pelo contrário, sempre fui bem recebida.

Letícia: Acho que só de ter duas mulheres na banda já é um ato de resistência em si. Dar as caras  é provar que esse mundo é nosso também. Mas sempre rolam uns comentários “você toca melhor que muito homem”, né (risos).

Livia: (Risos) É! Ou então “Nossa, nunca pensei que você tocasse!”.

Letícia: Aham. Bandas com minas são importantes porque podem inspirar outras meninas a querer fazer a mesma coisa. Tipo, eu só descobri que podia tocar guitarra quando vi a Joan Jett, antes disso minhas referências eram todas masculinas. Agora já tem um monte de banda com mulher e as pessoas estão começando a se acostumar e receber bem. E se não receberem bem, foda-se, a gente vai continuar fazendo!

Livia: A maioria das bandas brasileiras da cena independente tem pelo menos uma mulher e isso é demais. Uma se inspira e se apoia na outra!

– Então a cena independente atualmente tá ajudando a lutar contra o machismo!

Livia: Muito! Mais uma coisa boa que ela proporciona.

Letícia: Sim! O futuro é autoral e feminino! ❣

– Vocês estão tocando em diversos lugares e em breve tem show na São Paulo cinza. O que as pessoas podem esperar dos shows?

Letícia: O que podem esperar da gente é: muito barulho e uma música diferente da outra! Aqui nosso estilo é todos os estilos. Nosso show vai ser uma geleia musical (risos).

Arian: Exatamente. Não tem rótulo!

– Fala aí alguns ingredientes dessa geleia musical para as pessoas saberem um pouco do sabor dela. ?

Livia: Tem músicas mais pesadas, tem umas mais bonitinhas e melódicas. Tem música de protesto também, muito importante.

Letícia: Tem música de decepção amorosa, de raiva, de tristeza. Tem música dançante, mas tem música stoner…

– Quais os planos da banda para 2017?

Livia: Tocar em todo lugar que quiser a gente. Gravar EP, CD, tudo!

– Finalmente: recomendem bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos e todo mundo devia ouvir!

Arian: Travelling Wave, Ventre, Hellbenders, Water Rats, Muñoz, Far From Alaska, Deb and the Mentals

Livia: Corona Kings, Moxine, Macaco Bong

Letícia: Ostra Brains, Trash No Star, Bertha Lutz, Color for Shane, Sky Down