Elogiados por Kate Nash, californianos do The Aquadolls preparam novo disco para 2016

Elogiados por Kate Nash, californianos do The Aquadolls preparam novo disco para 2016

27 de outubro de 2015 1 Por João Pedro Ramos

O psychedelic surf punk do The Aquadolls conquistou até pessoas como Kate Nash, que rapidamente entrou em contato com a líder da banda, Melissa Brooks, para que começassem a abrir seus shows. Com um EP e um disco (“We Are Free”, de 2013, pela Burger Records, e “Stoked On You”, de 2014) na bagagem, o grupo é defensor ferrenho do feminismo e do fim do pensamento de que garotas não podem tocar rock. “O feminismo parece senso comum para mim”, diz.

Formada por Melissa Brooks (guitarra e vocais), Ryan Frailich (guitarra), Josh Crawford (baixo) e Colin Moore (bateria), a banda já dividiu o palco com gente como Jenny Lewis, Vivian Girls, La Sera e La Femme, além de tocar em festivais independentes de renome como o Burgerama, Burger A-Go-Go e Beach Goth. Hoje em dia, o quarteto prepara seu segundo disco com o produtor de Hollywood Aaron Greene. O lançamento está previsto para o início de 2016.

Conversei com Melissa sobre a carreira da banda, seu pensamento feminista, como invadir o camarim de Kate Nash e o próximo álbum:

– Como a banda começou?

Eu sempre quis ter a minha própria banda, e quando eu estava no último ano do ensino médio, decidi finalmente fazê-lo. Eu tinha um monte de músicas escritas e estava tocando em shows de talentos do ensino médio e no escritório de um amigo com outros amigos me apoiando, até que eu conheci Ryan Frailich em um festival de música em maio de 2012. Ele me ajudou a gravar minhas primeiras demos em seu quarto e nós colocamos as músicas online. Uma vez que começamos a receber ofertas de shows, tivemos de encontrar um baterista e baixista! Era tipo, “oh, merda, nós estamos realmente fazendo isso.” Foi um momento muito emocionante para mim.

– E como surgiu o nome The Aquadolls?

Um dos meus amigos que tocava comigo nesses shows de talentos do ensino médio que inventou. Eu gostei e acabou ficando.

– Me fale mais sobre “We Are Free” e “Stoked On You”.

“We Are Free” é uma coleção de 8 músicas que eu escrevi em 2012 e foi gravado apenas por diversão. Todas as canções são muito bobinhas e estranhas e não era para ser levado muito a sério. Eu postei o EP de demos no Bandcamp, quando eu tinha 53 curtidas no Facebook. Eu nunca soube que as pessoas realmente iam encontrá-lo e ouvir, e muito menos gostarem do EP! “Stoked On You” basicamente documenta minha vida entre 2012-2013. Algumas canções como “Tweaker Kidz” foram escritas em sala de aula, quando eu estava na faculdade, e a última música que eu escrevi para o álbum, “Our Love Will Always Remain”, foi escrita em um dia chuvoso de meu primeiro ano de faculdade. Este álbum é sobre se apaixonar, finalmente ser feliz, e encontrar um lugar estranho na minha cabeça onde tudo foi pizza e aliens e luz do sol. Não é realista, mas a ideia é que seja como um sonho.

– Quais são suas maiores influências musicais?

The Beach Boys e Gwen Stefani!

The Aquadolls

– A banda foi convidada por Kate Nash para abrir seus shows. Como rolou isso?

Dois anos atrás, eu entrei no meu Twitter e vi que ela tinha me seguido e postou uma das minhas músicas! Eu tenho realmente sido fã dela desde que eu estava na 7ª série! Eu queria muito conhecê-la, por isso o meu primo e eu nos enfiamos nos bastidores de um dos seus shows, fomos para seu camarim (estávamos com tanto medo!) e ela foi super agradável e acolhedora! Ela logo nos pediu para abrir os últimos shows da sua turnê na Califórnia e nós ainda somos amigas! : ~)

Melissa Brooks com Kate Nash

Melissa Brooks com Kate Nash

– Quais são os principais desafios de ser uma banda independente hoje em dia?

Ganhar a vida! Não é fácil. Eu vendo camisetas e CDs para comer e colocar gasolina no meu carro. Não é muito dinheiro agora, mas eu sei que não estou trabalhando duro o suficiente ainda. Para ser realista, isso realmente não importa para mim, inclusive. Eu só faço isso porque eu amo fazer música e não quero ganhar a vida de outro jeito. É uma luta divertida, eu acho. (Risos)

– Vocês atualmente estão preparando um novo disco, certo? Pode me contar um pouco mais sobre ele?

Sim, estou! Vai ser uma explosão no seu ouvido de arco-íris saborosos e açúcar melódico. Cada música tem baterias realmente divertidas e liricamente é o mais desafiador e pessoal até o momento. Na verdade, estaremos lançando uma nova música até o final do ano!

– Você acredita que o machismo continua forte na indústria musical?

Certamente, e é bastante lamentável. O fato de que as pessoas chamam de bandas com garotas em sua formação de bandas femininas é apenas estranho. Ninguém chama bandas formadas por homens de bandas masculinas. Não é dessa forma. Nós somos todos apenas bandas. Não há necessidade de rotular um sexo.

The Aquadolls

– Você se considera feminista e hoje em dia vemos muitas garotas se empoderando e defendendo a necessidade do feminismo não só no rock, mas também no pop. O que você acha disso? Quais são suas artistas preferidas que pregam o feminismo?

O feminismo parece senso comum para mim. Muitas mulheres poderosas estão falando sobre feminismo e sensibilização sobre as desigualdades de gênero, desigualdades raciais, a opressão e sobre pessoas sexistas. É importante para as mulheres que compartilham plataformas tão grandes falar sobre estas questões, especialmente por causa de ouvintes jovens do sexo feminino. Eu realmente amo como Halsey se identifica como feminista interseccional e eu acho que todo mundo deve prestar atenção para o que ela está dizendo, porque ela está tão fodidamente certa.

– Recomende artistas que chamaram sua atenção recentemente.

Estou obcecada pela FKA Twigs e Lolawolf!