Em nova formação, banda portuguesa Anarchicks prepara o novo EP “Vive La Ressonance”

Em nova formação, banda portuguesa Anarchicks prepara o novo EP “Vive La Ressonance”

22 de fevereiro de 2017 1 Por João Pedro Ramos

Se a música é uma arma, elas são o gatilho. Formada em 2011, a banda de Lisboa Anarchicks faz um punk rock vigoroso e divertido, do jeito que o estilo deve ser. Com pitadas de new wave e hard rock, o som da banda, é claro, conta com muitas mensagens importantes a serem passadas no meio disso tudo.

Formada atualmente por Catarina “Katari” (bateria), Helena “Synthetique” (baixo), Rita Sedas (voz) e Mariana Rosa (guitarra), a banda tem na bagagem três discos: “Look What You Made Me Do”, de 2012, “Really?”, de 2013, e o álbum-manifesto “We Claim The Right To Rebel And Resist”, de 2016, que estourou e levou a banda cada vez mais longe. “(O disco) é um grito de resistência e incentivo às pessoas para reclamarem e lutarem pelos seus direitos, sendo essa mensagem transversal a diferentes grupos/gêneros/situações”, explica a baixista. Atualmente elas estão trabalhando em seu novo EP, “Vive La Ressonance”, a ser lançado ainda no primeiro trimestre de 2017.

Conversei com Katari e Synthetique sobre a carreira da banda, o disco “We Claim The Right To Rebel and Resist”, o novo álbum, a nova formação e o machismo no mundo da música:

– Como a banda começou?

Helena: A banda começou em 2011, quando eu e a nossa primeira vocalista Priscilla começamos a falar na net sobre o desejo de formar uma banda de influências de punk rock feminino. Tínhamos como exemplo e amor todas as bandas riot girl e muita vontade de tocar e criar. A Priscilla conhecia a Katari e logo na primeira tentativa de ensaio trouxe a Katari com ela, e quando nos juntámos as 3 (eu no baixo, Kat na bateria e Pris na voz) a coisa foi mágica e fluiu muito bem. Ficamos com guitarrista em falta e colocamos um anúncio no Face dizendo que precisávamos de guitarrista. Fizemos algumas audições e a Ana (Aim) demonstrou logo ser a escolha certa e pronto, a banda ficou formada. A partir daí muita coisa aconteceu, pessoas entraram e sairam, etc, etc.

– E como chegaram ao nome The Anarchicks?

Helena: Foi a nossa Catarina que teve a ideia! Peço a ela que desenvolva essa! ?

Catarina: Como temos uma visão da música muito livre e valorizamos as ideias venham de onde vierem, sem hierarquias nem preconceitos, inspiramo-nos no conceito da anarquia, juntamos-lhe o factor ‘chick’ e voilá: nasceram as Anarchicks, 4 miúdas com uma vontade galopante de se manifestarem através da música.

– Quais as principais influências musicais da banda?

Catarina: Acho que temos influências desde os primórdios do rock (Led Zeppelin, Black Sabbath, Deep Purple, Cream, todo o legado rock que os nossos pais nos deixaram), temos muito espírito dos anos 80, new wave, no wave, electro, Siouxie, Devo, Gang of Four, etc. Depois há toda uma contemporaneidade, desde o industrial, a música de dança, até ritmos africanos, corre-nos tudo nas veias, mesmo que não se note directamente, está impresso. Eu, pessoalmente, tenho uma grande costela metal!

– Me falem um pouco mais sobre seu mais recente trabalho, “We Claim The Right”!

Helena: O “We Claim the Right to Rebel and Resist” é o nosso segundo longa duração, sendo um grito de resistência e incentivo às pessoas para reclamarem e lutarem pelos seus direitos. Sendo essa mensagem transversal a diferentes grupos/ gêneros/situações. Queremos deste modo afirmar que apoiamos, defendemos e acreditamos que as pessoas não se devem calar nem ficar quietas e que devem de agitar as águas e lutar por aquilo que merecem!

Catarina: Sim! perseguir os seus sonhos! procurarem ter voz própria, criar e fazer a sua arte, se for caso disso, sem ceder a pressões e a preconceitos. É um álbum manifesto! \m/

– E vocês já estão preparando um novo trabalho, correto?

Helena: Exato, vai se chamar “Vive La Ressonance”. É um EP. Vai sair a principio ainda este trimestre.

Anarchicks

– E o que podemos esperar deste novo disco?

Helena: Este EP é um EP diferente… Tem trabalho a nível de vozes e instrumentais que na minha opinião nos levam para outro patamar… Nossa música aqui está a um nível mais introspectivo, levantando diversas questões sobre existencialismo e sobre nós mesmas.

Catarina: Yeah! Temos temas mais conceptuais e até metafísicos, ao nível da mensagem. Ao nível do som temos músicas mais pop e orelhudas, porque aconteceu assim, umas mais dançantes, rock com um bom groove, na minha opinião. E viajamos também até paisagens surf rock endiabrado que deságua em espirais frenéticas de puro devaneio! Só ouvindo! Numa música arriscamos sair da zona de conforto, com uma estética completamente diferente do que é habitual. Uma vibe mais eletrônica e… Mais não digo! ?

– Vocês estão numa mudança de formação, como isso influencia o som da banda daqui em diante?

Catarina: Acho que influencia sempre! Cada pessoa que passa pelas Anarchicks deixa marca. No nosso som. É sempre a somar! Porque escolhemos ser permeáveis e beber de tudo o q cada uma tem para dar.

– Como vocês veem o machismo que permanece existindo no mundo da música (e fora dele)? Já tiveram algum problema com isso?

Catarina: Isso não nos assusta, ao contrário, inspira-nos! Quanto ao tema do machismo, pessoalmente, prefiro relativizar, a menos que seja uma situação flagrante, nesse caso é ação >>>> reação! Já aconteceu e vai continuar a acontecer, mas já começa a ser ridículo subestimarem-nos só por sermos mulheres. SOMOS MÚSICAS E QUEREMOS SER ENCARADAS COMO TAL. O gênero sexual é detalhe. O rock… E a música no geral, é uma linguagem universal… Não tem gênero! Isso é que importa, o resto é paisagem.

– Como anda a cena do rock em Portugal?

Catarina: Para mim o rock anda um bocado betinho em Portugal. As pessoas têm medo de ouvir distorção e parece que fogem do barulho da raiva das causas… Sinto falta de rasgos de bandas subversivas, sinto falta de sangue, suor e lágrimas… De entrega. Mas isto é uma opinião muito pessoal. Mas há coisas boas! Por exemplo, sou mega fã de Capitão Fausto… É uma banda de putos que se dão à música e dão me esperança no futuro da música. Peixe Avião é lindo! Pega Monstro bue fixe. Na eletrônica há muita coisa boa! Mirror People!

– O rock continua bem vivo no underground, mas já nem tanto no mainstream. Concordam?

Catarina: Eu concordo.

Helena: Sim, eu também. Mas acho que faz sentido. O rock sempre foi mais a voz dissidente!

Anarchicks

– Vocês conhecem alfo de música brasileira? Como é pra vocês esse laço entre Portugal e Brasil?

Helena: Bem, lembro-me logo das Cansei de Ser Sexy. Tocámos cá com elas, grande show! E há o Lucky Lupe que é meio luso e do meu amigão David Ferreira (mande abraços!). Os Garotos Podres… Hum, estou pensando!

Catarina: Eu adoro Tim Maia, Chico Buarque. Adoro uma banda punk de miúdas dos anos 80 chamada As Mercenárias! Incrível! Tem uma música chamada “Pânico” que é brutal! Gostaria muito de estreitar esse laço e ir tocar no Brasil. Os X-Acto, uma banda straight edge punk rock, ter-me grande sucesso no Brasil. E Os Fonzie também.

Helena: Ah, pensava que era só mais rock. Também gosto muito da Banda do Mar, do Seu Jorge… E gosto de cenas tipo mais favela funk, Deize Tigrona e etc.

Catarina: Também gosto!

– Quais os próximos passos das Anarchicks?

Catarina: Apresentar o próximo EP e fazê-lo girar. Fazer videoclipes. Tocar ao vivo. Gostaria muito de voltar a tocar fora do país. Continuar a criar sem moderação, músicas novas. Mas agora a prioridade é levar o novo EP o mais longe que conseguirmos.

Helena: Sim! Isso tudo e mais ❤

– Recomendem bandas e artistas ( de preferência independentes ) que chamaram sua atenção nos últimos tempos!

Helena: Não é novo, mas gosto muito das Savages, das Nots. Em Portugal saliento Paus, Linda Martini, Capitão Fausto e Mirror People!