Dom Pescoço destila sua “tropsicodelia” no clipe de “Cuba Corazón”, música de seu primeiro EP

Dom Pescoço destila sua “tropsicodelia” no clipe de “Cuba Corazón”, música de seu primeiro EP

19 de novembro de 2015 0 Por João Pedro Ramos

Surgida em na zona rural da cidade de São José dos Campos, em São Paulo, a Dom Pescoço junta rock, MPB, samba rock, suíngue e psicodelia com tropicalismo e ritmos latinos e brasileiros. A essa mistura de elementos o grupo deu o nome de Tropsicodelia. “É tudo plural, misturado e indefinido. Poderia dizer que é apenas música brasileira, mas está aberto para a imaginação das pessoas criar o que seria tropsicodelia, pode ser muitas coisas, basta sonhar”, explicam (ou complicam, como você preferir).

Este ano, a banda se destacou com o clipe de “Cuba Corazón”, fruto do projeto “Cine Bandas”, idealizado pela fotógrafa Leticia Kamada e pelo produtor Julio Rhazec. O videoclipe brinca com a identidade de gênero e as nuances femininas no gênero masculino. A música vem do primeiro EP do grupo, auto-intitulado, lançado em 2014.

Conversei com Dom de Oliveira sobre a carreira do grupo, o clipe de “Cuba Corazón” e a definição de Tropsicodelia:

 

– Como a banda surgiu?
Eu (Dom de Oliveira), o Rafael Pessoto e o Luiz Felipe Passarinho acabamos formando um núcleo musical na zona rural de São José dos Campos, onde o Passarinho morava. Lá havia muitas festas, com vários outros amigos e amigas. Formamos um núcleo musical neste período que se dissolveu logo depois. Da formação original sobrou mesmo nós três, convidamos o Gabriel Sielawa (cavaco) e o Miguel Nador (voz) e esta é a nossa formação atual desde junho de 2014. Criamos muitos arranjos neste primeiro núcleo musical, a base de algumas músicas nossos atuais. Cada um trouxe um pouco de sua história, a minha e do Passarinho tem muito de música brasileira e nordestina. As composições compostas por mim nasceram quase que psicografadas, de supetão. Outras o Gabriel Sielawa trouxe do rolês deles com a galera, outras criamos em conjuntos, dentro dos ensaios.

– Porque o nome Dom Pescoço?
Ninguém sabe direito, hoje a gente tenta entender e contextualizar. Dom Pescoço acabou virando um personagem, assim como Dom Quixote, Don Juan, etc… No nosso caso é um caboclo “carne de pescoço”, daqueles sertanejos duros de cair, resistentes e que com o pouco que consegue da vida faz arte e bota quente nas ”pedradas”. A história desse Seu Dom Pescoço é algo assim.

Dom Pescoço - Foto por Mariá Melo

– Quais são as principais influências musicais da banda?
A minha particularmente são muitas, impossível de listar aqui. Em sua maioria música brasileira. Minha playlist fica no aleatório. É muita coisa, desde anos 30 até as atuais. Muita psicodelia e música brasileira. Eu poderia listar, mas não representaria o mundo de coisas que ouço.

– Me fale um pouco mais sobre o clipe de  “Cuba Corazón”, que fez barulho nas redes sociais.
A produção do trabalho foi fruto do projeto “Cine Bandas”, idealizado pela fotógrafa Leticia Kamada, pelo produtor Julio Rhazec, Grupo Maxado (audiovisual), filmado no Espaço Cultural Cine Santana e realizado pela Fundação Cultural Cassiano Ricardo, todos de São José dos Campos – SP. O videoclipe busca explorar as nuances, a importância e a expressão do feminino que habita o masculino. A banda é ao mesmo tempo expectadora e provocadora das emoções reveladas pelas movimentações espontâneas e outras coreografadas proposta por um bailarino. O vídeo se desenvolve a partir de uma crescente exposição. A principio exploram-se os planos detalhes, exibindo cores, texturas e nuances do corpo em movimento, dos personagens e da relação entre eles. No decorrer, a sensualidade, as formas e a intensidade da performance e da observação é expandida, contextualizando a organização musical em circulo, o corpo que dança no centro e, ao final, o rosto do bailarino. Ele acaba de entrar na Programação do Festival de Audiovisual de Belém, passamos em nosso primeiro Festival.

– O clipe brinca um pouco com a questão da identidade de gênero. Qual a opinião de vocês sobre isso?
É um assunto que não deveria ser polêmico. Trata das formas comuns, normais e naturais de ser humano. Nossas diferenças nos unem como espécie. São elas que nos fazem evoluir. Uma espécie parada, imutada, tende a se extinguir.

– Quais são as melhores e piores coisas de ser uma banda independente?
Melhor: Fazer o que bem entender com sua carreira e arte.
Pior: Não ter grana para fazer o que bem entender com sua carreira e arte.

rsz_dom_pescoço_-_foto_por_jaíne_lima

– Vocês definem o som da banda como “Tropsicodelia”. Podem explicar com mais detalhes?
A graça é abrir essa percepção musical do que é ou não é, pois não há nada fechado, nem definido. É tudo plural, misturado e indefinido. Poderia dizer que é apenas música brasileira, mas está aberto para a imaginação das pessoas criar o que seria tropsicodelia, pode ser muitas coisas, basta sonhar. Eu poderia dizer que é uma mistura de ritmos e trejeitos brasileiros e latinos de se fazer música, que são um tanto de coisas juntas e assim difíceis de definir. A gente inventou um nome aí, por que a gente não sabe definir esta parada que fazemos, além de dizer que é música brasileira mundial. Tropsicodelia é justamente esta indefinição do som que fazemos: não é samba, mas tem samba; não é rock, mas tem rock; não é cumbia, mas tem cumbia; é multiétnica, mas não só; é lúdica, mas não só. É uma paradinha diversificada ae.

– Quais são os próximos passos da Dom Pescoço?
Shows, discos, novas composições e histórias a serem compartilhadas com vocês. Tudo pode ser acompanhado em nossas redes sociais. www.facebook.com/dompescoco

– Recomendem bandas e artistas (de preferência independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Banda Homens de Melo, Coletivo Estoril e Salve as Kamadas Líricas são três bandas que a gente curte muito e são totalmente independentes, amigas de rolê.