Elogiados por Noel Gallagher, cariocas do The Outs lançam mini-álbum “Marmalade Land”

Elogiados por Noel Gallagher, cariocas do The Outs lançam mini-álbum “Marmalade Land”

1 de setembro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

O quarteto carioca The Outs já começou a carreira com uma proeza: arrancou elogios do ranzinza ex-guitarrista do Oasis Noel Gallagher para sua versão de “Bag It Up”. “Eles foram bem no coração da música”, disse. A partir daí, a banda só continuou evoluindo em sua mistura de neo-psicodelia, shoegaze e britpop que culminou em turnês por todo o Brasil.  Na sexta-feira, 04/09, o grupo se apresenta junto de Far From Alaska e Cachorro Grande no Circo Voador. “Certeza que será mais um grande momento da nossa história”, disse Dennis Guedes (guitarrista e baixista).

Formada também por Gabriel Politzer (bateria), Tiago Carneiro (vocais) e Vinícius Massolar (guitarra, teclados, baixo), The Outs está na ativa desde 2009 e tem os EPs “Maybe Pleasing” (2009), “Spiral Dreams” (2014), o web-ep “Converse Rubber Tracks” (2014) e acaba de lançar o mini-álbum “Marmalade Land” pelo seu selo próprio, o Novadema Records. A masterização foi realizada na Austrália com Rob Grant, que já trabalhou com grandes nomes como Tame Impala e POND.

Conversei com a banda sobre sua carreira, a participação no reality show Breakout Brasil, do Canal Sony, o show no Circo Voador e a cena do rock no Brasil.

– Como surgiu a banda?

Dennis: A banda surgiu comigo (guitarra, baixo) e o Tiago (vocalista), que é meu primo. Tocamos juntos desde criança, e “The Outs” sempre foi como costumamos chamar nosso projeto, independente do que ele fosse. Começamos fazendo covers de outras bandas que curtíamos, ganhamos um concurso do Oasis, escolhidos pelo próprio Noel Gallagher, e então resolvemos embarcar nas nossas composições próprias. Podemos dizer que achamos nossa própria identidade após a entrada do Vinícius (guitarra, teclados, baixo) e do Gabriel (bateria), em 2012.

– Quais são suas principais influências musicais?

The Outs: Ouvimos muitas coisas, de muitas épocas. Tudo o que chama nossa atenção musicalmente acaba virando uma influência pra nós. Estamos sempre buscando novas influências para reciclar cada vez mais nosso som sem perder a essência.

The Outs

– Me fale um pouco sobre o material que vocês já lançaram.

The Outs: Acabamos de soltar um novo mini-álbum, o “Marmalade Land”. Foi o primeiro lançamento pelo nosso selo próprio, o Novadema Records. Gravamos e produzimos sozinhos no Meristema, o homestudio do nosso baterista, e masterizamos na Austrália com o Rob Grant, que trabalhou com Tame Impala, POND e outra galera nervosa. O trabalho é uma continuidade do nosso EP anterior, o “Spiral Dreams” (2014). Foi um trabalho mais bem planejado, onde as músicas se comunicam melhor entre si, dando uma dinâmica legal de álbum conceito, mas sem ser tão longo. Além disso, aprendemos a produzir melhor, o que ajudou a alcançarmos as ideias que estavam só nas nossas cabeças. As novas composições também contribuíram pra um trabalho mais maduro que o anterior. Em 2014 também participamos do projeto Rubber Tracks, da Converse, o que resultou em um “web-EP” com 3 faixas (sendo uma delas um cover de “Helter Skelter”), que liberamos gratuitamente no nosso soundcloud. Antes disso também tivemos alguns lançamentos mais avulsos, como o single “Get Around”, a música “The Way Of The Sun” e o EP “Maybe Pleasing”, de 2009.

– Vocês acreditam que o rock psicodélico está voltando a ser difundido no Brasil?

The Outs: Não sabemos dizer se bem difundido, mas existem muitas ótimas bandas nacionais que embarcaram no embalo dessa nova onda psicodélica que explodiu no mundo. A grande vantagem da psicodelia é ser um gênero muito versátil e fortemente ligado com criatividade, mas não sei se “psicodélico” seria um rótulo correto. Acho que na real é só uma “desculpa” pra se deixar ir mais afundo em novas idéias e quebras de estereótipos, coisa que precisamos muito nos dias de hoje. Achamos saudável para a nossa música esse impulso.

– Como foi a passagem de vocês pelo Breakout Brasil?

The Outs: Foi uma grande experiência, talvez a mais intensa que enfrentamos como banda até hoje. Como o foco era em trabalhos autorais, tentamos usar a vitrine dele pra deixar bem clara a nossa proposta, sem se preocupar em “se vender”. Tivemos o apoio de muitas pessoas, fizemos grandes amigos e contatos, e tornamos o alcance do nosso trabalho, que é bem específico, maior. O saldo foi mega positivo, e saímos nos sentindo vitoriosos de qualquer forma.

– Quais bandas do Breakout Brasil chamaram mais a sua atenção?

The Outs: Tinha uma variedade grande de bandas lá dentro. Desde que entramos lá dentro rolou uma forte sintonia entre nós e o pessoal do Jéf, que venceu o programa, desde musicalmente até pessoalmente. Ajudamos bastante uns aos outros até a final. De cara também nos chamou muito a atenção o trabalho das Donna Duo e do Projeto Capela. Todos excelentes músicos e grandes amigos de estrada hoje em dia.

The Outs

– Qual a opinião de vocês sobre a proliferação de realities musicais que ocorre hoje em dia?

The Outs: Achamos que, se isso for uma forma de novas bandas independentes atingirem um maior público fazendo o próprio trabalho, seja válido. As pessoas em geral precisam saber que existem coisas novas de qualidade acontecendo na música independente, e algumas bandas estão tendo a oportunidade de fazer esse canal. Claro, existem muitas questões e polêmicas em realitys de maior alcance, como no caso do Superstar, mas achamos que tudo vai de como as bandas estão aproveitando essas oportunidades. A Scalene talvez seja um bom exemplo disso.

– O que você acha da música pop que atinge o topo das paradas hoje em dia no Brasil?

Dennis: A música pop no topo das paradas é apenas o reflexo da Indústria Fonográfica atualmente, após muitas crises e mudanças de hábitos das pessoas. A velocidade das coisas faz com que o consumo seja cada vez mais rápido e descartável, caindo em fórmulas. Isso não é um problema exclusivo do Brasil, mas da música mundial em geral.
Mas isso não impede que outros nichos e fortes movimentos existam para fazer um contra-peso nesse panorama. As coisas sempre aconteceram de forma parecida na história. Existem facilidades que o mundo moderno também nos oferece, e graças a isso músicos e bandas independentes têm espaço para se expressarem como bem entendem, abrindo novos horizontes para a música. Talvez o problema do Brasil esteja mais no hábito de quem consome música. Existem muitos festivais de expressão mundo afora que movimentam com bastante força a indústria criativa independente sem precisar estar no “topo das paradas”. Não acho que uma coisa interfira na outra necessariamente, são caminhos e conceitos diferentes.

– Quais são as principais dificuldades e vantagens de ser uma artista independente?

The Outs: É difícil se manter no meio musical hoje em dia, principalmente se tratando de bandas independentes. Cada pequena conquista é uma vitória, pois sabemos que estamos construindo nosso espaço com nosso próprio suor. Muitas vezes temos que abrir mão de desejos ou até mesmo de tocar em mais lugares por conta das dificuldades de manter a coisa funcionando. Mas a grande motivação e vantagem é exatamente a de ter a liberdade para criar e mostrar o que saiu de dentro das nossas cabeças e das vivências musicais. Para nós, que entramos nessa pelo prazer em compor, criar e tocar, é muito satisfatório ter essa liberdade artística e ver pessoas que alcançam aquilo que criamos.

– Vocês acham que as rádios e TV dão espaço para novos artistas?

The Outs: Existem algumas iniciativas de rádios, principalmente menores, para apresentar novos sons e bandas. Já participamos de alguns, inclusive. Algumas rádios maiores, como é o caso da Rádio Cidade no RJ, já têm alguns programas como o “A Vez do Brasil”, mas o espaço ainda é muito restrito.  Na televisão achamos que o espaço tem sido os realitys mesmo, mas ainda existe muita coisa em aberto quanto a isso. De resto, é tudo esquema pra quem pode.

– Quais bandas e artistas (de preferência independentes!) têm feito a sua cabeça?

Dennis: Como já disse antes, ouvimos bastante coisa, desde artistas mega independentes como nós até outros bem maiores (difícil estabelecer até que ponto uma banda é independente hoje em dia…), e também de várias épocas. Pra citar algumas coisas que temos ouvido bastante nas últimas semanas: Mac DeMarco, Tame Impala, Beach Boys, Melody’s Echo Chamber, Jacco Gardner, Connan Mockasin, Pond, Fleet Foxes, Kula Shaker, The Verve, Unknown Mortal Orchestra, White Denim, Lana Del Rey, Moses Gunn Colective, GUM,Syd Arthur, Kasabian, Doves, The Coral, Clube da Esquina, Secos e Molhados, Novos Baianos, Tagore, Catavento, Boogarins, Hell Oh, O Terno, The Muddy Brothers, Cafe Republica, The Baggios, Wado, Dônica, Sá, Rodrix e Guarabyra, …

– Vocês tocarão no Circo Voador com a Cachorro Grande e o Far From Alaska. A primeira foi uma das representantes da última onda roqueira brasileira que aconteceu. Você acredita que uma nova cena rock pode acontecer e atingir o topo das paradas?

Dennis: Uma nova cena rock já está acontecendo, e o Far From Alaska é um ótimo exemplo disso. O “topo das paradas” é um objetivo muito relativo e imprevisível, por vários motivos, mas acho que cada vez mais uma nova geração rockeira, mais atualizada e aberta a novas ideias, está tendo liberdade artística e abrindo espaço com bastante criatividade dentro de seus múltiplos nichos. Se essa nova cena vai ter força pra encarar esse novo formato da indústria e fazer um barulho grande, isso não sabemos… ainda. Estamos muito felizes pela oportunidade de tocar ao lado de duas grandes bandas que tanto admiramos. Certeza que será mais um grande momento da nossa história.

Ouça o mini-álbum “Marmalade Land” completo aqui: