Conheça os russos do Little Big, algo como se o Die Antwoord tomasse um galão de vodka

Conheça os russos do Little Big, algo como se o Die Antwoord tomasse um galão de vodka

4 de outubro de 2016 0 Por João Pedro Ramos

Se não fosse pela maluquice freaky dos sul-africanos do Die Antwoord e seus hinos rap-rave com clipes que deixam qualquer um de cabelos em pé, não teríamos a doideira russa Little Big, que são, basicamente, o Die Antwoord depois de muita vodka.

A música do quarteto se assemelha bastante, por sua música eletrônica rápida e violenta com seus vídeos grotescos, absurdos e não raro chocantes. A banda de São Petesburgo é formada por um vocalista (Ilya Prusikin), um cara tatuado e magrelo que começou a carreira fazendo rap vestido de Stalin, Sergey Makarov (Gokk), uma vocalista anã (Olympia Ivleva), a vocalista Anna Kast e Mr.Clown, um russo vestido de palhaço que deixaria Pennywise com arrepios.

Apesar da semalhança com o Die Antwoord, o Little Big é incrívelmente original. Seus clipes esquisitaços são especialmente viciantes, unindo maluquices nonsense diversas com imagens estereotipadas de dançarinos russos, vodka, hooligans, uniformes militares da época da Guerra Fria e etc. Mesmo que sua música seja quase inteiramente eletrônica, existe no Little Big uma certa energia gypsy-punk maníaca. Algo como uma versão raver ensandecida de Gogol Bordello, especialmente na faixa “Everyday I’m Drinking” (algo bem russo, diga-se de passagem):

A salada musical eletrônica-punk-gypsy-rock-metal do grupo parece mais “entendível” quando a banda cita suas influências. “Rave, Cannibal Corpse, Nirvana e Die Antwoord são meus preferidos”, diz Ilya. “Red Hot Chilli Peppers, Rammstein, à noite um Beethoven ou Mozart. Aliás, Vivaldi é um de meus compositores preferidos”, explica Olympia em entrevista para a Noisey.

Com dois discos no currículo (“With Russia From Love”, de 2014, e “Funeral Rave”, de 2015), o Little Big faz o que quer, mesmo que ninguém entenda. “Muitas pessoas não entendem nossa música”, disse Ilya à Noisey. “Nós mostramos o lado sujo e escuro, o que as confunde, mas só fazemos isso pois queremos mostrar que eles podem viver melhor. Há um senso de tradição real na Rússia. Nós queremos mostrar que todos podem viver suas vidas de uma forma diferente (e melhor)”.