Construindo Nycolle F: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

Construindo Nycolle F: conheça as 20 músicas que mais influenciaram seu som

25 de julho de 2017 0 Por João Pedro Ramos

Quando uma banda se forma, as influências de cada um dos integrantes são inúmeras e variadíssimas. Essa mistura de músicas, artistas, discos e sons entra em um imenso caldeirão musical e traz algo totalmente novo e cheio de identidade. É nessa construção de identidade que a coluna Construindo vai focar: aqui, traremos 20 músicas que foram essenciais para que uma banda ou artista criasse seu som, falando um pouquinho sobre elas. Hoje temos a cantora, compositora e instrumentista Nycolle F, que lançou no final do ano passado seu EP “When The Sun Comes”.

Drop Nineteens – “Shannon Waves”
Bom, quero por esta música em primeiro lugar pois ela tem uma certa significância para mim. Algo enigmático, surpreendente… (In)felizmente (não sei) eu diria que sou uma pessoa complicada para gostar de músicas facilmente. A melodia sempre foi o que realmente me atraiu ali. A sequência de notas, a linha de baixo, etc, cada instrumento fazendo seu trabalho ali. Uma simples coisa pode desviar todo o meu caminho na tentativa de apreciar tal som. Mas voltando ao assunto, diria que “essa é a música”, a minha música! 100% da forma que amo. Soa como uma viagem astral… Ou sentir-se fora de si, viajando num carro velozmente enquanto o sol nascente se exibe e o vento brinca com seus cabelos… Correr freneticamente por entre ruínas… Ou simplesmente apreciar a lua e seus mistérios. Para que letra? Se a melodia já fala por si só. Talvez seja esse o motivo de eu fazer muitas músicas instrumentais. ‘Eu canto através de minha guitarra’.

Elliott Smith“Roman Candle”
A primeira vez que o ouvi foi graças a música de Portland nos anos 90, conhecido pelo movimento grunge também que não gosto de dizer que é apenas bandas de Seattle, afinal, algumas bandas não foram nem formadas ali e são bem relembradas pelo mesmo. Diria que entre Seattle e Portland, eu escolho mil vezes Portland. Conheci essa pérola após ouvir Hazel, o clássico “Day Glo”, som amável e que me causa uma certa nostalgia sobre meu passado quando o assisto. E caçando bandas de madrugada no YouTube, eis que aparece a Madonna cantando “Between the Bars” do Elliott e já havia lido em alguns sons o nome dele nas descrições de alguns sons do Heatmiser. Resolvi ouvir e havia gostado e aí sim comecei a ir clicando nos vídeos ao lado para conhecer melhor os sons. Logo me apaixonei… A letra dessa música realmente me deixa triste e sinto essa energia que Elliott deixou pra gente nela… E coisas em comum. O violão ali…….. Quando aquele sublime toque continuo e devastador na guitarra aparece… O mistério. Sem palavras.

Cay“Skool”
Cay foi uma banda irada dos anos noventa. Um som rasgado, da forma que amo. Melhor dizendo, grunge! Anet Mook é uma das minhas inspirações como musicista ainda mais por ser mulher. Um vocal único e que merecia mais reconhecimento. Infelizmente Anet morreu de uma forma trágica… Li que ela foi atropelada (E sóbria! Ela tinha problemas com drogas) por um trem, outros dizem que foi por um ônibus. Não sei qual é a informação real. Alguns crêem que foi suicídio. mas mesmo assim, sempre associo a morte dela com esse som. É algo inevitável… E amo a letra dessa música.. simplesmente diz demais essa melodia, e a letra fortalece mais ainda… “I have nothing to wear, it’s not that i don’t care, don’t wanna freak you out […] I’ll have another cigarette Before it’s time to go to bed […] The weather is so bad, and tv makes me sad… Enfim, uma melancolia, a vida. Tive a honra de ser respondida por um integrante da banda pelo g+, sobre esse som.

Sisters of Mercy“Walk Away”
Esse som é incrível… Amo a energia dele. O vocal expressivo e contagiante do Andrew… Eu adoro essa sequência de notas, adoro demais e costumo usar algo assim nos meus sons. Amo essa euforia que esse som me causa, um arrepio… Me causa uma certa associação com licantropia. Música sem palavras… Apenas sentir!!
Well, eu escolho to walk away, Andrew. Vamos.

Ammonia“Small Town”
Poxa… Uma instrumental incrível. Essa linha de baixo já diz tudo! Quando a ouço, me imagino em Portland ou Seattle, andando de skate nos anos 90 enquanto o sol se põe… E claro, esse som tocando no fundo, como se eu estivesse num filme ou clipe. Essa associação de cores como a do sol poente… Aaaaaah. Sempre interferindo nas minhas viagens.

Radiohead“You”
Uma certa paixão por esse som. Conheci Radiohead após ouvir o som “The Bends” porque foi assim que me despertou aquela coisa complicada que citei na primeira música. Costumava achar que era uma banda de meros idiotas (risos). Amo a melodia dessa também, e sim, gosto de letras também e Radiohead tem letras maravilhosas. Também gosto muito de ouvir a clássica “Fake Plastic Trees” pois lembro de ouvi-la quando pequena, talvez na TV, rádio, não me recordo e até gosto disso, o mistério. Aquela nostalgia boa… É admirante. E quando ouvi “You” a primeira vez, fiquei impressionada! Que música sensacional, olha essa melodia… A forma como Thom canta, MAS A PARTE EM QUE O JONNY MANDA A VER.. sem palavras. É um pouco esquisito porque quando a ouço, lembro de uma música de um lugar de noite de um jogo de corrida do Sonic, que inclusive gosto muito dele. Prosseguindo: o amor é tanto que tenho até a versão do álbum “Manic Hedgehog” (olha aí uma coincidência e referência) da fase inicial deles, época em que se chamavam On a Friday. Jonny me despertou muito interesse, passava horas pesquisando sobre ele e ele é um ser único e muito inspirador. Amo como ele faz música com amor e vários instrumentos e a relação dele com pessoas de vários países.

The Muffs“My Crazy Afternoon”
Como explicar meu amor por essa doce banda? Kim Shattuck é uma grande inspiração para mim! Amo a forma e me identifico como ela toca, a pegada sabe? Gosto disso com distorção. No começo achei uma porcaria após ouvir o som “How I Pass The Time” porém quando fui dormir… Quem disse que a música não tocou mentalmente praticamente até eu adormecer? Hoje amo esse som também. The Muffs tem uma coisa única pra mim, que se destaca entre muitas bandas com mulher. Bom, sobre “My Crazy Afternoon”, a minha versão favorita é a demo do álbum “Hamburger”. Adoro as letras meio “que?” Deles.

Alice in Chains“Rotten Apple”
Alice in Chains foi a banda que me introduziu nesse mundo musical, graças a uma pessoa que eu seguia no Twitter que postou uma foto deles e meu interesse por ouvi-los despertou porque nesse mesmo dia havia visto no busão um cara loiro do cabelo comprido semelhante ao Jerry Cantrell. E acabei amando fortemente a banda, o que me fez conhecer grunge, até mesmo shoegaze e assim se foi. Esse som tem aquele enigma que aprecio demais, especialmente a linha de baixo. Que letra… Grande Layne. Mas sobre a banda, não descarto a falta de honestidade contra o Mike Starr… Meu ex membro favorito da banda. Muitos assuntos escondidos… Enfim, devo o meu conhecimento musical atual e futuro graças a eles!

Wipers “The Lonely One”
Wipers é uma banda muito irada e que inspirou muitas outras, inclusive nirvana. Grande Greg Sage. Esse som carrega (mais uma vez) um enigma, e pesado. O início soa como algo bonito… Porém logo soa como algo “preocupante”. E então depois ela fica mais preocupante ainda.. angustiante.. “The Lonely One”… Só ouvindo mesmo para compreender (ou talvez seja mais uma viagem da minha cabeça)…

The Mission“Neverland”
Conheci The Mission numa situação meio inusitada… Ela tocava em outro lugar e eu tentava ouvi-la, achava estranho mas era acolhedor aquele som causado por um ebow. Era “Butterfly in a Wheel” sendo tocada… Logo parei para ouvir a discografia e senti uma afeição por essa banda por causa do modo e das pessoas que através dela a conheci. Bem, essa música tem aquela coisa mágica e acho que sempre vou associa-la com aquele dia. Era um dia ensolarado e lindo… Casinhas acolhedoras ali… E muitas caminhadas paralelas. E mais tarde o céu com tons laranjas do sol poente.

Sonic Youth“Sweet Shine”
Sonic Youth é uma das bandas pioneiras que influenciou muitas outras, isso é fato. Amo a pureza da voz da Kim Gordon nesse som, como ela encaixa o “cantar” dela na melodia tocante, acolhedora… Me sinto num jardim florido, um dia frio mas que logo uma faixa de luz solar ilumina o ambiente… E me guia para mais distante, por entre as árvores enormes. Deixe-me incluir “Green Light” aqui, baita som.

Mirrorring“Drowning the Call”
Simplesmente belo. Tocante, viagem astral. Uma coisa que me faz ama-la mais ainda é o que ela me faz imaginar. Eu amanhecendo num cemitério enquanto o dia ainda está escuro porém com toques da presença do sol que está por vir. Um vestido branco imenso desfiado, muitas flores amarelas em volta de mim, em cima de um túmulo velho e preto. Sensação de conforto por entre os mortos e almas que me observam como pais contentes ao ver seu pequeno filho. Ainda pretendo pintar um quadro expressando isso (se eu estiver viva até lá).

My Bloody Valentine“When You Sleep”
Uma pérola vinda de um álbum icônico do shoegaze. Cheguei a esse som graças ao grunge. Pesquisas e pesquisas no YouTube por algumas horas até chegar em “Crazy For You” do Slowdive e esse som aparecer. Foi amor a primeira vista, logo me sentia correndo num jardim, com todos os problemas inclusive os futuros resolvidos! Uma sensação de liberdade e de vontade de viver. Se bem que muitas letras de músicas que gosto acabam não tendo alguma relação com o sentimento que elas me causam, mas não vejo como um problema.

El Otro Yo “Paraiso”
Conheci El Otro Yo através de um argentino também removido de um grupo de fãs de maioria mexicana do Radiohead (eu fui porque não me comunicava com frequência por também não saber falar muito). Resolvemos conversar e pedi uma playlist a ele e ele quis uma minha. Assim conheci uma banda punk irada chamada Flema. Ele havia colocado o som “No Me Importa Morir” do El Otro Yo e logo curti por ser semelhante às bandas que gosto e parei para conhecer melhor e esse som me cativou. A letra demonstra uma coisa frequente nesse papo de morrer e ir pro céu ou inferno (bleh) e tem o toque do mistério de imaginar o que será que vai ocorrer quando partirmos. Gosto demais, muito mesmo. Admirante.

Slowdive “So Tired”
Essa música carrega uma dor e melancolia pesada. Quando lhe passa na mente talvez a última solução que tenha sobrado para a vida, a dor. Acabar com a dor. Mas talvez não, mas talvez sim… É. Rachel e sua belíssima voz, expressando em poucas e repetitivas palavras. basta fechar os olhos e procurar sentir essa dor que muitos vivem (e que ninguém ouve, mais tarde julgam) sendo expressada.

Clan of Xymox“Jasmine and Rose”
Uma música que me causa um arrepio, algo imenso dentro de minha alma! É lindo o que essas bandas dos 80s carregam, especialmente a da cena gótica. Esse som também é semelhante a Sisters of Mercy, mais próxima do som que também amo e muito, “Walk Away”. Que vibe… Correr por entre ruínas.

Yann Tiersen“La Boulange”
A mistura de vários instrumentos com um violino. Instrumentais e seus “feelings”. Me emociona ouvir essa música, violino é algo tocante demais para mim a ponto de as vezes me fazer chorar. É algo realmente belo e tocante. Inexpressivo em palavras.

Zazie e Dominique Dalcan“Ma Vie En Rose”
Talvez eu admire tanto essa canção (ou fortalece minha admiração) porque ela foi criada para o filme Minha Vida em Cor-de-Rosa (título original é o mesmo da música), filme que sou apaixonadíssima! A história de um garotinho​ que sofre de transtorno de identidade de gênero e não é aceito. Um filme que sempre me toca quando assisto, recomendo demais! O legal foi que eu o encontrei num livro escolar de português numa parte própria para recomendações de filmes e livros e me apaixonei pela capa; o pequeno Ludovic (ator principal) voando no céu em uma de suas fantasias. Logo fui atrás para ver. Amo a beleza dessa música e a melodia e a suave voz de Zazie. Muito admirante.

Hossein Alizadeh“Lullaby”
Tenho uma afeição especial por coisas/pessoas do Oriente Médio, até mesmo pelo cinema que costuma retratar a realidade cruel e a simplicidade deles. Esse som foi composto para o filme Tartarugas podem voar, um dos meus favoritos. Chocante e devastador… Violino e seu poder de expressar unicamente, mais essa bela voz feminina acompanhando. A dor das crianças em relação aos ataques e minas espalhadas por todos os lados, destruindo vidas. Também acabam optando por escolher a morte… (Veja e você irá entender).

The Replacements“Over The Ledge”
Acho Replacements uma banda muito irada. Esse som “é o som”. Sinto uma vontade imensa de correr na chuva quando a ouço, uma coisa gritante que se acende em mim… Amo especialmente quando Paul grita de uma forma próximo do final como se fosse um pedido de ajuda… A voz ecoando e aquela baita linha de baixo nota 1000! Amo imensamente. Gosto também de alguns sons da carreira solo do Paul, como um som chamado “Let The Bad Times Roll”. Chega a ser confortante ouvi-la em momentos frustrantes… So, let the bad times roll… É o melhor a se fazer…