Construindo Porno Massacre: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

Construindo Porno Massacre: conheça as 20 músicas que mais influenciaram o som da banda

21 de fevereiro de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos o quarteto paulistano Porno Massacre, que indica suas 20 canções indispensáveis. Não deixe de seguir o perfil do Crush em Hi-Fi no Spotify e ouvir a playlist desta semana, disponível no final do post!

Alice Cooper“Crazy Little Child”

General Sade: O período que vai do lançamento do álbum “Love it to Death” (1971) até o “Welcome to My Nightmare” (1975, já em carreira solo)… ou, vá lá, com alguma condescendência, o “Goes to Hell” (1976), é a melhor fase de qualquer artista/banda que conheço. A sonoridade, as músicas, a concepção visual, o conceito estético, a porra louquice… tem tudo lá (até o Salvador Dalí se associou a eles)… essa música já é do fim do Alice como banda, e vem com aquele estilo cabaré vaudeville que acabou ficando uma marca de seus álbuns por um tempo. Sempre gostei deste tipo de som, e essa em particular é sensacional, com uma letra que conta uma história de um malfadado assalto, embalada por instrumentos de sopro e um piano arrasador. Sempre desejei meio que continuar essa linhagem, e sempre que posso retorno a ela, como quando surgiu a ideia para “There is no Rule at All”, além de toda a fase cabaré do nosso show, e algumas coisas que ainda estão em desenvolvimento e movimento por aqui.

Marilyn Manson“Doll-Dagga Buzz-Buzz Ziggety-Zag”

General Sade: O glam rock, com elementos de shock rock, bebendo nas fontes do cabaré, mas com guitarras cortantes gerou muitas músicas ótimas que poderiam ser citadas aqui e que sempre servem como inspiração. Inclusive “Queen Bitch” do David Bowie, por exemplo, que embala aquela cena final do filme “A Vida Marinha com Steve Zissou”: a diferença é que aqui eu queria trocar a música original da cena por essa, de nome meio trava-língua, mas ótima, dançante, pesada, burlesca… Fora que quando ele canta na música: “You´re one of us”… eu realmente me sentia contemplado e aceito na minha esquisitice: “Opa, pera aí! Eu também sou dessa galera aí!”… Por isso que na nossa música “A Nau dos Insensatos”, trabalho que deve sair num próximo álbum, em determinado momento eu também digo: “O seu lugar também é aqui do nosso lado”. Fora que eu sempre sonhei em andar na rua, numa cena antológica como aquela, com um som tocando meio que dos céus, etéreo e embalando um momento de determinação e assertividade.

New York Dolls“Stranded in The Jungle”

General Sade: Não é uma música composta originalmente pelos Dolls, mas é aquele tipo de cover que fica tão bom que a coloca na posição de versão definitiva. As duas partes bem distintas entre a da selva, com os sons dos macacos ao fundo e a da cidade, com o piano e os backing vocais harmônicos de doo-wop… a primeira vez que eu ouvi deu vontade soltar uns berros mesmo de tamanha empolgação, aumentei o som no último e nunca mais parei de ouvir ela. Em toda festa tinha que rolar, em todo som de acampamento, em toda viagem da escola. Devo muito a essa música na questão da concepção do show quando temos as dançarinas/backing vocals e na parte teatral de “se contar uma história”.

The Fratellis“Flathead”

General Sade: Essa música passa por várias fases abruptas. Começa meio algo caribenho, meio propaganda da Heineken, dá umas disparadas de rock´n´roll e termina numa espécie de refrão que fica em “La-la-lá”, assim como a abertura do pré-histórico programa infantil Banana Splits. Acho, principalmente essa última parte de uma coragem e de um desbunde invejáveis… tudo muito bem executado, música pra dançar horas e horas. E essas mudanças inesperadas e instantâneas são nada menos que maravilhosas! É um terreno que já explorei mais e que provavelmente apareça nos novos trabalhos.

The Cramps“The Mad Daddy”

General Sade: The Cramps é o que me chama sempre pro básico novamente (back to basics, anyone?). Rock-a-billy acelerado, adrenalizado e injetado… e só! Me faz sempre lembrar que não precisa muito. E que a criatividade e vontade sempre contam muito mais que a técnica apurada, se esta for fria e burocrática. “Baise Moi”, “The Lemarchand´s Box” e até o lado B, “Prelúdio Para o Carnaval”, seguem em maior ou menor grau essa fórmula, seminal, básica e no entanto nunca envelhecida.

The Sonics“Psycho”

Aiatolá: Simplesmente não consigo imaginar o garage rock sem o Sonics. O que foi a genesis do porno!
Nosso primeiro som, “5 o Clock” é um british rock com o pé todo sujo do garage rock desses caras.
Me lembro que dormi escutando um play do Sonics num domingo totalmente bêbado. De manhã, acordei, fui tomar banho e liguei o rádio. Quando sai do banheiro (pelado ainda) tava tocando um som do R.E.M. (“The One I Love”) e na hora pensei: “esse som poderia ser tocado pelo Sonics!” peguei a guitarra (peladão mesmo!) que ficava pendurada na parede e toquei o riff dessa musica como se fosse o Sonics (bem destrambelhado e na região mais aguda da corda mais grave que eu conseguisse). Não mudei 1 nota sequer, até hoje é a intro da musica.. o resto e história!

Motorhead“Ace Of Spades”

Aiatolá: Clichê do clichê… mas foda-se. Essa musica me desbunda. Motörhead me desbunda. Infelizmente aprendi a gostar dessa banda tarde demais… Durante o segundo ano de banda, quando as músicas estavam começando a surgir, sempre falava para o Roger o quanto eu queria fazer musicas “retas” como o country rock americano. “Ace of Spades” reduz a teoria dos 3 acordes ramônicos para praticamente 1! É um carro somente com o pedal de acelerador. Adicionei + 1 acorde. E “Igreja Porno Massácrica” veio a cavalo.

Nashville Pussy“Lets Ride”

Aiatolá: Essa é uma banda polêmica. Nitidamente machista e estereotipada. Não concordo muito com esse lado do Nashville Pussy. Mas falemos do som! Rock and Roll sem frescura. Riffs tocados a pleno vapor… pqp! Não dá pra não gostar! A nova fase do Porno bebe nessa fonte até engasgar! Conheci o Nashville Pussy depois do Porno por intermédio de um colega num churrasco na casa do Mauro. Achei brutal de cara. A partir daí tomei como referencia as linhas de guitarra da Ruyter Suys, foi um divisor de águas em vários aspectos da banda. Realmente perseguimos esse estilo até encontrar um denominador comum. Nota-se muito isso em “É o que me Resta” (música do EP que vamos lançar) e “Nau dos Insensatos” (programada para o próximo disco).

69 Charger“Rubberneckin”

Aiatolá: Tive que escutar o 69 Charger fazer uma versão dessa musica pra acordar pro som do Elvis. Ele sempre foi o Boss. Acho a fase “black” do Elvis muito desvalorizada. Todos lembram do somente do romantismo do rei. Se você desacelerar essa musica vai encontrar “There is no Rule at All”. Até hoje sou impressionado com o que o Elvis fazia com 4 canais. Você se sente literalmente no meio da banda. Já a versão do 69 tem o vocal chorado e espetacular do (não por acaso) “Dead Elvis” e a levada mais dançante e elétrica que já escutei até hoje.

Motor City Madness“(We are the) Outlaws”

Aiatolá: O The Sonics participou de uma suruba com o Motörhead e 69 meses depois o Lemmy cagou esses caras no mundo. Não vejo outra explicação! Tenho raiva dessa banda as guitarras são perfeitas. O Mauro que é o oráculo do Independente me apresentou esses caras e em 2 minutos eu já tava vomitando meu figado! Guitarra “chute na cara”, Voz berrada e distorcida. Logo depois disso achei as musicas dos caras na internet escutei por 1 semana seguida. Essa banda me fez pensar: “O Rock And Roll não morreu porra nenhuma, é você que que ficou gourmet demais pra ele”.

Ramones“Blitzkrieg Bop”

Blacknail: É clichê mas foi umas primeiras músicas que toquei em uma banda. Além disso Ramones é influência pra qualquer um que goste de punk rock, puta inspiração!

Garotos Podres“Papai Noel Velho Batuta”

Blacknail: Origens do punk nacional, meu irmão mais velho tinha esse LP e eu ouvia direto, acho que acabei riscando… Era uma gravação tosqueira mas era muito loco xingar o papai noel junto com o Mao!

Bad Religion“Fuck Armageddon… This is Hell”

Blacknail: Hino ateísta e um dos primeiros sons que tocava deles. Sempre foi muito foda ouvir Bad Religion, tocar era mais foda ainda!

Zumbis do Espaço“Que Venham os Mortos”

Blacknail: Acho que foi meu primeiro contato com o som independente nacional e também não conhecia muito horror punk, nem o Misfits direito. Quando ouvi o CD fiquei louco e repeti uma pá de vezes! Essa entrou no repertório na época, junto com “Viver pra Matar” e outras duas.

Motörhead – “Overkill”

Blacknail: Motörhead é o tipo de rock que me influencia hoje, junto com bandas mais novas como Nashville Pussy, 69 Charger, Motosierra, Motor City Madness, rock muito loco, rápido e destruidor!

Dire Straits“Sultans Of Swing”

Little Lúcifer: Começando pela música que foi o começo de tudo. Há cerca de 15 anos atrás eu andava pelas ruas do centro da cidade e, diariamente, montes de camelôs vendiam o mesmo (e às vezes apenas desse, inclusive) DVD “Dire Straits – Sultans of Swing: The Very Best of”. Eu parava e apreciava os solos de guitarra sem ter noção alguma de música, nem ao menos para saber que não era tão comum um guitarrista usar os dedos para tocar. Passado um tempo eu decidi que queria fazer essa porra também! Comecei a aprender a tocar violão e na época não me sentia a vontade para usar uma palheta, talvez por Mark Knopfler não usar.

Korn“Did My Time”

Little Lúcifer: Eu conhecia Korn há algum tempo, mas não profundamente. Todos ouviram “Freak On A Leash”, claro. Então em 2004, pouco tempo depois do lançamento do álbum “Take A Look In The Mirror”, encontrei por acaso uma faixa em MP3 dessa música e ouvi repetidamente pra caralho! Foi então que comecei a ouvir tudo de Korn. Fiquei maravilhado com tudo! Korn tem uma atmosfera única. Não tem nada parecido. Foi a primeira banda que eu tive a segurança de dizer que era a minha preferida! Fiquei impressionado com o Fieldy no baixo! Era muito louco! Aí pensei: Foda-se essa porra de palhetinha nessas cordinhas finas que quebram e enferrujam toda hora, vou sentar a porrada no baixo! Comprei um baixo usado e comecei!

Megadeth“Foreclosure Of a Dream”

Little Lúcifer: Essa entra na lista principalmente por ser a primeira música que toquei ao vivo em algum lugar. Foi em uma escola de música em Itaquaquecetuba na qual fiz aula por uns 6 meses pra tentar aprender a sentar a porrada que nem o Fieldy. Não foi um Korn que toquei, mas essa música que aprendi lá mesmo, me introduziu ao Megadeth e serviu pra pegar confiança, pois curti muito tocar e mandei bem!

Deftones“My Own Summer”

Little Lúcifer: Pouco depois que comecei a ouvir Korn, comecei a ouvir Deftones. Eu já conseguia acesso à internet, pesquisava, estava ali entre às bandas percussoras do New Metal, enfim. Comecei a curtir pra caraaaaalho também! Era (ainda é) uma melodia estranha, meio sonolenta e de repente contrastava com umas batidas muito pesadas, como se tudo que tivesse feito antes era pra enfatizar aquele momento! Era original e bom pra caralho! E a levada tão sonora que é quase dançante do grande (e infelizmente falecido) Chi Cheng é a minha maior inspiração em linhas de baixo até hoje. Essa música é uma das minhas preferidas da banda.

Lacuna Coil“Our Truth”

Little Lúcifer: Não dá pra deixar de fora a banda que me fez arregaçar de tocar por aí com amigos que vou querer para vida toda, a Frozen, melhor cover de Lacuna Coil que eu já vi! Entrei na minha banda na época por começar a curtir Lacuna Coil por todos os instrumentos, principalmente o baixo estralando do Marco. Dediquei consideráveis anos na banda e por conta de Lacuna Coil peguei bastante experiência. “Our Truth” é uma entre as várias músicas da banda em que pude aplicar muita coisa do que havia aprendido.