Em sua estreia, Siba avança e canta nos Balés da Tormenta

Em sua estreia, Siba avança e canta nos Balés da Tormenta

30 de setembro de 2016 0 Por Luis Bortotti

No Walkman, por Luis Bortotti

Hoje, vou fugir um pouco do foco da coluna, que é relembrar discos de rock alternativo (ou semelhantes) da década de 80 e 90, para trazer uma análise sobre o primeiro disco solo de um cara que viveu em muito os anos 90.

Siba lançou Avante em janeiro de 2012. Um fato curioso para alguém com uma carreira tão duradoura, experimental e completa como à do cantor pernambucano. Antes de se arriscar no modelo solo, Siba já havia liderado o Mestre Ambrósio, durante o auge do manguebeat nos anos 90, e elevado o folclore pernambucano ao patamar da música pop dos anos 2000, com Siba e a Fuloresta. Entretanto, antes de “Avante”, Siba sofria de um dilema.

No documentário sobre a composição deste disco, “Siba Nos Balés da Tormenta”, ele justifica que o fato dele ter participado de inúmeros projetos acabou criando modelos dele próprio que já o pressionavam demais, de certo modo característico, e que era a hora dele se reencontrar como artista.

Neste trabalho, que no geral resume e nos apresenta o verdadeiro Siba e toda a sua bagagem musical, ele precisava de um instrumento fixo. Não mais apenas a bela voz rimada ou a rabeca de seus tempos mais novos. Para “Avante”, ele assume o posto de guitarrista, instrumento este o primeiro o qual ele passou a praticar, isso com 14 anos de idade.

Em seu redescobrimento como guitarrista, Siba é capaz de nos levar, com o uso de cordas, do Nordeste brasileiro, com a viola nordestina, até as origens musicais modernas da África, com a sua rítmica guitarra. Com um estilo caranguejo de tocar, com apenas dois dedos, ele cria um mangue de melodias e possibilidades sonoras, passando do folclore até ao mais moderno indie rock.

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Adotar o posto de guitarrista foi complicado, ainda mais em um mundo que havia mudado muito. Mudança muito bem sensibilizada na bela “Ariana”, canção sobre os afegãos pós 11 de setembro. E com essas mudanças misturadas com a busca da definição de uma posição artística, Siba afirma que se perdeu nos processos de criação, mas que aos poucos foi tecendo todos os processos e desenvolvendo a obra que viria a ser Avante.

A sua poesia, tanto metricamente como criativamente inspirada nos mestres de maracatu e repentistas, ganhou novos ares e se modernizou. Talvez, com longo e complicado processo de composição (e redescobrimento), sua poesia se apresentou de uma forma muito mais pessoal e que, em alguns momentos, se apresenta ser muito mais dramática, sarcástica e sombria.

Entretanto, ainda continua com uma beleza suprema. Com uma beleza que apenas Siba é capaz de cantar. Ainda mais com canções que narram toda a trajetória de um dos melhores músicos brasileiros, aqui muito bem casada com o trabalho do produtor Fernando Catatau.

Com uma moderna mistura de danças folclóricas, maracatu e ciranda, e rock alternativo, Siba estreia, de maneira solo, com maestria, poetizando os versos que ele aprendeu a compor nos tempos de manguebeat e das danças em Nazaré da Mata com o seu eu próprio. O resultado é um perfeito álbum de mangue rock.

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SIBA – AVANTE | #temqueouvir

01. Preparando o Salto
02. Brisa
03. Ariana
04. Cantando Ciranda na Beira do Mar
05. A Bagaceira
10. Qasida

SIBA – AVANTE | vídeos

SIBA – AVANTE | #ouçaagora!