Jack Daniel’s Saloon, ou Lynchburg a duas quadras do metrô Pinheiros

Jack Daniel’s Saloon, ou Lynchburg a duas quadras do metrô Pinheiros

12 de novembro de 2015 0 Por Pedroluts

Lemmy Kilmister, Keith Richards, Frank Sinatra. Os três apreciavam um bom gole de Jack Daniel’s, cada um a sua maneira. Além do gosto pelo legítimo whiskey de tennessee, o trio possuía em comum a sede pela essência, mesmo que em diferentes gerações e abordagens.

Pelo segundo ano em São Paulo, o Jack Daniel’s criou um bar temático, dessa vez instalado em frente ao Largo da Batata, em Pinheiros. Ao sair da estação Pinheiros de metrô e caminhar até o Jack Daniel’s Saloon, o trecho é um passeio turístico, talvez inusitado. Um bar com música voz e violão, outro com jukebox do melhor da música brega, enquanto uma lanchonete durante o dia vira uma boate ao anoitecer, com grupo formado por violão, bateria eletrônica e um vocalista que se apresenta como se estivesse em um estádio. Respeitável.

foto por Pedro Couto

foto por Pedro Couto

Ao adentrar no Jack Daniel’s Saloon, entra-se no universo de Jack Daniel’s, jarros de milho, centeio e cevada ganham foco de luz; frases de efeitos, típicas do Velho Jack, ficam expostas por todo o bar; pedaços de carvão – ingrediente para a filtragem que garante o selo de “tennessee whiskey” ao invés de bourbon – ganham a forma de cortina para que a imersão à marca seja tão precisa quanto sua receita.

O cardápio, obviamente, é centrado no Jack, com drinks clássicos como Jack & Cola até outros exclusivos. Além da linha padrão deles – Old Nº7, Honey, Gentleman… até o modelo em homenagem a Sinatra está à venda -, cervejas importadas e outras opções também estavam a disposição.

Até o momento, tudo parece fazer sentido: uma viagem direto para Lynchburg… a duas quadras do metrô. Mas…

A grande maioria do público não parecia querer estar lá pelo significado do local. A geração pós-‘Eu Fui!’ honrava a frase. Estava lá pelo registro de estar e não pela memória de viver. A banda, Leite Paterno, que infelizmente focou o show no “Nevermind” do Nirvana, fingia um rock que soava tão irônico quanto pasteurizado. O público gostava das radiofônicas, ignorando o significado da obra. O vocalista mencionou Krist Novoselic como “o baixista lá…”. Resumindo: o que o bar oferecia de imersão e significados se transformava em pasteurização de estilo harmonizado com um molho ralo de gente escrota.

O show do Leite Paterno talvez tenha ficado íntegro e honesto quando eles começaram a tocar as músicas próprias. Porém, neste momento, metade da pista já não via utilidade para estar lá. Relembrar, então, muito menos. Já estava tudo no Instagram.