Exclusivo: Falso Coral lança novo single “Pé no Chão”, um “lamento sertanejo fantasmagórico”

Exclusivo: Falso Coral lança novo single “Pé no Chão”, um “lamento sertanejo fantasmagórico”

10 de março de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Formada por Bela Moschkovich (voz), Luís Gustavo Coutinho (voz e viola caipira) e Guilherme Giacomini (teclado e sintetizadores) e acompanhada pelo baterista Pedro Lauletta e o baixista Henrique Vital, a banda Falso Coral transita entre o alternativo e o pop com a viola caipira de dez cordas como base de suas composições. Essa mistura influências contemporâneas nacionais e internacionais está presente no single “Pé no Chão”, lançado hoje.

Com a viola caipira comendo solta e à frente da composição, o single é resultado de um ano do EP “Folia” sendo apresentado em vários palcos do circuito paulistano e carioca. O lado B é uma inusitada versão em dinamarquês, escrita por Sofie Thybo Pedersen e uma demonstração de quanto a viola tão valorizada no sertanejo de raiz pode ser um instrumento universal.

Acompanhando o lançamento, a banda já está iniciando uma nova leva de shows. Entre as datas confirmadas, uma é no interior (SESC Bauru, dia 12/4) e duas são na capital paulista (no Secretinho, dia 7/4 e no Breve dia 20/4 com a banda Quarup). No repertório, além do elogiado EP “Folia” e do novo single, músicas inéditas que ampliam ainda mais o universo sonoro do Falso Coral e covers de diferentes gêneros e épocas levados para caminhos surpreendentes pela viola (Florence and the Machine, Blondie e Tião Carreiro, por exemplo).

Conversei um pouco com a banda sobre o novo single:

– Me falem um pouco mais de como foi a criação de “Pé No Chão”. Do que a música trata?

Luís Coutinho: “Pé no Chão” é sobre ficar encantado com pessoas e realidades que parecem maiores do que você e achar que você não “merece” aquilo. Desde o começo eu queria que fosse um lamento caipira meio fantasmagórico, tanto é que a melodia dela tem um acorde meio “diabólico” que dá esse climão que a música tem. Eu compus ela depois de uma viagem que passou pela Escandinávia e rolou muito essa sensação de observar e admirar pessoas e contextos mas não se considerar parte daquilo, e ficar pensando que se eu tentasse fazer parte daquilo seria só uma ilusão.

– Essa música mostra um pouco do que poderemos ver no disco de estreia?

Bela Moschkovich: Sim, “Pé no Chão” mostra um pouco do que podemos esperar para os nossos próximos trabalhos. É um som mais introspectivo, com um pouco mais de influência do rock (a bateria, por exemplo, teve como referência “15 Step”, do Radiohead). Temos muitas músicas vindo por aí que exploram influências diferentes das que aparecem em “Folia”, o que sempre nos dá novos caminhos para seguir. A partir daí, vamos pensando como as músicas podem mudar, mas ao mesmo tempo manter a “cara” que inauguramos no nosso EP de estreia.

– Como “Pé No Chão” evoluiu do EP “Folia”?

Bela Moschkovich: A evolução aconteceu principalmente porque formamos uma banda de verdade. No “Folia”, todo o processo de composição foi feito por mim, Luís e pelo Gui, junto com o Filipe Consolini, que nos produziu. Montamos bem os arranjos, mas como ainda não tínhamos a banda completa, chamamos amigos músicos para tocar o que faltava. Agora temos uma banda oficialmente, com um baixista e um baterista fixos, e isso nos deu a possibilidade de compôr em conjunto. Geralmente eu e o Luís chegamos com versões preliminares das músicas, só com uma base (na viola ou no violão) e a voz, e aí, juntos, vamos testando o que funciona de baixo, bateria e teclado. “Pé no Chão” é a primeira música que oficialmente compusemos todos juntos, enquanto banda, e então ela é uma amostra do que está por vir no nosso trabalho. Estamos em transformação constante, o que é muito, muito legal!

– E de onde tiveram a ideia de gravar uma versão em dinamarquês no Lado B?

Luis Coutinho: Nessa viagem que eu fiz pra Escandinávia, encaixei alguns shows da banda que eu mais gosto no universo: Mew. Eles são dinamarqueses e lá eles tocam pra 50 mil pessoas mas já perdi as esperanças de algum dia eles virem pro Brasil. E aí em um dos shows deles por lá eu conheci a Sofie Thybo Pedersen, que também estava sozinha e virou uma grande amiga. Já no Brasil nós começamos a trocar pelo Facebook música em português e música em dinamarquês (Marie Key, Kirstine Stubbe…) e eu comecei a pirar na sonoridade da língua. Mostrei “Pé no Chão” pra ela, mandei a letra traduzida em inglês, e perguntei se ela conseguia visualizar uma versão em dinamarquês. Ela topou fazer uma letra e desafiou a gente a cantar essa versão também. A língua é muito difícil e a gente tem consciência de que está longe de soar 100% mas a Sofie disse que o Lyric Video ajuda bastante. A gente acredita que seja a primeira música em dinamarquês com viola caipira a existir no mundo! Se alguém conhecer outra, manda pra gente!

Ouça “Pé No Chão” e seu lado B, “Begge Ben På Jorden”: