Güelfi busca as raízes de nossa ancestralidade em “Tupilatim”, single que dá nome a seu primeiro álbum

Güelfi busca as raízes de nossa ancestralidade em “Tupilatim”, single que dá nome a seu primeiro álbum

24 de setembro de 2018 0 Por João Pedro Ramos

Das entranhas da banda Arara Saudita saiu o projeto Güelfi, de Vinicius Güelfi. Acompanhado nos palcos por Bruno Mulinario, engenheiro de áudio e produtor de diversos trabalhos independentes e Lucas ‘Da Lua’ Falcão, baterista com 1000 bandas e muita estrada, o projeto surgiu com a vontade de Vinicius de criar algo autoral e sem amarras, o que começou com o single “6x Sem Juros”, com uma cara de jingle, e mais recentemente, com “Tupilatim”, uma celebração da história brasileira e nossa ancestralidade. Tupilatim se refere ao processo de mutação da linguagem que culminou no português brasileiro, falando um pouco de miscigenação, mistura, costumes e cultura.

– Como nasceu “Tupilatim”?
Nasceu do carinho e interesse com a nossa história, as raízes da nossa ancestralidade. Tupilatim é o processo de mutação da linguagem que culminou em nosso português, mas é também a transformação dos costumes, da cultura, do que aconteceu e nos impacta até hoje, conhecer nossa história é entender um pouco mais de nós mesmos e do nosso futuro.

– Como foi a composição desta música?
Eu tinha o refrão e trechos dos versos iniciais em português desde 2014, resolvi gravar um arranjo de bateria, baixo e guitarra ano passado e ver como ficava, conforme fui ouvindo fui improvisando e acrescentando tudo que tá em inglês, por fim, ano passado inclui tudo que vem depois do refrão, instrumentos, arranjo, letra. Fiz tudo em casa no meu home-studio.

– Me conta mais sobre “6x Sem Juros”, seu primeiro single
Era pra ser uma trilha, um “jingle” publicitário com um vídeo animado e explicativo pra rodar na internet. Teriam criticas pontuais em relação ao funcionamento das empresas e a relação com a produção e o meio ambiente. Algo didático e interativo pra quem consome conteúdo na internet. Percebi que eu poderia dizer no meu trabalho solo exatamente aquilo ali ao invés de encarar como projeto comercial.

– Essas músicas farão parte de um álbum ou EP?
Sim, o álbum se chama ‘Tupilatim’ e em outubro lançaremos um novo single chamado “Ó.R.F.Ã.O”, até o fim do ano o álbum completo estará liberado nas principais plataformas em parceria com a Tratore, que tem levado a gente até pro oriente e isso é historicamente incrível.

– Como surgiu este projeto?
Eu toco desde os 14 anos, sempre tentei compor minhas coisas, mas sempre foquei em conjunto banda, os últimos 4 anos estive focado numa banda chamada Arara Saudita e em um determinado momento quis praticar minhas habilidades na produção, mixei 26 vezes “As Caravelas Já Foram Queimadas”  um disco visual que lançaríamos em 2017, fui praticando diariamente por um ano, até que no fim do ano passado me senti seguro pra produzir meu próprio disco e direcionar algo exclusivamente meu. Hoje me acompanham nos palcos Bruno Mulinario, engenheiro de áudio do disco e produtor de diversos trabalhos independentes e Lucas ‘Da Lua’ Falcão, um puta baterista com 1000 bandas e muita estrada que abriu um espaço e tá comigo nessa.

– Como você vê o mainstream na música hoje em dia e a falta de diversidade de estilos nas paradas de sucesso?
Eu vejo uma indústria ainda muita mecanizada, lucrando e favorecendo o lucro através de grandes corporações que manipulam os resultados lá de cima em varios setores da cadeia produção+divulgação, facilitando o acesso de alguns, como sempre. A censura hoje não é impedir as produções e sua divulgação, mas há filtros que estabelecem quem receberá essa publicidade e se tornará o foco do próximo verão. As pessoas adoram a diversidade muito mais do que a indústria nos faz crer, vivemos sim um grande avanço tecnológico que favoreceu os artistas independentes, muita gente incrível tem saído de locais distantes e ganhando o Brasil e o mundo graças a liberdade que a internet propõe, mas ainda há uma indústria, as grandes mídias e uma fusão disso tudo com as pessoas ‘certas’ aplaudindo você.

– Quais as principais influências para o som deste projeto?
Eu adoro musica brasileira, de Carlos Gomes e Pixinguinha até produções atuais de gêneros mil. Sempre gostei da inventividade crítica das canções brasileiras, e hoje encontro muito disso no rap e na cultura hip hop. Não cresci ouvindo mas tenho sido um estudioso do gênero, ali você encontra uma visão da realidades atual dita e produzida com maestria. Bossa, Tropicália, música caipira, rock e muita coisa dentro do gênero, choro, samba. leio tudo que posso, ouço tudo que foi gravado. Música cubana, funk, jazz, salsa, musica americana e inglesa dos clássicos ao objetivo mais popular do momento, como produtor me provoco a ouvir tudo.

– Qual sua opinião sobre a cena musical independente hoje em dia?
Pegando fogo. Cheios de sonhos reais, pé no chão e vontade, muita gente produzindo como pode por livre espontânea vontade, dizendo o que quer, se apoiando mutuamente, pessoas produzindo, gravando, pessoas escrevendo e divulgando essas produções, festivais e shows cada vez mais ganhando público. Há um fluxo, sinto que é um momento especial e a cena esta como sempre, ciclicamente sendo construída com muito zelo e cada vez se profissionalizando em todos os processos.

– Quais os próximos passos da banda?
Lançar um single mês que vem e o disco até o final do ano, fazer shows e pensar em novas produções pra 2019.

– Recomende bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Voltei ontem de uma viagem e tive a oportunidade de conhecer Murilo Sá e Goldenloki no Hacktown – MG, gostei muito, coisas novas sendo ditas de novas formas, acompanho e admiro demais o artista Edgar, que está com seu recém lançado disco ‘Ultrasom’ , são verdades que precisam ser ditas.