Emicaeli completa 20 anos nadando contra a corrente com o lançamento de seu quinto trabalho, “PoPs”

Emicaeli completa 20 anos nadando contra a corrente com o lançamento de seu quinto trabalho, “PoPs”

14 de dezembro de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Desde 1996 desobedecendo as regras e criando um som indefinível, o Emicaeli é um quinteto de No Wave Rock que mistura , dissonâncias e alguns improvisos. Formada por Renato Joseph (voz), Alexandre Pereira (guitarra), Igor Sciallis (bateria), Marcus Vinicius (guitarra) e Piettro Torchio (baixo), a banda acaba de lançar seu quinto trabalho, “PoPs”, cuja música “Varanda Gorfê” apareceu entre as votadas como melhores sons de 2016 em diversas listas.

Apesar do nome, não espere sons cheios de autotune e prontos para tocar no Faustão em “PoPs”. “O nome “PoPs” veio de uma conversa logo que lançamos o “Schizofrito”, sobre no próximo trabalho fazer um disco com músicas tivessem em um padrão comercial. Acho que não conseguimos”, contam.

– Me fala um pouco mais do disco recém-lançado da banda, “Pops”; O que o ouvinte pode esperar desse álbum?

O nosso quinto trabalho, “PoPs”, foi feito de modo natural, depois do “Schizofrito” de 2013, que nos levou a fazer muitas apresentações. Ficamos algum tempo parados e cansados de tocar as mesmas músicas, os ensaios já não tinham propósito, então começamos a compor, queríamos músicas diretas com a mesma pegada de sempre mas com influências de tudo que vivemos nesse tempo. Não sabemos o que esperar do “PoPs”, os ouvintes tampouco.

– Conta um pouco sobre as músicas do álbum. Como foi a composição delas?

Tudo tem seu tempo e as músicas vieram em 3 blocos diferentes. A primeira veio de um ensaio antigo feita pelo Piettro (baixista), a faixa chama “Piettro’s” e a letra fala sobre o que vivemos quando fomos pra Rússia tocar. Depois vieram algumas sessões de demos que originaram “Luigy” e “Bombas” e essas 3 logo entraram no nosso repertório de shows no final de 2014. O estúdio da Zastrás, que gravou todos nossos discos, ficava na Associação Cecilia e se mudou para uma casa na Lapa, na Rua Tonelero e logo de cara mais 5 músicas vieram e trabalhamos nelas todas como um todo. Acreditamos que elas tinham algo em comum, curtas e diretas. O Nome “PoPs” veio de uma conversa logo que lançamos o “Schizofrito”, sobre no próximo trabalho fazer um disco com músicas tivessem em um padrão comercial. Acho que não conseguimos.

– Quais foram as principais inspirações da banda para este álbum?

Difícil falar sobre influências quando na banda se tem 3 compositores das músicas e um letrista e um baterista maluco. As influências são espontâneas de cada um, não cremos que seja algo pensado.

– Como você definiria o som da banda?

Som não definido.

Emicaeli

– Me fala um pouco sobre como o som da banda evoluiu desde o primeiro lançamento.

O primeiro lançamento foi o EP “Money Kills”, em 2001. A banda já tinha 5 anos de composições e shows quando lançamos, a formação era outra e tínhamos 18 anos. Hoje somos quase outra banda, onde a maioria tem mais de 30 anos e evoluiu junto com nossa desevolução.

– Vocês são uma banda que está há bastante tempo na ativa. Como vocês vêem a atual cena independente e a divulgação da mesma?

Cremos que hoje, pelo mau momento comercial do “rock”, as bandas precisam se unir mais e criar formas de tornar viável fazer shows. Vemos muito mais bandas tocando na rua e querendo fazer as coisas de outro modo, as casas que conhecíamos quase não existem mais. Se não houver uma colaboração de todos vai ser cada vez mais difícil e bandas vão virar como orquestras de músicas clássicas: para poucos e em alguns poucos lugares.

– As redes sociais são uma mão na roda ou atrapalham o trabalho das bandas independentes?

São uma mão na roda mas atrapalham. Se você é um grande comunicador de redes sociais isso pode te ajudar, no nosso caso somos nulos, então atrapalha. Somos uma banda que gosta de fazer música não de ficar se promovendo em redes com fotos e discursos e isso nos atrapalha porque metade do rolê, no mínimo, é isso. Achamos que as pessoas ficam um pouco mais preguiçosas na rede. Antes você tinha que ir no bar ver a banda tocar, comprar o disco, hoje assiste no youtube e ouve no Spotify.

– Qual o significado do nome da banda?

Emicaeli = Mkl = MeioKilo ou Mamão Kiwi Limão.

Emicaeli

– Quais os próximos passos da banda?

Em 2017 queremos tocar no maior número de lugares e festivais que for possível, fazendo o som que gostamos de fazer. Depois gravar o próximo disco e acho que vai ser assim até o fim da vida, pelo menos tem sido pelos últimos 20 anos.

– Recomendem bandas e artistas independentes que chamaram sua atenção nos últimos tempos.

Rakta, Test, Giallos, Danger City, FingerFingerrr, In Venus, Mais Valia, Vermes do Limbo, Sløv, Sheila Cretina, Blood Mary Una Chica Band, Thee Dirty Rats, Combover, Orange Disaster, Poltergat, Elephant Run, Ema Stoned, Deaf Kids, Elma, Pantano Bay, Devilish, Nicolas Não Tem Banda, Sky Down, Der Baum, Futuro, Mariângela & a Overdose e uma porrada de banda que não veio de bate e pronto.