“Get Crazy” – Uma comédia idiota dos anos 80 com um Lou Reed de óculos escuros

“Get Crazy” – Uma comédia idiota dos anos 80 com um Lou Reed de óculos escuros

14 de julho de 2017 1 Por Guilherme Gagliardi

Get Crazy (Get Crazy – Na Zorra do Rock)
Lançamento: 1983
Direção: Alan Arkush
Roteiro: Danny Opatoshu
Elenco Principal: Malcolm McDowell, Daniel Stern e Allen Garfield

Get crazy and get high…

 

Curte um um bagaço idiota? Então “Get Crazy” é pra tu!

Curte Lou Reed? É pra tu também então!

A sinopse de “Get Crazy”, que aqui ganhou o bizarro subtítulo “Na Zorra do Rock”, é bem simples: Num teatro de sucesso que passa por dificuldades financeiras, os funcionários trabalham no dia 31 de dezembro de 1981 preparando o show de Ano Novo. Um babaca escroto podre de rico que já trabalhou na tal casa de shows, quer comprar o lugar pra construir um tipo de shopping meio estranho, mas o dono se recusa a vender, mesmo depois duma oferta absurda. O filho do dono contudo, se interessa pela oferta absurda e entra num esquema com o escroto podre de rico pra destruir o lugar com uma bomba.

Ao longo do dia, os funcionários vão recebendo os músicos que vão se apresentar durante o show da virada (tirando um sarro de todas as “tribos” da cultura urbana novaiorquina dos anos 80), enquanto o dono do teatro, se recuperando dum infarto que tivera mais cedo após briga com o escroto podre de rico, contata um músico famoso que vivia recluso sem se apresentar há muito tempo e explica que poderia ser o último show que ele assistiria, que tinha tido um infarto e que qualquer hora podia “bater as botas”. O cantor recluso, interpretado pelo grande, querido e sempre de óculos escuros Lou Reed, lembra a figura do Dylan em alguns momentos da sua carreira (a homenagem chega ao ponto duma cena reproduzir a capa dum disco do anasalado), e aceita na hora o convite. Sai de casa com a guitarra em mãos, compondo a música dentro dum táxi que dá voltas e voltas por uns lugares bastante aleatórios pra chegar no teatro. Ainda há tempo da última cena, com os créditos passando junto com isso aqui:

 

Só digo uma coisa, não digo nada, e digo mais, só digo isso…

Os músicos que fazem parte do show são em alguma medida referências á ídolos pop da época: um sex-symbol arrogantão que lembra o Jagger, uma vocalista de banda que mistura Debbie Harry e Pat Benatar, um punk louco que fica acorrentado pra não quebrar nada, que é uma mistura de Iggy Pop e Sid Vicious, e um bluseiro que lembra o icônico Muddy Waters (por sinal, no filme aparecem na voz desse cara uns sons do Muddy).

O filme, com uma linguagem humorística meio típica dos anos 80 (lembra pacas o “Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu”), se apropria ainda de alguns recursos metalinguísticos, criando uma espécie de tiração de sarro de si próprio, com letreiros como “boy meets girl” que parecem fazer uma referência ao esqueleto das comédias românticas (e poxa, em alguma medida, esse aqui não deixa de ser uma).

Sobre as músicas, além da faixa do Lou Reed, acho legal de destacar o ramônico “Chop Suey”, no filme interpretado pela girl-band da mina que é a mistura da Debbie e da Benatar, que lembra, por sua vez, a banda pop the Go-Gos.

Galera, é isso, quem curte uma comédia oitentista, assiste lá!

Segue como sempre, link pro filme e pra trilha!

Filme:

Trilha sonora (em playlist) (a playlist não contém todas as músicas, juro que tentei, mas não consegui achar tudo…):

Ah! E um agradecimento especial ao amigo Frank Nabeta que me mostrou o filme e com quem discuti sobre, possibilitando minha análise num nível mais profundo!