Freddie Gibbs comemora 1 ano de “Bandana” lançando “Alfredo”

Freddie Gibbs comemora 1 ano de “Bandana” lançando “Alfredo”

2 de julho de 2020 0 Por Pedro Vivas

O disco “Bandana”, de Freddie Gibbs e Madlib, está fazendo aniversário e cada vez mais soa melhor. “Alfredo”, parceria com The Alchemist, acaba de ser lançado.

Há exatamente 1 ano era lançado o aguardado e hypado  “Bandana” (2019), segundo disco da parceria do produtor Madlib e do rapper Freddie Gibbs. As altas expectativas com certeza foram recompensadas, com os beats sempre iluminados de Madlib em perfeita sintonia com o estilo vintage-gangsta de Gibbs. A sucessão do já excelente “Piñata” (2014), que inaugurou a parceria, pode até ser considerado por alguns como mais equilibrado do que o antecessor.

Aqui no site, na nossa lista de melhores discos de 2019 “não convencionais”, optei por escolher o disco “Apollo XXI” de Steve Lacy. Este é um bom disco, mas se a curadoria fosse realizada hoje, escolheria o “Bandana”, que com certeza foi um dos discos mais subvalorizados do ano passado e de pontos altíssimos, como “Freestyle Shit”, “Crime Pays” (que teve clipe) e “Cataracts”. Isso pra ficar nas faixas solo. Nas parcerias, tivemos as muito boas “Giannis” com Anderson Paak; “Education” com Yasiin Bey e Black Thought e por último, mas não menos importante, a faixa “Palmolive” com Pusha T & Killer Mike.

Quem conhece um pouco de basquete americano, deve ter percebido que há referências à NBA em uma delas, mais especificamente ao astro “Giannis Antetokounmpo”. Esta tem sido uma tendência em toda a obra de Gibbs, que no “Piñata” tem duas faixas com nomes de franquias da liga de basquete americana, em “Knicks” e “Lakers”. Há diversas referências, também, ao Chicago Bulls, time de sua cidade natal. 

Um parênteses: de fato, para entender a cultura negra americana, é preciso entender em algum grau a cultura esportiva. Pode-se dizer que por muitas vezes o basquete traduziu muitos dos conflitos sociais e raciais e, não à toa, é incorporado vastamente na cultura pop negra, como por exemplo no clássico “Faça a coisa certa” de Spike Lee – o vizinho branco fã de Larry Bird em Bed-Stuy versus Buggin Out (Giancarlo Esposito) e seus tênis Jordan. Parênteses fechado.

Voltando a Freddie Gibbs, vale destacar que junho tem sido o mês da chamada Kane Season, que em outras palavras é a temporada de lançamentos e mais prolífica de Gibbs, que por coincidência ou não, é o mesmo mês de seu aniversário. Mesmo no atípico ano de 2020, a “temporada” foi mantida e desta vez o lançamento, no início deste mês, foi “Alfredo” – feito em conjunto com o produtor The Alchemist (Alfredo = Alchemist + Freddie , sacou?). 

O disco veio recheado de parcerias com figuras como Tyler, The Creator e Rick Ross. A parceria com este último se fez em “Scottie Beam”, que pode ser seguramente considerada como uma das melhores do disco. Em tempos de “Black Lives Matter”, um dos mais potentes versos pôde ser encontrado nesta com “My execution might be televised” (Em tradução livre, “minha execução pode ser televisionada”), uma referência ao clássico “The Revolution Will Not Be Televised” (A revolução não será televisionada) do mestre Gill Scott Heron. Freddie Gibbs, inclusive, promoveu o lançamento de uma camiseta com essa frase estampada e que promete ter toda a renda revertida para as famílias de Ahmaud Arbery, George Floyd e Breonna Taylor, vítimas da violência policial racista nos Estados Unidos.

Em tempos de quase-quarentena, ficam então essas dicas em meio ao caos: os três bons discos – Piñata, o aniversariante Bandana e Alfredo. Valem demais a sua escuta. Os dois primeiros, com o mago Madlib, um dos grandes garimpadores de samples deste planeta, senão o maior deles; e o último com o alquimista Alchemist, que deu em boa parte dos beats um tom de fim de tarde quase-gangstêr, embalado, é claro, pelas habituais porradas de Freddie Gibbs.