Duo Desert Killers injeta influências de stoner rock e riffs afiados em “Mirage”, seu primeiro disco

Duo Desert Killers injeta influências de stoner rock e riffs afiados em “Mirage”, seu primeiro disco

31 de agosto de 2015 0 Por João Pedro Ramos

O duo Desert Killers acaba de lançar seu primeiro disco, “Mirage”, com mixagem de Rodrigo Funai e masterização de Felipe Tichauer. O primeiro single, “Can I Go?” é forte candidata a hit do disco, com riff ganchudo e refrão chiclete, mas sem perder o lado stoner da dupla, que também cita influências de Gary Clark Jr., Pink Floyd e até Feist em seu som. O caldeirão sonoro da dupla junta à estas influências um pouco de folk e psicodelia para engrossar o caldo. O disco conta com as participações de Thiago Juliani, do Soldado Marimbondo, Gustavo Rodrigues (que também toca baixo com a banda ao vivo) e a atriz e cantora Dani Moreno, que fez vocais de apoio.

Formada por Matheus Zingano (guitarra e vocais) e Toni Ribeiro (bateria e vocais), a dupla está na ativa desde 2013 e lançou seu primeiro EP, “Ardio”, no ano seguinte. Um dos destaques deste trabalho é “So Bad”, uma daquelas músicas que gruda na cabeça na primeira audição e você fica cantarolando o dia todo sem perceber.

Conversei com Toni sobre a carreira da banda, a proliferação das duplas no mundo do rock, o mundo dos artistas independentes e a cena rock brasileira:

– Como começou a banda?

O Desert Killers começou em 2013 num ensaio meio despretensioso. Queríamos testar uns riffs que o Matheus tinha feito, explorar algumas idéias nesse formato mais enxuto, com os dois cantando. Deu super certo e nesse mesmo dia saímos de lá com as bases dos dois sons do nosso primeiro EP. Na época também tínhamos acabado de sair de uma banda com 7 caras onde a dinâmica era meio truncada e éramos apenas músicos, sem muito espaço pra compor ou cantar. O DK, assim, foi um movimento de amadurecimento artístico.

– Quais são suas principais influências?

As principais pro nosso trabalho com o Desert sem dúvida passam por Rolling Stones, Muddy Waters, Queens Of The Stone Age, Jack White, Gary Clark Jr e Pink Floyd, seja pelo som, postura criativa ou outro aspecto. Mas ouvimos e curtimos muitas outras coisas que atravessam nossas músicas certamente como Arctic Monkeys e Mutemath – pra citar alguns mais novos – até coisas mais suaves como Feist ou dançantes como Chet Faker.

Desert Killers

– Porque o rock está tão cheio de “duos” hoje em dia?

Nem achamos que os duos são muitos assim no rock, apesar de existirem vários ótimos. Mas certamente é um formato que vem sem sendo bem explorado de uns anos pra cá. No nosso caso, optamos por ser um duo devido a uma complementariedade entre eu e Matheus que dá conta do que precisamos, tanto no criar os sons, quanto no produzir e até no tocar em parte. Isso porque ao vivo temos um baixista em boa parte do show com a gente e nas gravações sempre botamos mais coisas além da batera e da guita. No fim somos mais um duo criativo do que purista no sentido de só tocarmos os dois sempre.

– Então o baixo faz falta.

Pois é, faz sim. Por isso sempre gravamos até aqui nos nossos discos e o usamos ao vivo em boa parte do show. Geralmente fazemos 1 ou 2 músicas só os dois mesmos.

– Como é ser uma banda independente hoje em dia?

É lindo e difícil ao mesmo tempo. A Internet e o mercado aberto de música (principalmente via Youtube e streamings) facilitaram a entrada das bandas e seus sons no mundo, deixando-os à mão de quem quiser ouvir, por outro lado aumentou assim a oferta explícita de bandas e uma certa dificuldade decorrente de chamar a atenção para que te ouçam no meio a tantas. Tem que compor bem, gravar, divulgar, cuidar da imagem, da relação com público, administrar redes sociais, ensaiar, marcar show e tocar… Tudo sozinho ou com raras ajudas até que se ganhe mais corpo e mercado. Isso tudo, em geral, tendo que dividir os dias com outros trampos pra fechar as contas. Resumindo, ser banda independente é ótimo mas exige um baita trabalho!

– As rádios ainda dão força para a cena do rock no Brasil?

Olha, ouvimos pouco as rádios porque raramente tocam coisas boas, principalmente daqui do Brasil. No fim, as poucas que tocam rock feito por bandas brasileiras dão força pra aquelas que já são fortes no mercado. As independentes quase nunca são tocadas ou escutadas pelos caras das rádios, que em geral, como os “críticos”, são preguiçosos demais para trabalhar pesquisando e divulgando coisas novas.

– O que vocês acham dos serviços de streaming?

Achamos foda! São mais um exemplo de reinvenção do mercado musical que deu super certo, apesar de ainda estarem ajustando seu modelo de pagamento para melhor satisfazer aos artistas, com razão. No fim, muitos, como nós, não recebemos nada apesar de vários plays. Enfim, costumamos ouvir bastante coisa mesmo, de tudo quanto é canto, principalmente via Spotify e Rdio.

– Como é seu processo de composição?

Nada definido! Às vezes começamos com um riff do Matheus, às vezes com um trecho de melodia, às vezes uma parte da letra, às vezes uma levada de batera… Aproveitamos o que parecer bom e forte o suficiente e trabalhamos em cima.

– O Brasil tem espaço para uma cena rock hoje em dia?

Espaço tem, mas é pequeno. Não temos cultura e um sistema que alimente um mercado viável para muitas bandas. No fim, poucas conseguem se sustentar com o tempo, e aqui mais difícil é para as autorais. Mas nada de novo, a questão é buscar criar demanda e aqui a partir de um som de qualidade e travar conversas e trocas com o mercado e artistas de fora onde muitas vezes bandas como a gente – que canta em inglês também – têm algum espaço.

Desert Killers

– Recomendem bandas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção ultimamente.

Temos ouvido e cruzado sempre com várias bandas boas (de vários estilos e propostas) como músicos. Algumas das que curtimos e que botamos pra escutar mais recentemente são: Dibigode, Soldado Marimbondo, Sent U Feeling, Inky, Ombu, Mairena, Single Parents e Não Há Mais Volta. Mas tem banda boa de sobra!

Ouça o disco “Mirage” aqui: