Didi Wray se juntou ao Dead Rocks em sua missão de misturar tango e surf music

Didi Wray se juntou ao Dead Rocks em sua missão de misturar tango e surf music

4 de abril de 2016 0 Por João Pedro Ramos

A argentina Didi Wray, de San Telmo, é apaixonada por surf music desde que começou a se interessar pela guitarra, na adolescência. Eis que um dia surgiu o estalo: porque não unir este estilo com o tango argentino? E foi aí que surgiu o peculiar tango surf da moça, que esteve em tour com os brasileiros do Dead Rocks em janeiro de 2016 levando sua mistura a diversos países.

Com um EP de quatro músicas no currículo, Didi está preparando para este ano uma coletânea com diversas bandas da América Latina embarcando no tango surf. O disco ganha o título de “Tango Surf Mission” e deve sair em breve.

Bati um papo com Didi sobre o tango surf, a famosa rivalidade entre Brasil e Argentina, o novo disco e a vida de artista independente:

– Me explique um pouco melhor o que seria o som “tango­surf”.
A proposta do “tango­surf” tem a ver com integrar ambos os gêneros musicais. Fazer uma pequena contribuição para o mundo do surf. Uma abordagem diferente para a linguagem do tango, característico do meu país de origem, e do espírito dançante e divertido de diferentes correntes de instrumental, twist, new wave, a go go, twang, etc. Pegar as voltas melódicas e harmônicas do tango, seu contraponto, seus polirritmos e moldá-los com um ingrediente simples no instrumental e sons do surf rock.
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– Vocês estão gravando um disco, certo? Pode me falar um pouco mais sobre ele?
Em janeiro deste ano gravamos um disco junto com The Dead Rocks. São quatro músicas para um compacto em vinil que será masterizado e lançado no Brasil, acreditamos que até o fim do ano. Contém um tango clássico, o dançante e veloz “Twist da Cachoeira”, o poderoso tango­milonga “Os Milongas” e uma música surpresa da qual não direi nada!

– Fale um pouco mais sobre o EP que você já lançou.
Esse é um EP do ano de 2012 que gravei na Argentina com os primeiros rascunhos em que comecei a trabalhar por volta de 2009/10. A ideia era lançá-lo em formato físico, mas a falta de apoio dos selos não possibilitou que isso se concretizasse e só restou lançá-lo em edição digital. Algumas versões destes arranjos poderão ser encontradas no meu próximo trabalho, “Tango Surf Mission”.

– Como está sendo tocar no Brasil?
Fiz duas turnês pelo Brasil, sempre junto do The Dead Rocks. As duas foram fabulosas, mas a deste ano foi notavelmente melhor. Melhores os shows para quem está em cima do palco e para quem está embaixo também. O público cresceu e se envolveu muito mais com a proposta. Sempre estou feliz de tocar no Brasil.

Didi Wray
– O que você acha da rivalidade Brasil x Argentina?
Não sei, creio que a rivalidade é tão ridícula quanto conceitual. O argentino tem rivalidade com os brasileiros, os chilenos, os uruguaios, mas as pessoas não ligam para isso, a menos que exista uma bola de futebol no meio.
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– Aqui no Brasil ainda existe resistência pelo rock em espanhol. Porque você acha que isso ocorre?
Creio que é algo natural pelo idioma. A música em inglês é mais popular no Brasil que a música em espanhol porque sempre houve uma difusão mais poderosa, e portanto, uma distribuição comercial maior, isso facilita muito chegar às pessoas. Não há mistérios, it’s all about money.


– Como você começou sua carreira?
Comecei a estudar guitarra e música aos 10 anos. Nunca parei. Tive várias bandas desde os 13 ou 14 anos. E respeito muito o rock instrumental, fui guitarrista de uma banda de twist a go go e rock freak com 12 anos e desde ali, me apaixonei pelo surf.

– Como você definiria a vida de artista independente?
Creio que é diferente em cada caso. Sempre muito difícil. Às vezes muito cansativa, porque todo custa muito e é uma tarefa árdua encontrar uma forma de poder fazer as coisas. É um enigma permanente. No há desenhos ou fórmulas que se apliquem ou assegurem nada. Vivemos na incerteza permanente, mas isso também faz com que seja muito emocionante e gratificante quando algo se concretiza. Fazemos mágica.

Didi Wray
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– Quais os seus planos para o futuro?
Primeiramente, tenho um projeto de lançar um disco este ano, reunindo várias bandas da Amécia Latina. Ao contrário de todos os discos que são apresentados em uma turnê, este será o resultado de uma turnê que já acontece faz um ano. Bandas do México, Argentina, Brasil, Chile e outros países colaboraram na gravação deste trabalho intitulado “Tango Surf Mission”. Ele inclui vários músicas originais e arranjos feitos para vários tangos e mais algumas faixas surpresas. Eu imagino que não teremos muita atividade na pauta nos meses seguintes, mas certamente algo surgirá, o amor é mais forte (risos).
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– Recomende bandas e artistas (especialmente se forem independentes!) que chamaram sua atenção nos últimos tempos.
Tive a sorte de escutar várias bandas ao vivo este ano em que estou fazendo turnê. Entre elas Los Yawares, do Chile, Gasolines e Os Brutus do Brasil, Los Frenéticos e Los Cataclismos da Argentina, e algumas outras que ainda não tive a oportunidade de ver ao vivo mas gostei muito, como Nahuelizers e Megatronadores de Bariloche, Argentina. Estão fazendo trabalhos muito bons!