Garimpo Sonoro #3 – Negritude Sênior: 4 Sambistas das antigas que valem ouvir sempre

Garimpo Sonoro #3 – Negritude Sênior: 4 Sambistas das antigas que valem ouvir sempre

22 de outubro de 2015 1 Por Pedroluts

Tenho uma tendência à cultura estrangeira que às vezes me presenteia de culpa. E pensando bem, apesar dessa preferência, eu também gosto, e muito, de muita coisa feito por aqui.

Talvez o que me faça gostar tanto da cultura tradicional americana, por exemplo, seja a maneira como eles trabalham com a dor. O blues e o country, em sua essência, são lamentações da alma diante das agressões da vida. Aqui no Brasil, trabalhamos de uma maneira um pouco diferente, né?

Um dos melhores exemplos é Fagner e sua “Pedras que Cantam”:

https://www.youtube.com/watch?v=ctgoIL1ssY4

Um puta clima de festança, azaração e exaltação da alegria! Mas veja bem o começo da letra: “Quem é rico mora na praia mas quem trabalha nem tem onde morar/ Quem não chora dorme com fome mas quem tem nome joga prata no ar”. Ué?!?

Enfim, vamos logo à temática da semana: sambistas das antigas que eu acho não só fodásticos como relevantes. Todos trabalham os dissabores da vida de uma maneira intensa. Alguns, conseguem acalentar o amargor da vida, adocicando um pouco nossa passagem por aqui.

1) Cartola

Figurinha carimbada, eu sei. Mas ele é assim por uma razão! “Sim”, por exemplo, é um questionamento moral, ético AND religioso! É belo, intenso e, se você ainda não passou por essas questões… aguarde!

2) Nelson Cavaquinho

“Tire o seu sorriso do meu caminho/ Que eu quero passar com a minha dor”. Puta que pariu! Para quem é fã de Bob Dylan, ouvir um brasileiro dizer isso é a coisa mais dylanescamente nacional que se pode ter. E sem contar a voz “rústica” de Nelson, é claro.

https://www.youtube.com/watch?v=yIyzevxt6Eo

3) Paulinho da Viola

A primeira vez que ouvi essa música, na verdade tive que ouví-la umas três vezes seguidas. (Aliás, tem um documentário FODÁSTICO sobre ele, “Meu Tempo é Hoje”. Assista e aprenda o quanto antes). Minha dica é tocar “Meu Mundo é Hoje” periodicamente… e repetir mentalmente seu poema completo, como um mantra.

3) Adoniran Barbosa

Se Nelson é o Bob Dylan do samba, Adoniran é o Tom Waits com cavaquinho. Há a tristeza, mas há algo mais… uma risada no canto na boca pelos percalços e ironias de se viver. Deixemos as tristezas um pouco de lado, peguemo um copo de cerveja, e bóra se divertir: porque sofrer é a certeza de que vives.

https://www.youtube.com/watch?v=lpEAQg6LEtg

4) Lupicínio Rodrigues

Ah, a vingança. Que sabor, que perfeição que ela é, não? Lupicínio, o rei da “dor de cotovelo”, nos presenteia com um relato que alegra e inveja ao mesmo tempo.
Tome nota:
“Eu gostei tanto,
Tanto quando me contaram
Que lhe encontraram
Bebendo e chorando
Na mesa de um bar,
E que quando os amigos do peito
Por mim perguntaram
Um soluço cortou sua voz,
Não lhe deixou falar.”

Existem inúmeros outros sambistas que eu acho fodástico… isso sem contar aqueles que flertam com o estilo – vide Baden Powell e Virgulóides (por que não?!) (risos)

Tem alguma dica? Manda pra cá!